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No mês do bacanal, mulheres contam experiências no swing

Marina Rotty frequenta casas de swing há 10 anos - Arquivo pessoal
Marina Rotty frequenta casas de swing há 10 anos Imagem: Arquivo pessoal

Luiza Souto

Da Universa

18/03/2019 04h00

A partir do dia 16 de março, os romanos começavam as celebrações ao deus do vinho Baco, com rituais regados de música, dança, bebidas, erotismo e subversão. Daí o nome bacanal. A psicóloga Marina Rotty, de 40 anos e há dez frequentando casas de swing com o marido, dá uma passada nessa história no curso que a dupla ministra sobre orgias. Mas para celebrar a data, ela e a produtora de eventos Vanda*, de 44 anos, contam à Universa como entraram nesse mundo:

Nosso casamento cresceu

"Estou casada há 19 anos e eu e meu marido fazemos troca de casais há 10. Nunca tive nenhum tipo de preconceito sobre o tema. Sou aventureira, com vontade de conhecer tudo.

Mas no início, tínhamos vergonha de pronunciar o nome swing. Falávamos: 'Estou pensando em ir num lugar'. A gente já sabia o que cada um queria dizer. Começamos essa conversa quando tínhamos uns 5 anos de casados e só fomos mesmo 3 anos depois.

Visitamos uma casa pela primeira vez e achamos tudo muito maluco e muito errado. Só olhamos os casais e tivemos relação entre nós, com algumas pegadinhas no corpo de outras pessoas. Saí horrorizada. Falamos: "Nunca mais a gente volta".

Me achava doente porque gostava de sexo e queria algo fora do padrão. A gente tem formação católica muito forte, uma família bem religiosa, mas conseguimos superar esse pensamento, estar no meio liberal sem culpa.

Depois dessa experiência, nos sentimos mais à vontade um com o outro. E toda essa ideia nos deixou muito excitados. Nosso casamento renasceu. A gente se falava mais. Eram comentários do tipo: 'Viu o que ela fez? Viu o tamanho daquele pinto?'. Não tínhamos essa intimidade antes.

É muito difícil dar o primeiro passo. É aquela história da sementinha da curiosidade. No meio da transa, meu marido inventava umas histórias. Falava: 'Já pensou se você tivesse outra pessoa aqui pegando no seu cabelo?'. E ia colocando essas fantasias dentro da nossa relação. A técnica que você usa para descobrir o que a pessoa acha do assunto vai de acordo com o que vivem no dia a dia.

Começamos a procurar grupos e encontramos sites de relacionamento. Agora, vamos toda semana. Há dois anos, eu e meu marido começamos um curso. Há ainda falta de informação sobre o meio, e dei umas dicas para uma amiga certa vez. Aí falei para ele: 'É isso que a gente tem que fazer, mostrar como faz'. Ensinamos, inclusive, o que é o bacanal, o que realmente significa a troca de casais."

Marina Rotty, 40 anos, casada há 18

Ele demorou para me convencer

"Meu marido ficou assistindo a cenas de trocas de casal pela internet, durante muitos meses, e insistindo para irmos. Dizia que, se eu não quisesse, não precisava fazer nada. Passamos ainda alguns meses procurando lugares.

Na primeira vez, a gente ficou mais tímido e rolou uma brincadeira só entre eu e ele. E observamos outros casais. Ficamos mais próximos. Essa experiência aqueceu um pouco nossa relação.

A gente vai a esses lugares quando está a fim, de três em três meses. Conhecemos grupos de swing, mas preferimos ir ás casas, porque lá a gente faz e não cria vínculo, não tem contato com ninguém.

Não é um bicho de sete cabeças. No começo, você se retrai, mas se tiver uma pessoa bacana no seu lado, que te apoia, é tranquilo. Mas tem que ir pra curtir. Não pode ter cobrança, porque vai rolar ciúme."

Quem quiser ir, tem que ter muita paciência para convencer o outro, porque não é fácil aceitar.

Vanda, 44, casa há 20 anos