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Nicolelis mostra exoesqueleto dando os primeiros passos no solo

Do UOL, em São Paulo

07/04/2014 17h00

O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, autor do projeto "Andar de Novo", cujo objetivo é fazer um paraplégico levantar da cadeira de rodas e dar o primeiro chute da Copa do Mundo, publicou um novo vídeo nesta segunda-feira (7) no seu perfil no Facebook. O novo vídeo mostra o exoesqueleto dando os primeiros passos no chão.

"Muitos disseram que a missão era impossível, mas a 66 dias da abertura da Copa, o exoesqueleto dá os primeiros passos no chão. É um momento histórico", afirmou em texto.

Em 12 de junho, uma pessoa com paralisia usará o exoesqueleto para, com comandos do cérebro, dar um chute simbólico durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo, em São Paulo. O projeto foi desenvolvido por um consórcio internacional, liderado no Brasil pelo IINN-ELS (Instituto Internacional de Neurociências de Natal – Edmond e Lily Safra) e com a parceria da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente).

Segundo Nicolelis, todos os oito pacientes que fazem parte do projeto já estão aptos a controlar os movimentos do exoesqueleto usando a atividade elétrica cerebral. 

Meses de treinamento

Os exoesqueletos chegaram à São Paulo no começo de março e foram para a AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), onde os pacientes são treinados desde o ano passado para comandarem o exoesqueleto. O mais bem adaptado à vestimenta e aos comandos será o escolhido para o chute.

Em 4 de fevereiro, o cientista afirmou que a equipe do projeto em Paris conseguiu fazer ambas as pernas do exoesqueleto se movimentarem ao mesmo tempo, reproduzindo um padrão de caminhada. "Articulações moveram-se perfeitamente, com movimentos fluídos e sem qualquer ruído mecânico. Exo supera primeiro grande teste mecânico e de controle", disse na rede social.

O projeto conta com várias linhas de pesquisa, desde um mundo virtual para treinar os comandos cerebrais até o desenvolvimento de roupas com resposta tátil.

As mensagens transmitidas pelo cérebro para o resto do corpo, como caminhar, balançar ou parar, são captadas pela estrutura para que os movimentos aconteçam.

Os primeiros testes foram realizadas em experimentos de realidade virtual com uma estrutura robótica estática que permite que os pacientes caminhem sem abandonar a posição inicial em que estão.