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Filofobia: o que é e como superar o medo patológico de se apaixonar

Náuseas, falta de ar e batimentos cardíacos acelerados são alguns dos sintomas - iStock
Náuseas, falta de ar e batimentos cardíacos acelerados são alguns dos sintomas Imagem: iStock

Heloísa Noronha

Colaboração com Universa

19/07/2018 04h01

Imagine sentir um medo tão grande de se conectar emocionalmente a alguém, que só de pensar na pessoa você começa a sentir náuseas, falta de ar e os batimentos cardíacos acelerados. Esses são alguns dos sintomas da filofobia, o medo patológico de amar e de formar laços afetivos. Mais do que um temor de se entregar a uma nova paquera depois de uma decepção amorosa, a filofobia compromete seriamente várias esferas da vida, como o trabalho e as amizades. Entenda:

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Como definir a filofobia? A palavra tem origem a partir da união dos termos gregos “filos”(amar) e “phobia” (medo). Trata-se de um transtorno de ansiedade bem específico, que se caracteriza pelo medo patológico de se apaixonar. A pessoa reage fugindo às situações em que isso pode ocorrer, chegando a se isolar e até a reagir agressivamente quando alguém tenta tirá-la dessa situação. É um temor injustificado, exacerbado e irracional.

O que a difere do medo de sofrer uma decepção amorosa? De acordo com especialistas, o medo de sofrer uma decepção amorosa é relativamente comum a todos nós. Afinal de contas, todo começo de relação vem acompanhado de receios e inseguranças: vai dar certo? Esta pessoa tem as mesmas intenções que eu? Serei feliz? São expectativas naturais, mas que não limitam nada. A filofobia, por sua vez, é um processo limitante que causa enorme sofrimento, pois as preocupações são mais intensas e apresentam sintomas emocionais e até mesmo físicos. Para quem tem a fobia, vincular-se a alguém significa perda total de controle.

Os sintomas variam de pessoa para pessoa. E, geralmente, vêm na forma de crises de ansiedade e/ou pânico, angústia, tensão, fuga, choro, tremores, sudorese, autoboicote, tremores, taquicardia, falta de ar, sensação de fraqueza, visão turva, boca seca, problemas gastrointestinais e vertigens. O grande problema é que quem está próximo não entende o que está se passando, até porque o filofóbico, normalmente, não sabe ou não consegue explicar o que sente de fato.

A doença acomete tanto mulheres quanto homens e, na maior parte das vezes, surge na infância. Ela tem início a partir de situações traumáticas envolvendo as relações afetivas. Exemplos? Pais emocionalmente distantes, agressivos, depressivos, abusivos, pouco empáticos e/ou carinhosos, que brigam muito na frente da criança. No entanto, isso não é regra, pois o comportamento filofóbico também pode dar sinais a partir da adolescência, quando os hormônios começam a impulsionar os contatos amorosos e/ou eróticos e possíveis desilusões e foram podem ser o gatilho para as crises de ansiedade. Alguns especialistas relatam também casos de pessoas que se tornaram filofóbicas depois dos 40 anos, faixa etária em que muitos casamentos se dissolvem e é preciso retornar ao processo dos encontros.

A fobia pode incluir também o medo de se relacionar com parentes e amigos. Pessoas com filofobia podem evitar a possibilidade de relacionar-se para se protegerem. Na intenção de não ter apego, negam seus sentimentos evitando o contato, com risco de isolamento social. Para elas, relacionar-se é sinônimo de perda do controle e vulnerabilidade à rejeição. A filofobia torna as pessoas infelizes e mais solitárias.

Outras áreas da vida são afetadas. Estudos, trabalho, círculos sociais, lazer... Tudo isso pode ser prejudicado, já que quem tem filofobia não consegue estabelecer relações interpessoais e costuma criar mecanismos de defesa para lidar com suas angústias.

Há tratamento? É possível superar a filofobia com o auxílio de um psicólogo e/ou psiquiatra. Cada caso é um caso, mas, na maior parte das vezes, o processo de cura conta com sessões de terapia e medicamentos específicos para diminuir a ansiedade. Vale registrar que, não tratada, a filofobia pode evoluir para maior isolamento social (comportamento 100% antissocial) e até depressão severa.

A ajuda de pessoas próximas é fundamental. É importante que elas sinalizem o comportamento de afastamento a quem sofre, pois muitas atitudes são inconscientes e há um sofrimento atrelado. O ideal é dar apoio à pessoa, sem criticá-la, julgá-la ou ridicularizá-la. Ajudá-la a separar o medo real do medo irreal pode ser um bom caminho, assim como incentivá-la a viver o momento presente, o aqui e agora, reforçando positivamente os pequenos avanços.

FONTES: Carlos Eduardo Carrion, psiquiatra especializado em sexualidade, de Porto Alegre (RS); Marli Tagliari, psicóloga e terapeuta familiar e de casal do Instituto Sistemas Humanos, em São Paulo (SP), e Mônica Miranda da Glória, psicóloga da Policlínica Granato, em Niterói (RJ)