PUBLICIDADE

Topo

Nina Lemos

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Simaria, Whin, Titi: fãs sofrem com separação de famosos. Isso não é normal

Whindersson Nunes e Maria Lina Deggan (Foto: Reprodução/Instagram) - Reprodução / Internet
Whindersson Nunes e Maria Lina Deggan (Foto: Reprodução/Instagram) Imagem: Reprodução / Internet
Conteúdo exclusivo para assinantes
Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista do Universa

18/08/2021 04h00

Estamos em 2021. O divórcio virou lei no Brasil em 1977. Muitos de nós somos filhos de pais separados. Entre os leitores e usuários de redes sociais no momento, muitos, inclusive, já são netos ou até bisnetos da geração divórcio. Ou seja, boa parte de nós já cresceu sabendo que relacionamentos acabam e poucos deles são para sempre. E mais: a liberação sexual aconteceu, com a invenção da pílula, há 60 anos. Desde então, sabemos que não precisamos ficar só com um parceiro a vida toda. Inclusive, experimentar é bom.

Mas o que um número enorme de jovens está fazendo no momento nas redes sociais? Sendo fãs de casais e sofrendo quando eles se separam. O lance é sério e a torcida pode ser fanática.

Uma prova disso é que, quando os casais adorados se separam, um deles, em geral, é atacado nas redes sociais. Ou até fora delas. E os fãs ficam também tristes com as separações. "Agora que eles se separaram não consigo mais acreditar no amor". Sempre que um casal famoso adorado se separa, leio esse tipo de coisa nas redes sociais.

Whindersson e Maria Lima, que anunciaram a separação na última sexta-feira. No final de semana, a apresentadora Titi Müller anunciou o término de seu casamento com o músico Tomás Bertoni. E segunda-feira veio a informação de que a cantora Simaria, que avisou na segunda-feira que irá se divorciar do espanhol Vicente Escrig. Nas redes sociais, muitos lamentaram essa "epidemia de separações", como chamaram.

Alguns parecem sofrer de verdade. E, o que é pior, a torcida por casais muitas vezes se transforma em algo parecido com torcida de futebol. Exemplo: Na primeira vez em que Maria usou as redes sociais depois do anúncio da separação, foi atacada por fãs de Whindersson.

Sim, isso é comum. E, na maioria das vezes, quem sofre esses ataques são mulheres (e por parte de outras mulheres, o que torna tudo ainda mais esquisito). No caso de Whindersson, sua ex, Luisa Sonza, é até hoje atacada pelos fãs do humorista. Isso porque muitos eram fãs do casal "Whindersson e Luísa" e ainda não se recuperaram da separação dos dois e querem que eles voltem.

Gente, como assim?

Vocês estão transformando a vida dos famosos que gostam em novelas. E, ao contrário do BBB, não dá para decidir o destino deles pelo voto.

Todo esse apego aos casais famosos me faz pensar que ainda adoramos um enredo de príncipe encantado e amamos acreditar em um "e foram felizes para sempre". Mas o quanto isso é irreal?

Muitos desses relacionamentos idealizados pelos fãs, inclusive, são, ou seriam, claramente tóxicos.

Um dos casais mais emblemáticos e shippados do mundo, por exemplo, é Jennifer Aniston e Brad Pitt. Os dois se separaram em 2005. Mas o culto a eles persistiu, assim como a torcida para que eles voltassem. No caso de Jennifer Aniston, sinceramente, acho que ela se livrou de boa, já que Brad Pitt, ficamos sabendo depois, sofria de alcoolismo e chegou a ter vários problemas em função disso.

Separações são tristes. Mas muitas vezes são um baita alívio para quem se separa. E ser um casal infeliz, definitivamente, não é nada romântico. Parem de idealizar os relacionamentos e a instituição casal. O amor é lindo. Mas ficar solteiro sentindo que "se livrou" também é ótimo. Aceitem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL