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Após câncer de mama, ela cruzou Brasil e EUA de moto e conta sua história

As duas "Anas" em viagem aos Estados Unidos - Johanes Duarte/Divulgação
As duas "Anas" em viagem aos Estados Unidos Imagem: Johanes Duarte/Divulgação

Marcos Candido

Da Universa

14/12/2018 04h00

A gaúcha Ana Sofia subiu em uma moto e pilotou por 28 mil quilômetros, em dois países, durante 115 dias. Isso significa atravessar rodovias nem sempre bem pavimentadas e passar por perrengues que acontecem em toda viagem. Mas tem uma bela recompensa: ver paisagens em constante mudança em climas que variavam de 3°C a 40°C. A experiência de três meses foi bem-sucedida, mas já havia nascido de uma vitória. "Elaborei a viagem quando percebi que tinha conquistado minha alforria: há dez anos, eu venci um câncer de mama", comemora.

Ana organiza um moto clube em Porto Alegre (RS) com a sócia, Ana Pimenta, que topou a aventura com a amiga. Elas iniciaram a viagem em maio, em sua cidade natal, e atravessaram o país todo até chegar ao Amazonas, de onde pegaram um avião até o Texas, nos EUA. O fim da jornada foi a cidade de Milwaukee, no estado norte-americano de Wisconsin, no final de agosto. A convite de uma fabricante de motos, elas visitaram concessionárias e distribuíram lembretes sobre a importância do exame preventivo do câncer de mama. No Brasil, estima-se que 60 mil mulheres serão diagnosticadas até o fim deste ano. No mundo, serão cerca de 2 milhões de diagnósticos em 2018.

Ana descobriu que tinha câncer após um banho, fazendo um autoexame. Desconfiada do nódulo, correu para o hospital para tirar a dúvida. "Quando me chamaram para mostrar o resultado dos exames, eu já sabia o que era", relembra. Os médicos a submeteram a uma mastectomia e quimioterapia.

Passar por esse tipo de experiência mudou a percepção de Ana sobre a vida. "Eu sempre tive um espírito aventureiro, mas ainda me sentia contida. Agora, se tenho a oportunidade, eu vivo as experiências ao máximo e com responsabilidade. Vivemos muito reclusos, e percebi que pequenos desvios na nossa trajetória de vida não fazem mal", diz.

A dupla de "Anas" durante a viagem  - Johanes Duarte/Divulgação  - Johanes Duarte/Divulgação
A dupla de "Anas" no Estados Unidos durante a viagem
Imagem: Johanes Duarte/Divulgação

A viagem

Apaixonada por motos, ela se lançou na estrada após cerca de seis meses de planejamento. Não sem perrengues. Assim que deram partida em maio, eclodiu em todo o País a greve dos caminhoneiros. Com dificuldade para abastecer, a dupla enfrentou atrasos para ir de Curitiba a Londrina, no interior do Paraná. Meses depois, um engarrafamento nos Estados Unidos também danificou uma das motos, mas sem gravidade.

O clima também foi um desafio: de 3º C no trecho de serra de Santa Catarina, no inverno, a cerca de 40º C no auge do verão no estado americano de Nevada. "Nós rodamos de acordo com a circunstância. Levamos o que dava na mala: duas calças jeans e algumas roupas", diz.

A chegada

No trecho brasileiro, a dupla passou pelos estados do Sul, Sudeste, Centro-oeste e Norte. No Amazonas, tomaram um avião para os Estados Unidos e cruzaram o país. Começaram pela Flórida, passaram pela Georgia, Kentucky, Texas, subindo a costa oeste pela Califórnia, indo pelo norte dos Estados Unidos até chegar finalmente Wisconsin. Lá, na cidade de Milwaukee, fizeram uma visita ao Museu da Harley Davidson, com direito à presença dos herdeiros da família Davidson. "A gente vive em um mundo tão pesado que uma viagem como essa me mostrou uma leveza que ainda existe no mundo", conclui.

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