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Conheça o helicóptero com o qual a Nasa quer sobrevoar Marte pela primeira vez

Helicóptero seria rápido o suficiente para explorar o planeta vermelho a partir da visão de um pássaro - EFE/ Iván Mejía
Helicóptero seria rápido o suficiente para explorar o planeta vermelho a partir da visão de um pássaro Imagem: EFE/ Iván Mejía

23/07/2019 10h01

Embora as leis da física digam que é quase impossível decolar e conduzir uma aeronave em Marte, engenheiros americanos criaram um helicóptero leve e rápido o suficiente para explorar o planeta vermelho do alto.

Depois de ter levado a Marte com sucesso quatro veículos que percorreram parte da superfície do planeta, o objetivo dos engenheiros do Laboratório de Propulsão da Agência Espacial Americana (JPL-Nasa) em Pasadena, na Califórnia, é dar um passo além e explorá-lo do alto.

Para J. Bob Balaram, chefe de engenharia para o Helicóptero Explorador Marciano (MHS, na sigla em inglês), voar com uma aeronave em outro "planeta" seria um fato "histórico" similar ao alcançado pelos irmãos Wilbur e Orville Wright quando em 1903 realizaram os primeiros voos em um avião na Terra.

O helicóptero autônomo, que realizará voos programados a partir da Terra, será transportado na "barriga" do robô Mars 2020, um laboratório científico sobre rodas que será lançado na metade de 2020 e deve chegar ao planeta vermelho em fevereiro de 2021.

Este novo equipamento, com uma tonelada de peso, segue o design funcional do robô Curiosity, que opera em Marte desde 2012, e terá como missão buscar sinais de vida microbiana, estudar o clima e a geologia, e coletar amostras que algum dia espera trazer à Terra.

"O objetivo principal do helicóptero marciano é mostrar o primeiro voo em Marte e comprovar que é possível voar e ser um indicador de curso para veículos (aéreos) muitos maiores", disse à Agência Efe MiMi Aung, gerente do projeto MHS da JPL-Nasa.

Na atualidade, "não exploramos Marte voando, hoje exploramos Marte com robôs andarilhos sobre a superfície e naves espaciais em sua órbita; mas, se pudermos agregar a dimensão aérea, isto aumentaria significativamente a forma como exploramos" o planeta vermelho, acrescentou Aung.

Esses detalhes extras são considerados vitais agora que completam 50 anos da chegada do homem à Lua e os EUA já estão pensando no feito seguinte, a missão da Nasa que levará pela primeira vez um homem a Marte na década de 2030.

MiMi Aung, especializada em processamento de sinais e comunicações na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, contou que é um desafio alçar voo em Marte com o método atual de aviação terrestre, porque "para voar, é necessário vento e em Marte ele é mínimo".

Além disso, a densidade atmosférica do planeta vermelho é equivalente a 1% a da Terra, o que seria o mesmo que fazer um helicóptero voar a mais de 30 quilômetros de altitude, quando o recorde de altura de voo de um helicóptero terrestre é de 12 quilômetros, entre outros desafios gravitacionais.

Os especialistas simulam na Terra "a atmosfera pouco densa de Marte" em uma câmara de vácuo na qual já concluíram os primeiros testes bem-sucedidos de elevação do MHS, que conta com duas hélices de um metro de comprimento e um rotor que gira a 3 mil rotações por minuto, muito mais que as 600 que um helicóptero tradicional necessita para alçar voo.

A energia necessária para voar virá de uma bateria de lítio que será recarregada através de um painel solar fixo situado acima da cruzeta do helicóptero.

Uma câmera fotográfica de alta resolução e outra para navegação serão instaladas dentro de um cubo de 14x14 centímetros que dispõe de um sistema de calefação para resistir às baixas temperaturas das noites marcianas, entre outras adaptações ao ambiente.

Em Marte, segundo Aung, são necessárias imagens de "alta definição" e estas só podem ser obtidas com "voos em baixa altitude", pois, na atualidade, só podem fazer "imagens globais a partir das naves espaciais", mas estas carecem da qualidade suficiente para capturar os detalhes na superfície marciana.

A engenheira explicou que o helicóptero também serviria como uma espécie de guia ao examinar com antecedência o terreno para avaliar a melhor rota para robôs e astronautas, assim como para estudar o interior de crateras e abismos.

"A prova final do MHS, no entanto, é fazê-lo voar em Marte", assinalou Aung sobre sua intenção de realizar cinco testes com o helicóptero no planeta vermelho.

Balaram, por sua vez, considera que "voar na atmosfera de outro planeta será algo histórico", mas assinalou que o MHS será, sobretudo, um pioneiro e servirá para "validar a tecnologia" que oferece, assim como aconteceu com o veículo Sojourner em sua época, que forneceu à humanidade as primeiras imagens detalhadas de Marte.

Este pequeno robô aterrissou no planeta vermelho em 1997 para abrir um caminho que agora é percorrido por grandes robôs que levam consigo "vários instrumentos científicos"

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