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Xurrasco e Kim Jong-un ligados: o que é a teoria dos 6 graus de separação?

Ditador norte-coreano e Xurrasco estão mais próximos do que imaginávamos? Teoria dos graus de separação diz que sim - Reprodução/Twitter
Ditador norte-coreano e Xurrasco estão mais próximos do que imaginávamos? Teoria dos graus de separação diz que sim Imagem: Reprodução/Twitter

Juliana Almirante

Colaboração para o UOL

02/03/2023 11h24Atualizada em 02/03/2023 11h24

Uma hipótese levantada inicialmente em 1929 no meio literário inspirou uma brincadeira que se tornou viral no Twitter nos últimos dias. Mas o que quer dizer a "teoria dos seis graus de separação" e o que ela tem de real?

A teoria viralizou com threads que conectam pessoas como Casemiro a Napoleão, MC Pipokinha ao ditador soviético Josef Stalino, o cantor Gugu Gaiteiro ao filósofo Michel Foucault e alguns absurdos como o humorista Diogo Defante a Albert Einstein e até Jesus Cristo e os macaquinhos Twelves (do Latino) e Bubbles (de Michael Jackson).

Teoria foi testada a sério

Essa conexão indireta entre duas pessoas foi testada em um experimento de 1967 do psicólogo social americano Stanley Milgram. Ao longo do tempo, outros estudos também apontaram números um pouco diferentes para os graus de separação, como sete.

A origem da expressão de seis graus de separação é detalhada no livro "Conectado: Como tudo é conectado a tudo mais e o que isso significa para os negócios, a ciência e a vida cotidiana", do professor Albert-László Barabási.

Segundo a obra, o conceito apareceu pela primeira vez em um conto chamado "Correntes" do escritor húngaro Frigyes Karinthy. O texto citava que as pessoas estariam conectadas por no máximo cinco ligações.

Sem internet, mandar cartas foi a solução

Porém, a teoria foi popularizada a partir do experimento feito por Milgram para saber o número de pessoas que podem conectar dois indivíduos escolhidos ao acaso. Para isso, o estudo selecionou duas pessoas que seriam alvo da análise nos Estados Unidos.

Depois, foram enviadas cartas aleatoriamente a moradores de cidades distantes com o pedido de que participassem do estudo. Cada correspondência tinha foto, endereço e outras informações sobre uma das pessoas que foram alvo.

Se o destinatário da carta não conhecesse diretamente a pessoa citada, ela deveria enviar para alguém da sua rede que pudesse conhecê-la. Isso deveria ser feito sucessivamente até que a pessoa que foi alvo fosse localizada.

O estudo resultou na chegada de 42 das 160 cartas. O cálculo foi de, em média, 5,5 pessoas intermediárias, chegando aos "seis graus de separação".

Ainda segundo o livro de Barabási, conforme o psicólogo social Thomas Blass, que pesquisou a vida e o trabalho de Milgram, ele nunca usou a frase "seis graus de separação".

O termo teve origem na peça de 1991 de John Guare, que inspirou um filme do mesmo nome. No espetáculo, um personagem refletia sobre a interconexão e dizia que "todo mundo no planeta é separado por apenas seis pessoas". Assim, a expressão "seis graus de separação" acabou se tornando popular.

Análise questiona teoria Milgram

Apesar dos resultados divulgados por Milgram, a psicóloga e professora da Alaska Fairbanks University Judith Kleinfeld questiona a hipótese.

Ela analisou as anotações da pesquisa original e verificou que 95% das correspondências enviadas no experimento não haviam chegado ao seu destinatário final.

Em uma entrevista à rádio NPR em 2008, ela diz que não acredita que Milgram tentou enganar as pessoas com o estudo. No entanto, ela avalia que é difícil descobrir exatamente quantas redes iniciadas com o envio de cartas foram concluídas.

Microsoft e Facebook testam conexões

Estudos da Microsoft (2006) e do Facebook (2011) apontaram números um pouco diferentes para a conexão entre duas pessoas.

O levantamento da Microsoft, feito nos Estados Unidos, analisou 30 bilhões de mensagens enviadas pelo MSN Messenger. O resultado mostrou que duas pessoas estariam conectadas, em média, por sete ou menos conhecidos.

Já o Facebook divulgou que o grau de separação na rede social entre duas pessoas desconhecidas é de 4,74 amigos. O estudo foi feito de forma conjunta com a Università degli Studi di Milano e analisou 721 milhões de usuários ativos — mas é preciso levar em conta que o universo destas empresas não é representativo da sociedade como um todo.