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Pense Bem volta cabendo na palma da mão, mas nostalgia não vale o preço

Mini PC Pense Bem, da TecToy, cabe na palma da mão - Gabriel Daros/UOL
Mini PC Pense Bem, da TecToy, cabe na palma da mão Imagem: Gabriel Daros/UOL

De Tilt, em São Paulo

11/04/2023 04h00Atualizada em 11/04/2023 08h36

Qual foi o seu primeiro contato com a tecnologia? Um PC? Um celular? Para muitos saudosos dos anos 1980 e 1990, a resposta é o computador Pense Bem, da fabricante brasileira de eletrônicos TecToy. Febre quando a internet era para poucos, parou de ser vendido anos depois, foi ressuscitado por pouco tempo em 2018 e, desde o fim de 2022, está de volta.

Bem diferente do dispositivo original, o Pense Bem Mini PC cabe na palma da mão e custa R$ 1.799 no site oficial (R$ 1.350 no varejo). Os nostálgicos que se arriscarem encontrarão um aparelho limitado e distante do que entrega um celular baratinho, conforme Tilt concluiu após uma semana testando o aparelho.

Em vez de diversão e saudosismo, a TecToy usa o novo produto para mirar em produtividade, custo-benefício e outros objetivos mais adultos. Ele pode funcionar bem em casos como computadores em caixas de bar ou supermercado ou estações de autoatendimento. Ou seja, para situações que dependem de um só programa funcionando.

PC que cabe no bolso

Para fins de comparação, o computador tem comprimento menor que um celular - Gabriel Daros/UOL - Gabriel Daros/UOL
Para fins de comparação, o computador tem comprimento menor que um celular
Imagem: Gabriel Daros/UOL

Saindo da caixa, o Mini PC da TecToy impressiona pelo -pouco- tamanho. Com suas proporções (6,1 cm de largura por 6,1 cm de altura por 4,3 cm de comprimento) e leveza (128g), a sensação é de que você está segurando um cubo mágico. Cabe fácil em uma bolsa e no bolso de uma calça que não seja muito justa.

O design é simples e discreto, feito para se mesclar no ambiente. Na estrutura pequena, há somente o necessário:

  • duas entradas USB-A,
  • uma de USB-C, que serve tanto para cabo de energia quanto para outros periféricos,
  • um conector HDMI para integrá-lo a um monitor de vídeo;
  • um plug P2, caso você queira ouvir música com fones de ouvido;
  • caixas de som embutidas.

Se precisar plugar mais coisas, o Mini PC vem com um hub com quatro portas USB para conectar outros aparelhos.

Se o uso for cotidiano, o tamanho talvez cause estranheza. Afinal, você está plugando fios e cabos em uma caixinha que nem parece um computador. Parece que não vai funcionar ou que falta algo. Mas, felizmente, não é o caso.

Mas aguenta o tranco?

Debaixo desse capô tão pequeno, a fabricante brasileira montou um sistema de configurações modestas: um processador Intel Celeron J4115, de 12 nanômetros, com frequência turbo de até 2,4 GHz e baixa potência (ou seja, menos consumo energético). O processador não se destaca muito em comparação aos rivais do mercado, como o GK35, da BeeLink, que vem com um Pentium J4205 (com até 2,6 GHz) ou o Mini PC Intel Celeron N5105 - com um processador de mesmo nome, e de 2,8 GHz.

O Pense Bem possui 4 GB de memória RAM. Já o armazenamento fica por conta de um cartão SSD de 128 GB.

Diante de tudo isso, tive um mau pressentimento quando vi o sistema operacional nativo: o Windows 11. Acontece que as especificações do aparelho são mínimas para rodar a última versão do sistema da Microsoft. Não quer dizer, porém, que funcione bem.

O Windows 11 exige muito da parte gráfica, o que não seria problema para o Pense Bem se ele tivesse uma placa de vídeo dedicada — algo que ele não tem. Por isso, ele recorre à memória da própria máquina para exibir informações gráficas. Assim, tudo o que é mais "visual" e "bonito" não funciona tão bem. Ainda assim, é impressionante que a TecToy tenha conseguido fazer o Windows 11 rodar de maneira relativamente estável.

A pouca memória associada a um processador limitado faz com que o do mini PC não entregue uma boa experiência. Ao menos no teste de Tilt, o computador apanhou até para abrir a calculadora ou o gerenciador de tarefas.

Um ponto positivo é que ele não esquentou em nenhum momento, mesmo quando estava completamente sobrecarregado por executar vários programas.

Uso pessoal, mas depende

Entradas USB, HDMI e P2 nas laterais do Pense Bem Mini PC - Divulgação/TecToy - Divulgação/TecToy
Entradas USB, HDMI e P2 nas laterais do Pense Bem Mini PC
Imagem: Divulgação/TecToy

Em seu site, a TecToy avisa que o mini PC encara exibição simultânea em até três monitores e pode rodar vídeos em 4K.

Tilt não chegou a testar esse modo específico de vídeos. Mas só de abrir vídeos no YouTube, ele não conseguiu executar outra tarefa ao mesmo tempo.

Além disso, a placa de áudio integrada não funcionou direito. Mesmo plugando fones P2, o som não era bom, mesmo no volume máximo. Quem quiser assistir algo na Netflix, talvez terá que investir em uma caixinha de som extra mesmo.

Dadas as configurações, o mini PC pode servir para assistir aulas online ou fazer tarefas mais básicas. Executar jogos mais antigos, ali dos anos 2000, pode funcionar bem. Pode não ser uma boa ideia dá-lo de presente a alguém que ama games.

Uso em empresas

Outra aplicação possível é o corporativo, desde que seja feito por empresas que necessitem de poucos programas rodando ao mesmo tempo, como no caixa de um restaurante.

Outro ponto frustrante é a ausência do Office 365, pacote de programas como Word, Excel e PowerPoint.

No mais, é bom você ter os programas necessários em um pendrive. O Pense Bem vem apenas com os programas básicos do Windows 11 mais o navegador.

O avesso da nostalgia

Assim como o famigerado Computador do Milhão, do Silvio Santos, a linha Pense Bem foi um dos primeiros produtos tecnológicos de uso pessoal a fazer parte do cotidiano brasileiro. Lançado em 1988, a linha de produtos começou como um brinquedo interativo, que até caminhou para fins educativos, mas parou por aí.

A impressão que fica é que a aposta da TecToy em 2023 não é só o saudosismo. É a confiança. O público da Pense Bem cresceu, e a marca tentou acompanhar. Tanto é que diferentes produtos ficam embaixo do guarda-chuva da marca: além do mini PC, há babá eletrônica, teclado para tablet, régua extensora e fita de LED. E faz sentido. Afinal, é pouco provável que o nome provavelmente mexa com as gerações atuais.

No entanto, há um revés: o mini PC traz consigo os problemas dos primeiros computadores de muita gente, como travar se rodar muitos programas ao mesmo tempo. E esse é o lado do saudosismo que ninguém quer. Afinal, memórias arruinadas são uma péssima forma de se fazer marketing.