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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O crossover entre Olimpíadas e BBB que poderia continuar para nossa alegria

Douglas Souza, ponteiro da seleção brasileira masculina de vôlei, já é cotado para o BBB - Nations League/FIVB
Douglas Souza, ponteiro da seleção brasileira masculina de vôlei, já é cotado para o BBB Imagem: Nations League/FIVB
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Ana Angélica Martins Marques

Ana Angélica Martins Marques

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Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Colunista de Universa

04/08/2021 00h00

Tretas, humor e representatividade LGBTQIA+. Sim, eu tô falando das Olimpíadas de Tóquio, mas poderia ser do BBB. Há fortes semelhanças entre as duas atrações: participantes carismáticos, algumas polêmicas e bastidores movimentados.

Eu não cometeria a leviandade de comparar um programa de TV nacional à competição esportiva mais importante do mundo. Não faria isso em uma situação normal — o que não é o caso. Hehehe.

Nesta edição dos Jogos Olímpicos são 46 modalidades. Cinco a mais que nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, e dez a mais que as de Londres, em 2012. Além desse, que já é um motivo considerável — afinal conhecer as regras de tantos esportes beira o impossível, como torcedores temos licença para nos ater a detalhes mais humanos que técnicos.

Adendo: ainda estamos no meio de uma pandemia.

Conectados uns aos outros por smartphones e redes sociais, estamos altamente interessados em fofocas que possam ser edificantes e colocar um sorrisinho no nosso rosto.

Das Olimpíadas para o "BBB"?

Nesse quesito, o trio Yasmin Brunet - Gabriel Medina - Leticia Bufoni está de parabéns. Já é ouro na nossa memória, mesmo que Medina e Bufoni tenham encerrado suas participações sem medalhas em Tóquio. Mas as provocações ao casal Yasmin-Medina seguem rendendo tanto que a skatista já está sendo cotada para o BBB.

Outro atleta aclamado pelo público para o reality da Globo é Douglas Souza, da seleção masculina de vôlei. Assumidamente gay, o ponteiro é um dos 160 atletas LGBTQIA+ nas Olimpíadas de Tóquio. Um recorde.

Para entender quão significativo é esse número, basta lembrar que os dois últimos Jogos Olímpicos, do Rio de Janeiro e de Londres, somados, reuniram 70 atletas LGBTQIA+. O levantamento foi feito pelo site Outsports.

Desfilando irreverência, Douglas está bombando nas redes sociais — só no Instagram, já é seguido por mais de 3 milhões de pessoas (antes da chegada ao Japão, eram 260 mil).

#vemaí

Um crossover entre as Olimpíadas e o BBB já começa a acontecer. Em um tuíte elogiando a beleza dos atletas, Juliette fisgou Ítalo Ferreira, medalha de ouro no surfe em Tóquio. Depois do flerte virtual, Ítalo se desmanchou em elogios para a atual campeã do BBB. Na internet, a torcida pelo casal já é fortíssima.

Juliette, o maior fenômeno da história do reality show, cativou o público pela perseverança e pelo orgulho de suas raízes — a advogada é natural de Campina Grande (PB).

"The zoeira never ends': assim como Letícia Bufoni, internautas brincam com o casal Medina e Yasmin quando eles nem são o assunto

Representatividade

Garra e orgulho das origens também são marcas que a ginasta Rebeca Andrade, 22, que nasceu e cresceu na periferia de Guarulhos (SP), deixa nas Olimpíadas. Em Tóquio, Rebeca conquistou a primeira medalha, de prata, ao som de "Baile de Favela", um dos maiores hits do funk paulista. Depois, foi ouro e sagrou-se a primeira brasileira a conquistar duas medalhas em uma mesma edição olímpica. Um feito inédito.

O crossover entre Olimpíadas e BBB poderia continuar em 2022 para a nossa alegria, hein?!

Vale lembrar que as Paralimpíadas começam no dia 24 de agosto. O último censo do IBGE, realizado em 2010, revelou que 45 milhões de pessoas no Brasil têm algum tipo de deficiência, quase 25% da população. Pensar na inclusão de pessoas com deficiência (atletas ou não) no reality de maior audiência do país é uma necessidade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL