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Crateras de Marte foram formadas após erupção de vulcão, descobre estudo

Em Londres

02/10/2013 15h48

Marte pode ter abrigado vulcões gigantes no princípio de sua formação, segundo uma investigação publicada nesta quarta-feira (2) na revista britânica Nature, que pode ajudar a entender a evolução climática do planeta vermelho.

O estudo, dirigido por Joseph Michalski, do Instituto de Ciência Planetária de Tucson, nos Estados Unidos, indica que crateras de formato irregular localizadas na Arábia Terra, uma região elevada de Marte, são uma província vulcânica desconhecida até agora.

Michalski e outros pesquisadores do Instituto estudaram a topografia do planeta a partir de dados obtidos com a MOLA (Mars Orbiter Laser Altimeter), uma ferramenta a laser  posta a bordo da nave Mars Global Surveyer, e também com informação coletada pela nave espacial Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês).

Segundo a interpretação dos cientistas, estas crateras corresponderiam a vulcões similares aos supervulcões que se produziram na Terra, como é o caso do Parque Nacional Yellowstone, na região Oeste dos EUA.

Yellowstone ocupa uma área de 8.900 quilômetros quadrados formada por lagos, cânions, rios e montanhas, e constitui a área de maior altitude da América do Norte e a maior caldeira de supervulcão.

No começo de Marte

Michalski disse à Agência Efe que a descoberta ocorreu há dois anos e, desde então, trabalha para avaliar melhor a geologia da zona da Arábia Terra.

Segundo o cientista, estes vulcões gigantes "provavelmente se formaram no primeiro bilhão de anos da história de Marte, que tem 4,5 bilhões de anos, como a Terra".

As características das crateras da Arábia Terra indicam que provavelmente se formaram devido a uma erupção de enormes proporções, como no caso dos supervulcões terrestres, afirmam os especialistas.

Além disso, os materiais vulcânicos achados na região poderiam ter origem nessas gigantescas erupções, que teriam modificado o clima marciano, ressalta o estudo.

A atividade vulcânica já era sugerida como fonte de alguns depósitos detectados em Marte, mas até agora não havia uma fonte vulcânica identificável. 

Michalski explicou que os cientistas já sabiam da formação de vulcões em Marte, mas este estudo se refere a outro tipo de atividade vulcânica. "São vulcões muito explosivos, que estão entre os mais antigos de Marte", indicou.

Os cientistas consideram que estes novos estudos podem ajudar a entender a atividade vulcânica em Marte e seu clima.

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