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Cão aprendeu a digerir amido para se tornar o melhor amigo do homem

Em Paris

24/01/2013 10h06

Se o cachorro se tornou o melhor amigo do homem, é porque aprendeu, ao longo do tempo, a digerir o amido melhor do que o lobo, seu ancestral carnívoro, sugere um estudo comparativo do genoma dos dois animais.

Ainda não se sabe com precisão o por quê e como nossos ancestrais priorizaram os cães, mas especula-se que tenha sido por motivos de interesse mútuo no que diz respeito à obtenção de alimento e à proteção. Mas este animal, aparentemente, foi também o primeiro a ser domesticado.

Um fóssil de uma espécie canina próxima ao cachorro, com uma idade de 33 mil anos, e os restos de cães de 11 mil a 12 mil anos, que foram identificados em uma sepultura humana, provam isso. A genética indica que a domesticação do cachorro começou há cerca de 10 mil anos no sudeste da Ásia ou no Oriente Médio, mas as mudanças genéticas que acompanharam a lenta transformação dos lobos antigos em cachorros domésticos ainda são pouco conhecidas.

Erik Axelsson, biólogo na Universidade de Uppsala, na Suécia, e seus parceiros compararam os genomas de 12 lobos provenientes de diversos pontos do mundo e de 60 cães de 14 espécies distintas para tentar descobrir mais sobre esta evolução.

No total, eles identificaram 36 regiões do genoma que, provavelmente, sofreram modificações no processo de domesticação e adaptação evolutiva do cachorro. Mais da metade dessas regiões estão ligadas às funções cerebrais, principalmente ao desenvolvimento do sistema nervoso, e poderiam explicar as diferenças de comportamento que separam o lobo do cão domesticado.

Revolução agrícola

Os pesquisadores descobriram, ainda, três genes que desempenham um papel determinante na digestão do amido, um glicídeo de origem vegetal, revelaram em um estudo publicado na revista britânica Nature.

"Nossos resultados mostram que foram essas adaptações que permitiram aos primeiros ancestrais dos cães modernos a prosperar graças a uma alimentação rica em amido, comparativamente com o regime carnívoro dos lobos, o que constitui uma etapa crucial na domesticação", destacam no texto.

Uma mudança de nicho ecológico pode ter sido o principal motor deste processo de domesticação. E foi oferecendo a alguns lobos a possibilidade de encontrar comida entre os restos consumidos pelos humanos, cada vez mais frequente com a revolução agrícola, que este novo nicho ecológico foi criado, afirmam os pesquisadores.

"Nossa descoberta pode fazer pensar que o desenvolvimento da agricultura serviu de canal para a domesticação do cachorro", acrescenta o grupo. Eles ressaltam, ainda, o "surpreendente paralelo" entre a evolução do homem e do cão para se adaptar a uma alimentação cada vez mais rica em amido com a aparição da agricultura.