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Ela ensina meninas a gostar de programação: "Quero que elas mudem o mundo"

Ruby vai atrás de cristais e, no caminho, aprende a lógica da programação - Linda Liukas/Divulgação
Ruby vai atrás de cristais e, no caminho, aprende a lógica da programação Imagem: Linda Liukas/Divulgação

Nathália Geraldo

De Universa

22/08/2019 04h00

Uma menina de cabelos ruivos que, com ajuda de um mapa incompleto, precisa encontrar cinco cristais, ao lado de pinguins, raposas...e robôs.

A história do livro "Olá, Ruby - Uma aventura pela programação", da autora finlandesa Linda Liukas, mistura referências e desafios do mundo infantil -- como jogos para reunir elementos parecidos, exercícios de lógica e de identificação de padrões -- com conceitos iniciais de programação computacional.

O tema, aliás, já virou atividade de criança, com escolas de programação, desenvolvimento de games e robótica dedicadas a "programadores mirins" espalhadas pelo Brasil e pelo mundo.

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Imagem: Divulgação

Ruby é garota que Linda gostaria de ter sido quando criança. Nas palavras dela, a personagem é um pouco mais ousada, mais travessa e aventureira. Por trás da narrativa, a programadora traz uma mensagem às crianças do mundo inteiro, especialmente às meninas: códigos e ciência da computação são conhecimentos possíveis para todos, têm potencial de expandir formas de se expressar desde a infância e, definitivamente, não são "coisas só de meninos".

"Meninas bem novas ainda não sabem que não deveriam gostar de computadores. Elas são precisas, podem se concentrar, são realmente incríveis com histórias e se expressando. Mas, pesquisas mostram que, a partir dos 5 anos, muitas meninas começam a desenvolver limites para a autoconfiança", contou a autora em entrevista para Universa.

Linda Liukas quer que meninas saibam que também podem programar - Divulgação/Maija Tammi
Linda Liukas quer que meninas saibam que também podem programar
Imagem: Divulgação/Maija Tammi

Linda é uma referência em tecnologia e na igualdade de gênero dentro do mundo dos códigos e computacional.

Em 2010, criou a organização Rails Girls, que tem alcance global e promove palestras e workshops sobre programação para mulheres de todas as idades no mundo, e, em 2018, entrou na lista das 50 mulheres mais importantes da Tecnologia da revista Forbes .

De sua atuação, veio a vontade de falar com um público de 5 a 7 anos. A ideia é que os pais leiam com as crianças, façam as atividades disponibilizadas no site do livro e também no final do livro físico, e consigam explorar a criatividade também no mundo offline.

"Caixa de ferramentas para se expressar"

As "aventuras de Ruby" são um exemplo de que a programação computacional pode, sim, ser uma caixa de ferramentas para que meninas, principalmente, consigam desenvolver suas capacidades de criação, de concentração e de se expressar por meio da tecnologia -- tudo isso, claro, com orientação e apoio dos pais e professores.

"Esta geração de crianças será a última a lembrar o computador como apenas 'uma caixa brilhante'. Eles crescerão em um mundo onde os computadores estão em toda parte: desde os ursinhos de pelúcia até as escovas de dentes. É por isso que é importante orientar as crianças para entender como criar, inventar e construir por meio de um simples teclado", explica.

Para Linda, os pais também têm a responsabilidade de proporcionar aos filhos a oportunidade de "criar do nada", como ela mesma fez, em sua infância, com as peças de Lego.

"Eu sempre amei a ideia de programar com a mesma linguagem que usamos para brincar com pecinhas de Lego. Você basicamente cria algo do nada: constrói mundos e estruturas cada vez mais complicados mas, no caso da programação, sem a necessidade de componentes físicos", analisa. "A maioria das crianças se sente um pouco impotente em suas vidas. Alguém de fora é que vem com as regras. Não em programação -- você é o rei do seu próprio universo".

Isso não significa que as crianças devam ficar apenas sentadas em frente à tela do computador pensando em programar mas, quando possível, unir experiências reais e virtuais em cada experiência da infância.

"Pensamos que é preciso deixar para trás a brincadeira ao ar livre, experiências sociais etc para se especializar em programação. Brincar na floresta foi uma grande parte da minha infância e eu não tiraria isso das gerações futuras", avalia. Ela acha que nós podemos ser muitas coisas ao mesmo tempo, já que não somos binários como os computadores. E isso significa que as crianças podem brincar na floresta, mas também podem imaginar que todas as árvores têm sensores e como isso impactaria no mundo. Entendeu a mistura da vida real e da tecnológica?

Confiança para ocupar lugares

Em seu trabalho, Linda também se preocupa com a confiança que quer despertar nas meninas do mundo inteiro. E a programação pode ser uma via poderosa para isso.

"Elas vão ocupar esses lugares seguindo sua própria curiosidade e confiando em sua própria voz, não tentando se encaixar. E devem lembrar que sua perspectiva feminina, que é única para o mundo, é o que as torna tão valiosas", comenta.

"Eu não quero que todos os avanços da tecnologia venham do Vale do Silício. Eu quero que alunas brasileiras, avós finlandesas e adolescentes quenianas façam parte da mudança do mundo com tecnologia também. Imagine um mundo onde a Ada Lovelaces [conhecida como a 1ª programadora da História, no século 19] de amanhã cresça otimista e corajosa com a tecnologia e a use para criar um novo mundo que é maravilhoso, caprichoso e um pouco estranho".

Escrever sobre programação

Linda, que também ilustrou o livro, teve a ideia de contar a história de Ruby para aproximar o mundo da tecnologia ao universo infantil. Apesar de ser muito familiarizada com o tema, Linda explicou que precisou de persistência para escrever a narrativa -- a mesma que precisa ter na programação.

"Acho que muito do que aprendi na escrita remonta ao que aprendi com programação. Uma das lições mais importantes é a ideia que Ruby tem de que até os grandes problemas do mundo são pequenos problemas colados. O mesmo com a escrita. Você começa com uma ideia vaga, divide-a em capítulos, capítulos em páginas e começa a fazer o livro, um desenho, uma frase e um exercício de cada vez".

"Olá, Ruby - Uma aventura pela programação" foi publicado no Brasil pela editora Companhia das Letrinhas (R$ 49,90).

Veja um exemplo de jogo proposto pela autora no livro:

Linda Likaus/Divulgação
Imagem: Linda Likaus/Divulgação

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