PUBLICIDADE

Topo

Transforma

Mulheres protagonizam um mundo em evolução


Transforma

Sexo no cinema: relembre 9 cenas famosas que têm um lado nada excitante

Cena do filme "Cinquenta Tons de Cinza" - Divulgação
Cena do filme "Cinquenta Tons de Cinza" Imagem: Divulgação

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

29/03/2019 04h00

Beijos ardentes na chuva, brigas que terminam na cama, amassos quentes no banheiro ou na mesa da cozinha, stripteases de tirar o fôlego, pegação a três, fetiches, fantasias. O cinema é uma fonte rica de ideias para incrementar a vida sexual. No entanto, nem todas as sequências tidas como tórridas deveriam servir como inspiração. Algumas são resultado de filmagens abusivas; outras, apresentam mensagens equivocadas, como as que integram os filmes listados a seguir:

"O Último Tango em Paris" (1972)

último tanto em paris - Divulgação - Divulgação
Em 2013, o diretor Bernando Bertolucci afirmou que a atriz Maria Scheneider não sabia da cena de sexo, o que foi considerado estupro
Imagem: Divulgação

Durante muito tempo, a cena em que Marlon Brando (1924-2004) usa manteiga para lubrificar o ânus da personagem de Maria Schneider (1952-2011) antes de penetrá-la foi romantizada e tida como "excitante", mesmo que, no contexto da história, não tenha sido consensual. Anos depois, a atriz admitiu em entrevista ao jornal "Daily Mail" que chorou durante as filmagens e que cortou relações com o diretor Bernardo Bertolucci, morto no ano passado, após o término da produção. Em 2013, veio à tona uma entrevista em que o cineasta confessava que a cena do sexo anal tinha sido previamente combinada entre ele e Brando, sem o conhecimento de Maria. Sua intenção era que "ela reagisse como uma menina, não uma atriz". Sem um pingo de remorso pelo ocorrido, Bertolucci chegou a dizer que a arte exige sacrifícios.

"Cinquenta Tons de Cinza" (2015)

50 tons - Divulgação - Divulgação
O filme "Cinquenta Tons de Cinza" foi criticado pela romantização do sadomasoquismo
Imagem: Divulgação

O primeiro filme da trilogia inspirada nos best-sellers da britânica E. L. James suscitou não só várias críticas por conta da qualidade da produção, como ainda provocou as mesmas opiniões negativas sobre o enfoque dado pela escritora ao universo BDSM. Uma das sequências mais detonadas mostra Christian Grey (Jamie Dornan) carregando Anastasia Steele (Dakota Johnson) no colo, como uma menininha assustada, depois de surrá-la. O jogo de "morde e assopra" entre os dois não pegou bem entre os estudiosos de sexualidade e comportamento, que também repudiaram a romantização do sadomasoquismo e as justificativas rasas para as atitudes do protagonista.

"9 1/2 Semanas de Amor" (1986)

9 1/2 semanas de amor - Divulgação - Divulgação
Em "9 1/2 Semanas de Amor", o protagonista acaba levando suas fantasias para o nível do abuso
Imagem: Divulgação

O filme de Adrian Lyne até hoje serve como referência de cenas picantes --algumas delas, como o strip de Elizabeth (Kim Basinger) e as brincadeiras que John (Mickey Rourke) faz com comida, são de fato muito bonitas e excitantes. O enredo, que na época soou meio moralista, na verdade trata da velha dicotomia entre desejos: ela queria um vínculo maior do que o sexo, ele usava o sexo para se conectar com ela.Ao final, John acaba levando suas fantasias ao nível do abuso, como na passagem problemática em que leva a namorada, cada vez mais humilhada e mortificada, para aprender algumas lições com uma prostituta num hotel decadente.

"Garganta Profunda" (1972)

A história da garota que tem o clitóris na garganta --e por isso precisa fazer sexo oral em pênis de dimensões gigantescas para conseguir gozar-- ainda desfruta de uma aura de pornô chique. Alçada à condição de celebridade instantânea logo após o lançamento, a atriz Linda Lovelace (1949-2002) morreu afirmando nunca ter visto um único centavo gerado pela atração. Com um orçamento modesto de US$ 25 mil, estima-se que "Garganta Profunda" tenha arrecado mais de US$ 600 milhões ao longo das décadas. Linda também afirmou, em entrevistas e na autobiografia "Ordeal", que foi forçada por Chuck Traynor, seu marido na época, a estrelar o filme, a transar com seus amigos e a fazer programas. "Cada vez que alguém assiste a este filme está assistindo a meu estupro", declarou a atriz em 1984 a uma comissão do Senado norte-americano responsável por investigar a exploração de mulheres e crianças.

"Lolita" (1997)

Lolita - Divulgação - Divulgação
O filme "Lolita" mostra a protagonista de 15 anos como culpada pelo desejo do professor, e não vítima de um lar conturbado e de um pedófilo
Imagem: Divulgação

A segunda adaptação para o romance clássico do russo-americano Vladimir Nabokov (1899-1977) apresentou ao público aquilo que a versão de Stanley Kubrick, levada à tela em (1962), apenas simulava. Com direção de Adrian Lyne (de "9 1/2 Semanas de Amor"), Dominique Swain (Lolita) e Jeremy Irons (Humbert) trocam longos beijos na boca e transam enquanto a menina lê revistas em quadrinhos sentada no colo dele. Dominique Swain tinha apenas 15 anos durante as filmagens e, por causa disso, todas as cenas de sexo tiveram que ser rodadas com um travesseiro a separando do contato com Irons. A composição da personagem, no entanto, a mostra como interesseira, manipuladora e culpada pelo desejo do professor --e não vítima de um lar conturbado e de um pedófilo.

"Azul é a Cor Mais Quente" (2013)

azul é a cor mais quente - Divulgação - Divulgação
Para as cenas de sexo em "Azul É a Cor Mais Quente", as gravações foram de dez horas por dia, sete dias por semana
Imagem: Divulgação

Fez enorme sucesso entre público e crítica ao mostrar de maneira crua o relacionamento entre duas mulheres. Baseado na série homônima de histórias em quadrinhos publicadas por Julie Maroh em 2010, o filme trata da jornada de formação da francesa Adèle (Adèle Exarchopoulos), que está em processo de descobrir a própria sexualidade, e seu romance intenso com Emma (Léa Seydoux), a jovem de cabelo azul do título. A polêmica da produção diz respeito a uma longa cena de sexo --são quase sete minutos inteiros sem cortes-- em que as duas praticam diversas posições na cama. "Azul é a Cor Mais Quente" ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2013. Após a premiação, as atrizes expuseram em entrevistas as sequelas sofridas durante as filmagens. Adèle explicou que era inexperiente e se deixou levar, afirmando que não sabia que teria de filmar as sequências dez horas por dia, sete dias por semana. Embora tenham usado próteses, elas afirmaram que o recurso não tornou a experiência menos cansativa. "Eu me senti como uma prostituta", revelou Léa, a quem o diretor, depois da repercussão com a fala da dupla, chamou de mimada e pouco profissional. "Fiz tudo em nome da arte e da busca sincera do ser", disse.

"Irreversível" (2002)

irreversível - Divulgação - Divulgação
"Irreversível" recebeu uma chuva de críticas por causa da glamourização de um ato hediondo como um estupro
Imagem: Divulgação

Em sua estreia no cinema, o diretor Gaspér Noé debutou causando polêmica. "Irreversível" chocou por mostrar uma cena brutal de estupro sofrida pela atriz italiana Monica Bellucci com quase dez minutos de duração, sem cortes. Em um dado momento, é possível ver o pênis sujo de sangue do criminoso. A glamourização de um ato tão hediondo contra uma mulher foi a justificativa principal para a chuva de críticas --no Festival de Cannes, a exibição causou debandada de maior parte da audiência. O longa, cuja história é narrada de trás para a frente, também mostra em detalhes o espancamento de um homem com um extintor de incêndio.

"Anticristo" (2009)

anticristo - Divulgação - Divulgação
Cheio de simbolismos, "Anticristo" causou reações exasperadas pelas sequências de sadomasoquismo e violência
Imagem: Divulgação

O plot do casal que usa o sexo selvagem para expurgar a morte de um filho já havia sido trabalhado em "Inverno de Sangue em Veneza", de 1973. Lars von Trier, no entanto, abusou ao extremo da sua conhecida linguagem explícita para abordar a culpa vivida por marido e mulher (vividos por Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg e sem nome no filme) por não interromperem uma transa no chuveiro e, dessa forma, negligenciarem o filho pequeno que acaba caindo de uma janela. Os dois, então, se refugiam numa cabana num local chamado Éden para lidar com a perda. Repleto de simbolismos, o longa causou reações exasperadas pelas sequências de sadomasoquismo e violência, com direito a duas cenas de mutilação genital.

"Kids" (1995)

kids - Divulgação - Divulgação
Cena do filme "Kids" foi acusado de usar "pornografia infantil" para angariar bilheteria
Imagem: Divulgação

Hoje, os 1990 são reverenciados pela moda e pela cultura pop como uma década "colorida" e "divertida", mas quem os viveu, de fato, se lembra muito bem de várias representações sombrias da época, como o alvoroço em torno de "Kids". Com direção do fotógrafo e cineasta americano Larry Clark, a produção gira em torno de um grupo de adolescentes skatistas --alguns nem sequer eram atores, mas reais adeptos do esporte-- e sua rotina regada a drogas e sexo sem proteção. O protagonista Telly (Leo Fitzpatrick), tinha fixação em virgens --aliás, o início da história já o mostra na cama com uma menina de 12 anos, tentando convencê-la a transar com ele. Uma cena que uma garota bêbada é violentada foi cortada da exibição dos cinemas britânicos. "Kids" recebeu a classificação de impróprio para menores de 17 anos (NC-17) da Associação Cinematográfica Americana (MPAA, na sigla em inglês). A crítica se dividiu entre exaltar o alerta sobre a precocidade daquela geração e reprovar o uso de "pornografia infantil" para angariar bilheteria.

Transforma