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Arqueológos acham crânios deformados em cemitério milenar do México

Do UOL, em São Paulo

18/12/2012 21h35

Arqueólogos do Instituto Nacional de Antropologia e História do México (Inah, na sigla em espanhol) descobriram o primeiro cemitério pré-hispânico milenar em Sonora, perto do povoado de Onavas, no norte do país. Dos 25 esqueletos encontrados, 13 tinham graves deformações no crânio e cinco estavam com a arcada dentária mutilada.

As modificações cranianas – que deixaram o osso da cabeça mais “pontiagudo”, com formato de V –, eram uma prática comum entre os povos mesoamericanos, um ritual para diferenciar os grupos de pessoas da sociedade.

Já as alterações dentárias serviam para marcar a passagem entre a infância e a adolescência, costume observado nos povos de Nayarit, no oeste do país, entre os anos 900 e 1200. Segundo Cristina García Moreno, pesquisadora da Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos, que lidera as escavações, essas mutilações coincidem com as descobertas em Sonora, pois os cinco corpos tinham mais de 12 anos.

A maioria das ossadas é de menores de idade: 17 tinham entre 5 meses e 16 anos quando foram enterrados, e apenas oito eram de adultos. Além disso, somente um esqueleto era de mulher.

Cristina afirma que a "força excessiva" na hora de apertar os crânios pode explicar o número alto de jovens no cemitério. Segundo ela, as análises não encontraram sinais de epidemia ou doença grave na região que pudesse ser a causa da morte desse grupo. 

“A área reúne características únicas, porque mescla expressões culturais  de grupos do norte do México, como o uso de adornos feitos de conchas, com tradições ocidentais nunca antes encontradas no território de Sonora”, explica Cristina. “A descoberta amplia o limite de influência dos povos mesoamericanos do que a arqueologia havia registrado anteriormente.”