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Como Maria da Paz, por que não enxergamos defeitos em familiares próximos?

Maria da Paz (Juliana Paes) flagra Régis e Josiane se beijando em A Dona do Pedaço - Reprodução
Maria da Paz (Juliana Paes) flagra Régis e Josiane se beijando em A Dona do Pedaço Imagem: Reprodução

Lucas Vasconcellos

Colaboração para Universa

27/08/2019 04h00

Nos últimos capítulos de A Dona do Pedaço, Maria da Paz (Juliana Paes) tem descoberto todas as falcatruas que sua filha, Joseane (Agatha Moreira), tem cometido contra ela - desde ser amante de seu marido, até roubar a fortuna que construiu com tanto esforço. E, apesar de todos os sinais e alertas que recebeu, Maria parece não acreditar no que está acontecendo. Essa inocência fez com que a protagonista virasse piada nas redes sociais. Mas todos estamos sujeitos a passar pelo mesmo tipo de negação de Maria da Paz, especialmente quando o que nos fere envolve pessoas queridas.

"Quando nos acontece algo difícil de encarar, nosso cérebro aciona mecanismos que nos ajudam a sobreviver. A negação é um deles. Ela surge quando nos é exigida uma tomada de consciência muito grande. Se alguém querido morre ou recebemos o diagnóstico de uma doença grave, por exemplo, a primeira reação é não acreditar. Como se diz, 'a ficha não cai'. Isso ocorre porque aceitar as batalhas que vêm pela frente é muito doloroso. O mesmo ocorre quando a traição vem de alguém em quem se confia ou que se ama muito, porque idealizamos a pessoa", explica o psiquiatra Henrique Bottura, de São Paulo.

Vida em família

Aceitar que Joseane é capaz de tantas coisas ruins contra a própria mãe tem sido difícil para personagem de Juliana Paes. Mas o fato é que os laços familiares não garantem que parentes, mesmo os mais próximos, sejam honestos, justos e, muito menos, boas pessoas.

Maria da Paz (Juliana Paes) enche a filha, Josiane (Agatha Moreira), de tapas após descobrir que foi roubada por ela - Arthur Meninea/Gshow
Maria da Paz (Juliana Paes) enche a filha, Josiane (Agatha Moreira), de tapas após descobrir que foi roubada por ela
Imagem: Arthur Meninea/Gshow

"A gente tem mania de idolatrar a família porque ela é composta por pessoas com quem dividimos visões e conexões muito fortes no dia a dia. Por isso, conseguimos ver falhas em pessoas de ambientes externos com mais facilidade. Nossa família tem uma função protetora, mas também tem fragilidades", conta Bottura.

É preciso perdoar?

Segundo o psiquiatra, perdão é um ato de libertação. Quando a gente não perdoa, criamos um vínculo de negatividade com o indivíduo, e acabamos presos à pessoa pelo ressentimento e pelo rancor. "O perdão é mais egoísta do que altruísta, pois quando acontece, você se liberta e abre espaço para novos sentimentos. Mas perdoar não significa concordar, aceitar e ter que estar junto novamente", ressalta.

Saber disso, no entanto, não torna perdoar um ato fácil. "Tanto que, muitas vezes, chamamos pessoas que perdoaram de seres evoluídos. Caso esteja difícil alcançar esse patamar de evolução e se libertar do ranço, vale buscar, por exemplo, auxílio na terapia ou mesmo na espiritualidade, dependendo de suas crenças", conclui.