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Ana Paula Xongani

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Por que o YouTube decidiu investir nos criadores negros da plataforma

Incentivo impacta todo o ecossistema de criatividade e desenvolvimento de narrativas sobre vivências negras - Getty Images
Incentivo impacta todo o ecossistema de criatividade e desenvolvimento de narrativas sobre vivências negras Imagem: Getty Images
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Ana Paula Xongani

Ana Paula Xongani é multiempresária: no Ateliê Xongani, de moda afro-brasileira, e também na empresa que leve o seu nome, de criação de conteúdo. Apresenta o programa Se Essa Roupa Fosse Minha, no GNT, sobre moda consciente. Fala com leveza e responsabilidade sobre temas sempre importantes para que todo mundo junto construa um mundo mais justo e acolhedor para todos, especialmente para as mulheres pretas. Ativismo afetivo, como costuma dizer.

Colunista de Universa

18/06/2021 04h00

É inegável o quanto a internet é importante para os comunicadores negros que, embora ainda se deparem com muitas barreiras nas mais diversas plataformas, também encontram nas redes um lugar de contra-narrativa, espaço para produzir saberes, entretenimento e muitas outras obras a partir de nossos pontos de vista.

Hoje, se compreendem que pessoas negras são diversas entre si, que queremos e podemos falar sobre os mais variados temas, é também porque o nosso conteúdo na internet existe. Não sem críticas, já até falei dos problemas dos algoritmos aqui nesta mesma coluna. Entretanto, com cuidado e responsabilidade, esse território também é nosso e precisa ser ocupado.

Transformações acontecem quando estamos presentes e é por isso que eu defendo que, sim, temos que desenhar os nossos caminhos e os nossos veículos de mídia, mas também ocupar as plataformas que já existem, onde tudo acontece.

A minha presença nas redes sociais abriu muitas portas para mim — inclusive, se tenho esta coluna hoje em Universa, foi porque tudo começou em algum lugar e é importante reconhecer isso.

Não é sempre que a gente se sente pertencente nesses espaços (na verdade, a gente se sente pertencente a pouquíssimos lugares em um país com a estrutura social como a nossa), mas existem iniciativas que vem mudando isso. E elas se relacionam com as nossas reivindicações.

Nós, criadores negros, e vários outros ativistas que ali somaram, conseguimos fazer o YouTube Black acontecer. Nesta mesma plataforma, conseguimos mudar o nome da Blacklist (lista negra), que era o apelido dado ao conjunto de termos proibidos para que os vídeos não fossem banidos.

Gosto de lembrar que empresas e marcas são feitas de pessoas e essas pessoas, assim como nós, são também resultado da estrutura racista. Para que aconteça toda e qualquer mudança, é necessário o diálogo e escuta ativa

Nesse sentido, acredito que uma iniciativa como o Fundo Vozes Negras, que abrirá inscrições para a turma de 2022, é resultado da conversa que o YouTube Brasil tem aberto com criadores.

Fui contemplada na primeira edição, que está em andamento este ano, e a participação foi fundamental para otimizar a minha produção de conteúdo, já que ele distribui dinheiro (isso mesmo, dinheiro) e equipamentos para que a gente continue trabalhando, seja no YouTube, seja em outros canais. Você pode usar a verba e os conhecimentos da forma que entender como mais adequada para criar o seu material.

O que espero que sirva de aprendizado para outras plataformas de mídia é que esta iniciativa nasceu quando a empresa entendeu que havia um problema e, além de identificá-lo, criou uma alternativa para somar em sua solução.

Criadores negros não partem dos mesmos lugares que criadores brancos e tal incentivo permite que a gente possa criar com um pouco mais de tranquilidade. Os resultados, por sua vez, impactam em todo um ecossistema de criatividade e desenvolvimento de narrativas sobre vivências negras

Eu sugiro, de verdade, que você, criador de conteúdo, não perca a oportunidade de receber apoio constante para contar a sua história de forma original. No primeiro ano, o Fundo Vozes Negras apoiou mais de 130 criadores, artistas e compositores negros do Brasil, Quênia, Reino Unido, da Austrália. Nigéria, África do Sul e dos EUA.

As inscrições para a turma de 2022 estão abertas e os creators selecionados terão acesso ao suporte dedicado de um gerente de conta, investimento financeiro, workshops educativos, além de acesso a programas exclusivos da comunidade. Você encontra todas as informações aqui e poderá se inscrever de 21 de junho até 9 de julho. Eu quero ver o seu conteúdo bombando no ano que vem!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL