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Casais que dividem tarefas domésticas entre "para homens" e "para mulheres" fazem mais sexo, diz pesquisa

Do UOL, em São Paulo

30/01/2013 12h52

Homens e mulheres casados que dividem as tarefas domésticas de forma tradicional relatam fazer mais sexo do que aqueles que compartilham os chamados trabalhos "para homens" e "para mulheres", de acordo com um novo estudo de sociólogos da Universidade de Washington, nos EUA.

Os casais que seguem os papéis tradicionais de gênero - onde cabe às mulheres cozinhar, limpar e comprar; e aos homens fazer trabalhos de jardinagem, manutenção e pagar as contas - relataram maior frequência sexual.

"Os resultados mostram que o gênero ainda organiza um pouco da vida cotidiana em casamentos", disse a co-autora Julie Brines. "Em particular, parece que as identidades de gênero expressadas através das tarefas ajudam a estruturar o comportamento sexual".

Entretanto, os maridos não devem usar estes resultados como justificativa para não cozinhar, limpar, fazer compras ou realizar outras tarefas domésticas tradicionalmente femininas, alerta o autor do estudo Sabino Kornrich. "Os homens que se recusam a ajudar em casa podem aumentar o conflito em seu casamento e diminuir a satisfação de suas esposas".

Estudos anteriores comprovaram que há mais sexo nas relações se os maridos fazem trabalhos doméstico, o que indicaria que o sexo seria usado em troca da divisão de tarefas. Mas eles não levaram em consideração que tipo de tarefas eles faziam.

Este novo estudo, publicado na edição de fevereiro da revista American Sociological Review, mostra que o sexo não é uma moeda de troca. Em vez disso, o sexo está ligado ao tipo de tarefa efetuado por cada cônjuge.

Mais trabalho para elas

Quando ambos fazem as tarefas domésticas sem distinção, os pesquisadores descobriram que os maridos, com idade média de 46 anos, e as mulheres, com idade média de 44 anos, passam cerca de 34 horas por semana em tarefas tradicionalmente femininas e mais um adicional de 17 horas por semana em trabalhos geralmente considerados "de homens".

Mas a grande questão está no fato de que os maridos realizam um quinto de tarefas tradicionalmente femininas e um pouco mais de metade do trabalho masculino. Isso sugere que as esposas ajudam muito mais com as tarefas dos homens do que o contrário.

Mais de 4,5 mil casais

Os resultados vêm de uma pesquisa nacional de cerca de 4.500 casais heterossexuais norte-americanos que participam da Pesquisa Nacional de Famílias e Domicílios. Os dados foram coletados de 1992 a 1994, a mais recente pesquisa de larga escala em que a freqüência sexual foi medida. Brines diz que é improvável que a divisão do trabalho doméstico - que não incluem cuidados com filhos - e sexo tenham mudado muito desde então.

Homens e mulheres relataram ter feito sexo cinco vezes, em média, no mês anterior à pesquisa. Mas, nos casamentos em que a mulher faz todas as tarefas tradicionalmente femininas, eles relataram ter tido relações sexuais cerca de 1,6 vez a mais por mês do que aqueles em que o marido teoricamente divide as tarefas.

Brines, especialista em dinâmica familiar e doméstica, disse que não era de estranhar que a atividade sexual estava relacionada à divisão das tarefas domésticas. "Se alguma coisa nos surpreendeu, foi o quão robusta é a conexão entre a tradicional divisão do trabalho doméstico e da freqüência sexual."

Os pesquisadores descatam que as mulheres com divisão tradicional do trabalho ou não tiveram níveis similares de satisfação sexual, que o fato de um cônjuge trabalhar e outro não também não afetou o resultado e que outras variáveis como a felicidade no casamento, religião, ideologia e gênero não tiveram papel significativo no estudo.

"O casamento não é hoje o que era 30 ou 40 anos atrás, mas há algumas coisas que são importantes", disse Brines. "Sexo e trabalho doméstico ainda são aspectos-chave da partilha de uma vida, e ambos estão relacionados com a satisfação conjugal e como cônjuges expressam sua identidade de gênero."

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