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Mulheres protagonizam um mundo em evolução


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Graças a essas 10 mulheres, você pode transar como transa hoje

Em 1970, a atriz brasileira Leila Diniz causou polêmica ao posar grávida com um biquíni. No entanto, as praias cariocas já vislumbravam os populares biquínis, que no Brasil ficaram cada vez menores com o passar dos anos - Reprodução
Em 1970, a atriz brasileira Leila Diniz causou polêmica ao posar grávida com um biquíni. No entanto, as praias cariocas já vislumbravam os populares biquínis, que no Brasil ficaram cada vez menores com o passar dos anos Imagem: Reprodução

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

21/10/2018 04h00

Defensoras dos direitos femininos, pensadoras sobre a condição da mulher, ativistas em prol do orgasmo. Em diferentes épocas e campos de atuação, elas abriram espaço para que todas nós pudéssemos ser livres e plenas em nossa sexualidade.

Gloria Steinem

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Imagem: Reprodução/Gloria Steinem

Aos 84 anos, a americana que se tornou ícone do feminismo em todo o mundo segue firme e forte no ativismo --no ano passado, lançou a biografia "Minha Vida na Estrada" (Ed. Bertrand Brasil). Escritora e jornalista free lancer, Gloria foi a criadora da célebre revista feminista Ms., que, ao longo dos anos, publicou reportagens sobre desigualdade de gênero, sexualidade e o impacto do machismo. Um de seus trabalhos principais foi se passar por garçonete em um dos bares do grupo Playboy e relatar as situações degradantes enfrentadas pelas funcionárias, como o estímulo à prostituição e a obrigação de fazer um exame ginecológico admissional.

Veja também:

Marta Suplicy

marta suplicy - Lucas Lima/UOL - Lucas Lima/UOL
Imagem: Lucas Lima/UOL

Nascida em 1945 no seio de uma família aristocrática de São Paulo, Marta estudou Psicologia na PUC-SP (Pontifícia Universidade de São Paulo) e, entre 1966 e 1968, se especializou em psicologia infantil em Michigan (EUA). De volta ao Brasil, se envolveu com causas feministas. Seu ativismo lhe rendeu um convite, em 1980, para apresentar o quadro "Comportamento sexual" no extingo TV Mulher, da Rede Globo. Em plena ditadura militar, Marta foi pioneira em falar em rede nacional sobre temas como desejo, impotência, gravidez na adolescência e orgasmo, ajudando muitas mulheres a sanar dúvidas e obter dicas sobre as quais não podiam conversar com ninguém. O quadro tinha uma média diária de dois milhões de telespectadores. O fato de Marta ter uma postura liberal para a época --defendia a emancipação feminina, o aborto e os direitos LGBT, por exemplo-- e falar palavras como "vagina" e "pênis" no horário matutino, obviamente, provocou escândalo. As famosas Senhoras de Santana, grupo que protestava contra a abordagem de assuntos sexuais na TV, pediu a retirada do quadro. A Globo o suspendeu a contragosto em novembro 1982 e levou outra enxurrada de críticas acusando a emissora de censura. "Comportamento sexual" retornou no mês seguinte. Entre os diversos livros sobre sexo que Marta publicou, os mais emblemáticos são "Conversando Sobre Sexo" (1983) e "Sexo Se Aprende na Escola" (1995).

Leila Diniz (1945-1972)

leila diniz - Acervo UH/Folhapress - Acervo UH/Folhapress
Imagem: Acervo UH/Folhapress

Se hoje podemos fazer sexo por prazer, usar biquíni na gravidez e falar palavrões, foi porque a atriz nascida em Niterói abriu caminho para isso. Sem papas na língua, mesmo sem se envolver com política, teve de prestar contas à ditadura militar por se autodenominar uma "moça livre" e lançar frases antológicas como "Eu posso dar para todo mundo, mas não dou para qualquer um". Ícone de um novo comportamento sexual feminino que desafiou a hipocrisia vigente, Leila deu uma das melhores entrevistas já publicadas pela imprensa brasileira para o "Pasquim", em 1970, na qual falava de traição, sexo sem compromisso, aversão ao casamento, teste do sofá e outros temas polêmicos. A ousadia a fez perder papéis em novelas. Em 1971, gravidíssima da filha Janaína, resolveu seguir as tendências europeias e surgir bela e faceira nas areias cariocas de biquíni. Ouviu coisas como "vagabunda" e "nojo", nem ligou e virou mito.

Judith Butler

judith butler - Alexandre Gonçalves Jr / Sesc São Paulo - Alexandre Gonçalves Jr / Sesc São Paulo
Imagem: Alexandre Gonçalves Jr / Sesc São Paulo

Filósofa e professora da Universidade da Califórnia (EUA), Judith Butler é uma das defensoras da Teoria Queer, que defende que os gêneros são uma construção social, pois ninguém nasce homem ou mulher, mas aprende a desempenhar esses papéis. Essa teoria começou a ganhar vigor nos anos 1990, quando a pensadora publicou o livro “Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da Identidade”. Tida equivocadamente como um dos nomes da "ideologia de gênero", Judith foi atacada por grupos conservadores durante sua passagem pelo Brasil em 2017. "O ataque ao gênero emerge do medo das mudanças", comentou na ocasião.

Beate Uhse (1919-2001)

 Beate Uhse - Associated Press- AP - Associated Press- AP
Imagem: Associated Press- AP

Em 1962 a alemã criou a primeira sex shop do mundo, o Instituto de Higiene Conjugal. Por trás do nome conservador, ela vendia produtos eróticos e dava dicas sobre sexualidade. Antes de abrir as portas do local, Beate vendia produtos de porta em porta e, em 1946, redigiu e distribuiu uma espécie de guia matrimonial às consumidoras que vendeu mais de 32 mil cópias em dois anos.

Joani Blank (1937-2016)

joani blank - JoaniBlank.com - JoaniBlank.com
Imagem: JoaniBlank.com

Para oferecer uma alternativa mais alinhada às necessidades femininas, em 1997, a americana criou a Good Vibrations, sex shop sediada em São Francisco (EUA) que se tornou referência no mercado erótico no mundo todo. A especialidade da casa eram os vibradores de todos os formatos, tamanhos e funções possíveis. Na época, Joani trabalhava na escola de medicina da Universidade de São Francisco com mulheres que não tinham orgasmos e encorajou-as a experimentar os sex toys. Ela também foi a precursora do vibrador borboleta com estimulação para o clitóris, além de ter fundado uma editora com foco em sexualidade e escrito um livro sobre o assunto para o público infantil. A Good Vibrations segue firme e forte na terra do Tio Sam.

Karen Horney (1885-1952)

Karen Horney - Smithsonian Institution Archives - Smithsonian Institution Archives
Karen Horney
Imagem: Smithsonian Institution Archives

Como resposta à teoria da "inveja do pênis", de Sigmund Freud (1856-1939), a psicanalista alemã radicada nos Estados Unidos desenvolveu pesquisas que foram primordiais para o campo da psicologia feminista. Ela argumentava que a sociedade não permitia que as mulheres tivessem qualquer poder real --em vez disso, as obrigava a viver e se realizar (ou não) através dos maridos e dos filhos. Karen defendia a ideia de que as mulheres não queriam se tornar homens, mas gozar da independência masculina. Outro ponto em que discordava de Freud: o conceito de ansiedade. Segundo a alemã, a ansiedade não é moldada apenas por nossas necessidades biológicas, mas também causada pelo ambiente em que crescemos --concepção que influenciou muitos outros profissionais. Seu trabalho inspirou o termo "inveja do útero".

Barbara Carrellas

Barbara Carrellas - BarbaraCarrellas.com - BarbaraCarrellas.com
Imagem: BarbaraCarrellas.com

Nos anos 1980, chocada com as mortes durante o auge da epidemia de aids, a educadora sexual americana desenvolveu várias técnicas de "orgasmo de respiração e energia" --sem nenhum estímulo direto à vagina ou ao pênis. De acordo com suas ideias, a mente é o órgão sexual mais poderoso do corpo. Mais do que ensinar opções de sexo seguro, Barbara Carrellas ampliou os conceitos de erotismo, preliminares e prazer. Em novembro de 2016, ela recebeu o prêmio honorário Lifetime Achievement Award no Sexual Freedom Awards de Londres por suas contribuições para o campo da sexualidade durante várias décadas. Ela tem 64 anos e continua a falar e a escrever livros sobre sexo.

Virginia Johnson (1925-2013)

Virginia Johnson  - Martin Schweig - Martin Schweig
Imagem: Martin Schweig

Na companhia do ginecologista William Masters (1915-2001), a psicóloga americana desenvolveu pesquisas pioneiras sobre o comportamento sexual. As descobertas, esclarecedoras, exploraram desde reações fisiológicas até diferenças anatômicas e foram essenciais para uma melhor compreensão da sexualidade feminina. A dupla descreveu os mecanismos da lubrificação vaginal e as fases do orgasmo, além de concluir que as mulheres, ao contrário dos homens, podem gozar várias vezes sequencialmente. Intensidade, ritmo, excitação, contrações... Tudo foi analisado minuciosamente por Master e Johnson, alcunha com que ficaram conhecidos. Seu trabalho virou tema do seriado Masters of Sex, que virou seriado pelo canal de TV a cabo norte-americano Showtime.

Shere Hite

Shere Hite - Keystones - Keystones
Imagem: Keystones

Autora de "Relatório Hite", lançado em 1976, considerada uma das obras mais polêmicas sobre a sexualidade feminina. O livro é embasado em entrevistas com mais de 3.000 americanas que responderam aos questionários que Shere, ex-modelo, sexóloga e historiadora social, distribuiu pelo país. As respostas mais do que sinceras sobre orgasmo, masturbação e desejo lançaram luz sobre o prazer da mulher, até então negligenciado em prol do machismo, do peso de ser uma "mulher honesta" e da necessidade de agradar o homem em prol de um casamento "feliz". Aos 75 anos, ela continua publicando ensaios e livros.

LIVROS CONSULTADOS

"As cientistas - 50 mulheres que mudaram o mundo" (Ed. Blucher), de Rachel Ignotofsky
"Extraordinárias - Mulheres que Revolucionaram o Brasil" (Ed. Seguinte), de Duda Porto de Souza e Aryane Cararo
"Histórias de ninar para garotas rebeldes - 1 e 2" (V&R Editoras), de Francesca Cavallo e Elena Favilli
"O guia das curiosas" (Panda Books), de Marcelo Duarte e Inês de Castro
"Lute como uma garota - 60 feministas que mudaram o mundo" (Ed. Cultrix), de Laura Barcella e Fernanda Lopes
"Vem transar comigo" (selo Bicicleta Amarela/Ed. Rocco), de Tatiana Presser

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