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No pós-pandemia, a maioria dos solteiros vai demonstrar afeto. O que mudou?

Vai mudar? - UOL
Vai mudar? Imagem: UOL
Carol Tilkian e André Lage André Lage

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Piranhas românticas, André e Carol são experts em solteirice e partidários do afeto mesmo nas relações casuais. Carol está solteira há 6 anos e já não troca a aula de hot yoga por um date mais ou menos. André está solto monogâmico mas já se esbaldou muito na vida de contatinhos. Publicitários e roteiristas, trabalham com comportamento e conteúdo há anos e decidiram se aprofundar no tema que é assunto da manicure à terapia: como se relacionar hoje em dia.

André Lage

Piranhas românticas, André e Carol são experts em solteirice e partidários do afeto mesmo nas relações casuais. Carol está solteira há 6 anos e já não troca a aula de hot yoga por um date mais ou menos. André está solto monogâmico mas já se esbaldou muito na vida de contatinhos. Publicitários e roteiristas, trabalham com comportamento e conteúdo há anos e decidiram se aprofundar no tema que é assunto da manicure à terapia: como se relacionar hoje em dia.

André Lage

Colunista do UOL

30/11/2020 04h00

Só quem passou a quarentena sem um par amoroso sabe o verdadeiro significado da expressão #carentena. A pandemia veio logo naquele período típico da carência, o pós-carnaval, quando os soltos saem à caça da conchinha do inverno. Porém, esse ano a caça foi suspensa e continuamos todos sozinhos durante meses a fio... Eu, pelo menos, não beijo uma boca desde fevereiro e confesso que tem sido um momento de revisão de rota total! Mas parece que não estou sozinho nessa.

Em agosto fizemos uma pesquisa com 1.450 solteiros de todo Brasil para entender como estavam vivendo a quarentena e quais implicações ela teria no futuro das relações. Fizemos inúmeras descobertas, instigantes e animadoras, que deixamos em um relatório. Uma das que mais me chamou a atenção foi que 54% dos solteiros está decidido a demonstrar mais carinho e afeto. Podemos prever então que a solteirice pós-pandemia será menos mundo cão?

Saudades conchinha!

Quem está solto há algum tempo sabe como está difícil conseguir afeto nessa modernidade líquida. Para não correr o risco de criar falsas expectativas em nós ou para não parecer carentes, os crushes decidiram partir para estratégia de não fazer demonstrações de carinho. Uma lógica meio amor inox: frio e estéril.

Ao que tudo indica, a maior parte dos soltos se cansou de segurar impulsos afetuosos e vai ser mais fofo quando pudermos voltar ao roça-roça, porque não tem nada melhor que receber um cafuné, né? Se não for para rolar conchinha, nem saio de casa! Ufa, enfim uma boa notícia.

Menos joguinho

Quem nunca recebeu uma mensagem do crush e pensou "não posso responder agora porque senão vou parecer disponível demais"? Conversando com nossa audiência (e com nossos crushes) sentimos que essa lógica do "quem se importa menos" cresceu muito nos últimos anos. O resultado? Todo mundo blasé e muitas relações rasas que, obviamente, não se sustentaram durante meses de isolamento.

Mas agora o cenário pode mudar: 41% dos soltos disse que vai parar de fazer joguinhos e parar de querer passar uma imagem de desinteressado. Quem sabe assim vamos conseguir finalmente ter o tal do casual com afeto que defendemos tanto no canal.

Menos papel de trouxa

Também parece que vamos sair vacinados contra o papel de trouxa. 64% dos respondentes disse que vai parar de insistir em quem claramente não está a fim deles. Eu confesso que eu também tinha essa mania, mas tenho pensado muito sobre aquela frase "você quer ser feliz ou ter razão"? Depois de meses matutando sozinho, cheguei à conclusão de que tentar conquistar alguém que não está tão a fim é algo parecido com "ter razão", é buscar uma maneira de afirmar nosso valor. Quando a quarentena acabar de vez, eu quero mais é ser feliz e ficar com quem me quer. Coisa boba ficar perdendo tempo com essa pira egóica!

Mais jogo limpo

Outra descoberta da pesquisa foi de que os solteiros vão ser mais diretos e ter menos medo de revelar suas intenções: 45% dos soltos afirma que vai falar na lata se está procurando pegação ou romance. A minha sensação é de que os solteiros não estão mais a fim de investir em relações indefinidas, até porque não tem nada pior que gastar uma energia enorme nessa leitura de sinais para depois de semanas ouvir o clichêzão do "não é você, sou eu"...

No soltos sa, somos muito a favor do diálogo aberto, de que a gente possa conversar sobre o que estamos sentindo. A gente precisa tirar esse tabu de colocar nossas emoções na mesa. Entender que não é acusar ou pressionar, mas se vulnerabilizar. Mesmo quando só queremos sexo casual! Saber que a outra pessoa não está a fim do mesmo que a gente dói, mas é libertador, você não acha?

Conexões mais verdadeiras e reais

Ao que indica nossa pesquisa, a pandemia transformou os desejos e prioridades dos solteiros. Nós somos profundos defensores de que a solteirice pode ser preenchida de relações significativas e de que é possível receber afeto, mesmo fora de um namoro ou casamento. E pra que isso possa acontecer sem que a gente se machuque só há um jeito: ter responsabilidade afetiva. E ela passa pelo diálogo e honestidade.

Se a gente combinar direitinho, quando chegar a vacina, todo mundo beija, todo mundo dorme de conchinha. E você, já pensou o que vai mudar nas suas relações daqui para frente?

Com base nos dados dessa pesquisa e nos nossos anos de estudo sobre as relações, criamos nosso primeiro curso online. São 21 aulas com ferramentas práticas para entender por que eles nunca conseguem o que querem no amor e já mudar isso ainda em 2020. Chega de se colocar para baixo e de ficar quem não quer nada com a gente!

E, nas próximas semanas, vamos liberar mais dados da nossa pesquisa. Aguarde que tem muita descoberta interessante vindo por aí.

Se você quer saber como sobreviver à solteirice em tempos de likes, segue a gente no YouTube e no Instagram. Toda semana a gente entrevista solteiros, especialistas e divide nossos aprendizados e teorias. Mande histórias e dilemas que a gente transforma em pauta!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.