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Nina Lemos

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

'Até' Megan Fox: dismorfia da atriz e perigos da era dos 'filtros do Insta'

Megan Fox diz ter dismorfia corporal: "Tenho inseguranças profundas" - Reprodução/Instagram @meganfox
Megan Fox diz ter dismorfia corporal: 'Tenho inseguranças profundas' Imagem: Reprodução/Instagram @meganfox
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Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista de Universa

19/10/2021 04h00

Megan Fox é uma atriz americana que é símbolo de beleza. Há um mês, "quebrou a internet" quando foi divulgado um ensaio estrelado por ela e Kourtney Kardashian para a grife Skims, de Kim. As duas posam maravilhosas de topless, com um corpo absurdo.

Megan é linda mesmo. Maravilhosa. Mas revelou, em entrevista para a revista GQ, que sofre de dismorfia corporal. "Podemos olhar para uma pessoa e pensar 'Essa pessoa é tão bonita. Sua vida deve ser muito fácil'. Muito provavelmente, ela não se sente assim" disse. Dismorfia corporal é um transtorno que faz com que a pessoa sempre veja defeitos em seu corpo e nunca se sinta bonita o suficiente. É uma doença séria, que leva a altos graus de ansiedade e insatisfação. Além de busca constante por cirurgias plásticas.

Magan não é a primeira atriz musa das telas de cinema e de TV, e também do Instagram, a revelar que tem o transtorno. Kim Kardashian, junto com as irmãs, uma das rainhas rainha máxima do Instagram, também já disse que passa pelo mesmo.

O curioso e também apavorante: mulheres como as Kardashians e Megan Fox são justamente as que vendem a imagem do corpo perfeito no qual outras de nós se inspiram. Ou seja, mesmo que inconscientemente, elas fazem parte da engrenagem que faz com que meninas do mundo todo sofram distúrbios de imagem. Elas são, ao mesmo tempo, culpadas e vítimas.

O Instagram é o novo cigarro?

"Cara de Instagram". Esse termo foi criado recentemente para explicar um rosto que é o sonho das meninas de hoje que usam rede social. Trata-se de um rosto com maxilar marcado e olhos grandes. Aqueles parecidos com os rostos de usuários depois de trabalhados com vários filtros de edição disponíveis no aplicativo.

Existe também o "corpo do Instagram", aquele magro, mas com cintura mais fina que o da Barbie (pesquisadores já revelaram que para a Barbie ter aquele corpo, ela teria que ter tirado várias costelas!), barriga negativa e sarada ao mesmo tempo e uma bunda grande, mas sem celulite.

Um corpo estilo o das irmãs Kardashian, que vivem sendo acusadas de usar photoshop nas imagens que postam na rede. Ou de Megan Fox.

Se até moças maravilhosas e adequadas aos padrões das redes sociais se sentem assim, imagina as mulheres "normais"?

As "súditas" são tão afetadas (ou mais) que as suas rainhas. Segundo depoimento da ex-funcionária do Facebook Frances Hauge e reportagens divulgadas no "Wall Street Journal" no início de outubro, uma em cada três adolescentes que usam o Instagram têm a percepção dos seus corpos afetada, segundo pesquisa feita pela própria empresa que controla o Instagram e o Facebook.

A denúncia causou escândalo no mundo todo, principalmente pelo fato da empresa não ter divulgado a pesquisa. O Instagram chegou a ser comparado com o "novo cigarro". Ou seja, algo que faz muito mal, vicia, mas que dá lucros. A diferença é que, no caso do cigarro, hoje em dia já leis que que impõem restrições e somos alertados.

É importante, claro, que mulheres como Megan Fox falem abertamente sobre a dismorfia, uma doença que, segundo os cientistas, só cresce em tempos de uso de rede social e de zoom. Mas também é impossível não pensar em como celebridades como ela (e principalmente suas amigas Kardashian) alimentam esse círculo de distúrbios.

Esse é um assunto muito sério. Que atinge mulheres do mundo todo.

Falar sobre dismorfia corporal ajuda mas não é o suficiente. Se celebridades parassem de postar sem parar fotos retocadas e perfeitas, talvez fosse um começo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL