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Ana Canosa

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Conhecer e aceitar o próprio corpo é chave para ter autoimagem positiva

Dicas para ter uma relação mais saudável com o próprio corpo - iStock
Dicas para ter uma relação mais saudável com o próprio corpo Imagem: iStock
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Ana Canosa

Ana Canosa é psicóloga clínica, sexóloga, professora, escritora e comunicadora. Apresenta o podcast Sexoterapia, em Universa/UOL. Sendo há 28 anos testemunha das mais diferentes histórias afetivas, é categórica em afirmar que muitas vezes, só o amor não é suficiente. Fala de sexualidade desde que se entende por gente, unindo seus estudos acadêmicos com a experiência clínica e seu olhar de observação do mundo.

Colunista de Universa

03/07/2021 04h00

Se alguém habitasse o seu corpo, que conselhos você daria a essa nova inquilina? Saberia apontar-lhe sobre as necessidades de descanso, hidratação e alimentação? Quantas horas de sono, quais os alimentos que te fazem bem e os que te provocam desconforto, quantos litros de água precisa... Tem consciência sobre a quantidade de horas que necessita ao ar livre, o que te distrai e tranquiliza? Saberia orientar sobre o que te estimula, o que te cura, o que provoca seu sorriso ou choro?

Ter conhecimento e domínio sobre o corpo é fator crucial para construir uma imagem corporal positiva e manter a conexão entre o físico e o psíquico, afinal não somos seres compartimentalizados e uma dimensão influencia na outra, estão sempre em interação.

A imagem corporal se constitui através das imagens, palavras e aprendizagens que temos desde a infância sobre o corpo humano e o nosso corpo especificamente e tem um impacto positivo e negativo, podendo mudar ao longo da caminhada da vida.

Há fatores históricos predisponentes e outros que mantêm as crenças que construímos sobre nossa autoimagem, sendo que essas crenças podem não corresponder a uma realidade concreta (caso, por exemplo, das pessoas que se veem "gordas" e não o são). Ideais estéticos, modelos familiares e fraternos, características pessoais (autoestima, insegurança), desenvolvimento físico, enfermidades, abuso sexual, fracasso em dança ou esportes, acidentes; além de comentários repetitivos e feedback social, influenciam demasiadamente na construção de nossa imagem corporal. O importante, para se pensar a respeito dessa imagem, é: que parte dela é puro aprendizado que vem dos outros? Qual parcela está ligada a seus próprios valores? E o mais importante de tudo: se minha imagem corporal está negativa, o que posso fazer para mudá-la?

Agradecer o corpo que temos

Pense bem: é esse corpo que já te levou a conhecer lugares e pessoas. É o seu corpo que te permite tocar, abraçar e beijar alguém. É ele quem produz as imagens dos seus sonhos, que já te possibilitou sentir calor, frio, o contato com o mar, o mato ou as águas de uma cachoeira. É esse corpo, que muitas vezes esquecemos de cuidar ou que criticamos demais, que nos permite a experiência de estar vivo, em contato com tudo o que nos rodeia.

Passamos muito mais tempo a olharmos no espelho pensando no que não temos, no que está sobrando ou faltando, no que poderia ser diferente, do que agradecendo por tudo o que o nosso corpo nos proporciona. Crie uma frase para você, que faça referência positiva à sua imagem corporal, e a repita todos os dias antes de sair de casa. À noite, agradeça.

Centrar-se no positivo

Conheça, reconheça e aceite o seu corpo, evitando críticas a ele e também ao corpo das demais pessoas. Olhe para você com ternura e apreço. Evite se comparar aos outros e questione sempre ofertas e demandas publicitárias sobre os corpos "perfeitos"; isso só produz falsas e inalcançáveis expectativas!

Não aceite qualquer comentário negativo sobre seu corpo, perdoa as transgressões do passado, evitando culpar-se ou castigar-se. Pense no futuro. Supere uma mentalidade de vítima e busque ajuda se for necessário. Procure dar prazer ao seu corpo e abandone-se para as experiências sensoriais. Seja firme e positiva!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL