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Farmacêutica começa a correr e tem ideia de criar cosméticos para atletas

Corina Godoy Cunha desenvolve fórmulas que ajudam a minimizar desconfortos de clientes  - Arquivo Pessoal
Corina Godoy Cunha desenvolve fórmulas que ajudam a minimizar desconfortos de clientes  Imagem: Arquivo Pessoal

Carolina Prado e Simone Cunha 

Colaboração para Universa

15/02/2019 04h00

Por incentivo do pai médico, Corina Godoy Cunha, 40 anos, formou-se farmacêutica. O interesse pela pesquisa sempre esteve muito presente em suas atividades. À frente de uma farmácia de manipulação, há 17 anos ela começou a desenvolver fórmulas que ajudassem a minimizar alguns tipos de desconfortos de seus clientes.

Em 2009, a farmacêutica reencontrou duas amigas de infância, Renata Chaim e Gisele Violin, que atualmente são suas sócias na marca Pink Cheeks, que ano passado teve um crescimento de 26% e faturamento na casa dos milhões. Na época, o interesse pelo esporte as reaproximou e elas passaram a correr juntas. As três se animaram com os treinos e formaram o grupo cujo nome seria usado para batizar a marca, registrada em 2012.

Elas também compartilhavam algumas necessidades que não eram atendidas pelas linhas de cosméticos disponíveis no mercado: Corina precisava de um filtro solar com UVA elevado para controlar as manchas na pele, Gisele apresentava bolhas nos pés depois de correr e Renata, assaduras. "Assim como já fazia com os meus clientes, comecei a buscar fórmulas que pudessem minimizar os problemas de cada uma", conta a farmacêutica.

Naquele momento nasciam os primeiros produtos da marca que, hoje, conta com 67 itens e prevê o lançamento de outros dez, ainda em 2019. Na lista, constam também uma linha capilar e produtos de maquiagem. "Desenvolvi o filtro solar em bastão UVB 90 e UVA 70, um dos principais produtos do nosso portfólio", diz.

Para auxiliar suas companheiras de corrida, Corina também se dedicou e desenvolveu uma fórmula para tratar as bolhas e outra para aliviar as assaduras. "Fazia isso para ajudar, mas procurava usar o que havia de melhor no mercado, para alcançar um produto diferenciado", explica.

Funcionava da seguinte forma: Corina desenvolvia, as amigas testavam e os ajustes eram feitos, quando necessário. Nessa fase, ela chegou a desenvolver cerca de 300 protótipos, e o que dava certo permanecia. Nos treinos, a informação sobre os produtos de ação específica foram, pouco a pouco, se espalhando, e surgiram os primeiros pedidos. Como Corina tinha a farmácia de manipulação, para desenvolver o produto, e uma das sócias havia ficado com a responsabilidade de criar o rótulo, alguns itens já começaram a ser comercializados, de maneira tímida.

O primeiro sucesso de vendas

Nos primeiros lotes, em meados de 2011, havia dez unidades de cada produto: filtro solar em bastão, anti-assadura em bastão, filtro solar em spray, creme regenerador para pernas e pés cansados (pós-treino), lenços umedecidos para usar depois do exercícoi e sabonete para tirar o filtro. "Ter apostado nesse nicho foi o que nos deu visibilidade, pois, por meio do esporte, conseguíamos falar com todo o Brasil", conta.

No mesmo ano, as outras duas sócias engravidaram e recuaram um pouco no negócio, enquanto Corina continuava pesquisando. Para aumentar a produção, ela decidiu recorrer à indústria de uma amiga. Passado um tempo, já com as sócias de volta, elas decidiram fazer a marca bombar. "Investimos R$ 40 mil para patrocinar algumas corridas e distribuir amostras aos participantes. Mas foi um fiasco. Éramos as promotoras para demonstrar a funcionalidade dos produtos e não nos deram atenção", lembra.

Logo depois, Renata descobriu o Instagram, começou a divulgar a marca e fez contato com uma blogueira da área de corrida. "Decidimos mandar os produtos e ela postou. O celular não parava de tocar e, nesse dia, tivemos nosso primeiro estouro de vendas: foram 200 produtos de uma vez", conta Corina.

Crescimento e reconhecimento

Não poderia haver um momento pior para a amiga que produzia os produtos em sua indústria avisar que não poderia mais ajudar. Corina, então, iniciou uma pesquisa para encontrar outro parceiro, mas não gostou de nada do que viu. Decidiu que iria investir em sua própria fábrica e, mesmo sendo desestimulada por algumas pessoas próximas, seguiu sua intuição. "Tive que fazer vários empréstimos e um deles termina este ano. Nunca havia trabalhado com grande escala. Tive que adequar a formulação, registrar tudo novamente, enfrentar a burocracia, arcar com os custos... Mas conquistei a liberdade de testar os meus produtos. Hoje, posso lançar um lote pequeno para avaliar a aceitação, tenho mais flexibilidade e agilidade na produção", diz.

Com a fábrica inaugurada em 2014, o portfólio também aumentou: já eram 30 itens, considerando as variações de cores. Com a intenção de pulverizar a venda dos produtos por todo o Brasil, elas apostaram em criar um canal de consultoras ligadas ao esporte. Vendiam com desconto para alguma esportista que, por sua vez, revendia os produtos em sua região. Atualmente, essa forma de distribuição representa 19% das vendas.

Mas Corina tinha como meta atingir múltiplos canais e, como os produtos são muito específicos, os próprios sites de beleza começaram a procurar a marca para comercializá-los. Afinal, a Pink Cheeks não tem concorrente. "Não existe, no mercado, uma linha tão completa voltada para o esporte", afirma Corina. Segundo ela, é isso o que justifica o sucesso de 2018, em que mais de 100 mil itens foram vendidos.

"Fui criando sempre por conta das necessidades percebidas. Os produtos para os cabelos, por exemplo, foram desenvolvidos porque o nosso cabelo embaraçava demais, mesmo fazendo tranças. Daí fui desafiada a descobrir uma fórmula para resolver essa questão", conta.

Em 2017, a marca lançou uma linha de maquiagem e, para a satisfação das sócias, no mesmo ano, o filtro solar Pink Stick foi eleito o melhor produto pelo prêmio de beleza Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos). No ano seguinte, o premiado foi o filtro solar Shine, desbancando uma marca importada, das mais famosas. "Não há o que pague esse tipo de reconhecimento", diz a empresária. Ela conta que ainda vibra a cada nova fórmula desenvolvida. "Meu trabalho é feito com muita paixão", afirma.