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Coração protegido e sono melhor: perdoar garante 7 benefícios à saúde

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Imagem: iStock

Simone Cunha

Colaboração para o UOL VivaBem

25/07/2019 04h00

Resumo da notícia

  • A falta de perdão interfere de forma negativa na saúde física e emocional
  • O ressentimento e a raiva são estressores de grande porte para nossa saúde impulsionando a depressão e a ansiedade
  • A ‘limpeza’ dessas emoções negativas desempenha papel fundamental para a manutenção do bem-estar

Praticar o perdão não é um exercício fácil de ser colocado em prática. Afinal requer o enfretamento de algo muito dolorido, que traz raiva e ressentimento. Também pode ser encarado com um ato de fraqueza, pois socialmente se constrói um conceito de que pedir perdão é um ato de submissão. No entanto, quem não consegue perdoar alimenta a raiva e a mágoa que, juntas, só interferem de forma negativa na saúde física e emocional.

Por isso, é fundamental lutar contra a própria inclinação para manter esse ressentimento. "Perdoar não é esquecer. Ninguém passa a sofrer de amnésia quando perdoa. As lembranças das ofensas continuam lá, mas o sentimento negativo associado a elas é que desvanecem", informa a psicóloga e psicanalista Suzana Avezum, que apresentou um estudo sobre o tema no último Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), em junho. Em sua pesquisa, ela relata que a falta de perdão pode prejudicar a saúde cardiovascular.

Avezum explica ainda que as mágoas e os ressentimentos são geradores de estresse, que causam respostas fisiológicas de defesa, com adrenalina (epinefrina) e noradrenalina (norepinefrina). "Tais substâncias, quando produzidas em quantidades demasiadas, podem provocar reações adversas no organismo, como elevação na pressão arterial, alteração nos processos metabólicos, diminuição no fluxo sanguíneo no coração, entre outro", completa.

Portanto, quando se fala que a falta de perdão pode prejudicar a saúde como um todo, não se fala mais apenas dos malefícios psicológicos - que são os mais conhecidos - mas também dos malefícios físicos. De acordo com o psicólogo Júlio Rique Neto, professor de Psicologia da Universidade Federal da Paraíba (UFFB) e pesquisador na área de desenvolvimento moral do perdão, experimentos muito bem delineados mostram que quando as pessoas perdoam todos indicadores físicos da saúde melhoram. "Nesse aspecto, as pesquisas são claras e conclusivas: o ressentimento e a raiva são estressores de grande porte para nossa saúde. Cultivá-los eleva a pressão arterial, impulsiona a depressão e a ansiedade", afirma o docente. Veja os benefícios a seguir:

1. Coração em paz

Um estudo publicado no jornal Personal Relationships mostrou que o perdão pode beneficiar quem o pratica e quem recebe esse perdão, sendo que ambos tendem a apresentar redução na pressão arterial. Já o estudo conduzido por Suzana Avezum identificou que o grupo de pessoas participantes que já tiveram infarto agudo do miocárdio apresentavam mais dificuldade em perdoar.

2. Sistema imunológico fortalecido

Uma pesquisa apresentada pela Sociedade de Medicina Comportamental dos Estados Unidos identificou que portadores do vírus HIV que perdoavam genuinamente apontavam um maior nível de células CD4, consideradas positivas para o sistema imunológico. "Aquele que não perdoa fica liberando com frequência hormônios do estresse que podem fazer mal para todo o organismo e a mente", comenta Marcelo Alves dos Santos, psicólogo e professor de Psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie de Campinas.

3. Estresse sob controle

Treinar a habilidade de perdoar contribui para a saúde mental aponta um estudo publicado no Journal of Health Psychology. Segundo os pesquisadores, a indulgência ajuda a proteger contra os efeitos negativos do estresse. "É um processo que advém de uma decisão interna que leva em conta o cuidado consigo mesmo, que considera abrir mão dos sentimentos negativos", avalia Avezum.

4. Sono mais tranquilo

O ato do perdão pode atuar desde a qualidade do sono até a fadiga, pois consegue reduzir sentimentos e patologias prejudiciais à saúde como a tensão e a raiva. Pesquisadores da Universidade do Tennessee garantem que a 'limpeza' dessas emoções negativas desempenha papel fundamental para a manutenção do bem-estar. Por isso, professor Marcelo Alves explica que perdoar é muito mais resolver internamente o ocorrido que externamente o fato. "A pessoa pode conseguir perdoar o fato, a situação, e se libertar desse peso".

5. Adeus nervosismo

A redução no estresse atua diretamente no controle do nervosismo. E um estudo publicado no jornal Psychological Science confirmou que o ressentimento aumenta a irritabilidade, além de causar tristeza e ansiedade. "Ficar remoendo mágoas ou revivendo os acontecimentos que te chatearam, carregando nos ombros o peso de buscar e apontar o culpado, gera ansiedade e faz a pessoa gastar energia em um processo sem fim", alerta a psicóloga Claudia Puntel, professora e supervisora da pós-graduação em Gestalt-Terapia da PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro).

6. Ansiedade na mira

O professor Júlio Rique Neto diz que perdoar não é esquecer, mas lembrar sem sofrer a dor da injustiça. E essa libertação ajuda a diminuir a ansiedade, pois a pessoa não fica ruminando aquele acontecimento e alimentando o estresse. Os sentimentos negativos como mágoa, vingança e raiva podem causar transtorno de ansiedade, síndrome do pânico e levar à depressão.

7. Favorece o autoperdão

Aqui a raiva dá lugar à culpa e, muitas pessoas, têm mais dificuldade em se perdoar do que ao outro. No entanto, pesquisadores da Universidade Baylor apontaram em um estudo publicado no Journal of Positive Psychology que, quem pede perdão por um erro, tem mais chances de perdoar a si mesmo. "O tempo ajuda a amenizar essas feridas, mas não cura por completo. Portanto, não deixe essa dor permanecer por longo tempo, busque ajuda de um profissional para dissolver esses sentimentos negativos que são alimentados em relação ao outro ou a si mesmo", finaliza Marcelo.

Um exercício a ser treinado

Para conseguir perdoar é necessário colocar-se no lugar do outro. "Tem que sair da dor e expandir seus pensamentos em direção do entendimento do contexto, e é difícil porque precisamos fazer um enorme exercício de empatia", diz Puntel.

E praticar é possível, funcionando com um crescimento interno. A proposta não é convencer pela repetição, mas provocar uma reflexão que ajude a assimilar e compreender que não é possível ter controle sobre todos os fatos da vida. "Ninguém está livre das dores e das injustiças, superar cada uma delas é um processo de prática do perdão", acrescenta Rique Neto.

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