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Nina Lemos

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Kardashians diminuindo bumbum? Por que corpo não deveria seguir tendência

A empresária e influenciadora Kim Kardashian - Reprodução/Instagram
A empresária e influenciadora Kim Kardashian Imagem: Reprodução/Instagram
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Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista do Universa

07/12/2021 04h00

Nos últimos anos, um tipo de corpo virou mania e desejo entre as mulheres jovens. Trata-se do padrão popularizado pelas irmãs Kardashian, principalmente Khloé e Kim. Esse corpo também é conhecido como "corpo do Instagram". Sim, isso existe. E estamos falando daquela cintura superfina, com uma bunda grande e quadril arredondado.

Esse é um corpo, diga-se de passagem, praticamente impossível de conseguir naturalmente. Na maioria das vezes, quem exibe uma silhueta assim nas redes faz uso de Photoshop e outros programas de edição de imagem na hora de exibir tais fotos. A própria Kim vez ou outra vira piada por causa do excesso de edição em suas fotos.

Como todas as modas de padrões de corpos, essa também criou problemas no mundo todo. Ter o tal bumbum imenso fez com que milhares de mulheres procurassem uma modalidade de plástica chamada "Brazilian Butt Lift" —isso mesmo, aumento de bumbum à brasileira, que consiste em injetar gordura de outras partes do corpo nos glúteos, ou substâncias como silicone e gel. No Brasil, essa cirurgia é chamada de bioplastia ou gluteoplastia.

Esse procedimento, que tem diversos riscos, é um dos que mais cresceram no mundo nos últimos tempos. Desde 2015 esse tipo de cirurgia cresceu 77,6% no mundo, segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica.

Mas, segundo fãs das influenciadoras, essa "moda" pode estar chegando ao fim. Isso porque, segundo diversas postagens na internet, principalmente entre os que usam a rede social TikTok, o corpo das duas Kardashians mudou. E a teoria na rede social preferida pelos mais jovens é que elas teriam removido os implantes no bumbum e agora exibem um corpo mais "natural".

As Kardashians nunca disseram que fizeram tais cirurgias, mas mesmo se esse corpo inatingível foi conquistado com malhação, esse acabou virando um padrão irreal e opressor para muitas mulheres, e foram, sim, responsáveis pelo aumento na busca da cirurgia de aumento de glúteos.

E agora? Se de fato o corpo delas mudar, isso poderia influenciar quem fez o implante a se submeter a outra cirurgia para tirar, como se esse procedimento fosse simples como jogar uma peça fora porque "está fora de moda"?

Até quando mulheres vão arriscar a vida (esses são procedimentos cirúrgicos com risco) para seguir a moda com seus corpos?

Os jovens do TikTok estão otimistas. Segundo eles, Khloé e Kim terem diminuído o tamanho do bumbum seria "o fim de uma era" e a prova de que a nova tendência de corpo seria o mais natural mesmo.

Não consigo ser tão otimista. Enquanto estilos de corpo e coisas como tamanho da bunda forem "moda", não acho que haja motivo algum para celebrar. O formato e o tamanho de nossos glúteos não deveriam seguir uma tendência de moda. E cada um tem uma genética e um estilo de corpo. Será que isso nunca será aceito?

No quesito "moda", desde que trabalho como jornalista, já vi a das modelos supermagras com cara de viciadas em heroína, as mais saudáveis estilo Gisele Bündchen (outro padrão impossível para 99,9% das mulheres que não têm aquela genética) e por aí vai. No momento, além de buscar o "corpo do Instagram", mulheres também buscam cirurgias faciais para ficar com o rosto parecido com os dos filtros da rede social. Ou seja: não dá para ficar otimista mesmo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL