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Twitter será excluído da App Store? Executivo da Apple provoca suspeitas

Apple Store em Sydney, Australia - Phill Danze/iStock
Apple Store em Sydney, Australia Imagem: Phill Danze/iStock

Rosália Vasconcelos

Colaboração para Tilt, do Recife

22/11/2022 16h51

Um dos executivos da Apple, Phil Schiller, responsável por liderar a App Store e eventos da companhia, excluiu seu perfil verificado no Twitter com mais de 200 mil seguidores, no último domingo (20). A atitude reforçou especulações de um iminente confronto entre as duas gigantes da tecnologia.

A boataria havia se iniciado após algumas pessoas notarem que não há mais nenhum tuíte na conta oficial da Apple — a empresa teria deletado todos os seus posts. Isso seria o prenúncio de uma possível exclusão do aplicativo do Twitter na App Store.

O movimento ainda ganhou corpo com recentes publicações na imprensa internacional. O site The Verge apontou que a saída de Schiller é um péssimo sinal sobre o futuro do relacionamento entre as duas big techs e deveria preocupar Elon Musk, novo CEO da rede social.

Segundo o site norte-americano, a Apple estaria preocupada com os novos rumos das políticas adotadas pelo bilionário sul-africano, especialmente no que tange à moderação de conteúdo. A Apple já se posicionou ser contra a tolerância a discursos de ódio.

Em meados de novembro, o CEO da Apple, Tim Cook, comentou pela primeira vez sobre o assunto, durante uma entrevista ao programa CBS Mornings. De forma breve, Cook afirmou que contava com o bom senso dos novos executivos à frente do Twitter sobre essa moderação.

No ano passado, a Apple (assim como o Google) excluiu a rede social Parler de sua loja. A plataforma permitia a publicação de posts contendo discurso de ódio. A Parler foi criada em 2018 por um grupo de executivos ligados ao ex-presidente dos EUA Donald Trump, após terem suas contas banidas do Twitter.

The Verge pontuou ainda que a possibilidade de exclusão de aplicativos de seus sistemas dá à Apple e ao Google um grande poder de moldar decisões nos negócios de Musk relativos às redes sociais.

Já a agência Bloomberg publicou uma notícia no último domingo (mesmo dia em que Schiller desativou sua conta) sugerindo um possível confronto entre Apple e Google versus Twitter, se o serviço de assinatura lançado por Musk, chamado Twitter Blue, vingar.

Segundo o artigo, Apple e Google recebem uma comissão de 30% em cima das assinaturas adquiridas pelos usuários, percentual que vem sendo criticado por Elon Musk, que chegou a chamá-lo de "imposto sobre a internet".

A Bloomberg comparou o possível embate entre as big techs com a briga entre Apple e Epic Games. A empresa do iPhone removeu o jogo Fortnite de sua loja quando descobriu que a companhia de games estaria contornando as comissões impostas, algo que foi interpretado como uma violação às suas diretrizes.

Tilt entrou em contato com a assessoria de comunicação da Apple no Brasil sobre o que teria motivado a saída de Schiller e se os tuítes da conta oficial da empresa foram realmente removidos e por quê.

A assessoria se limitou a afirmar que "o perfil do CEO, Tim Cook, segue ativo, com último Tweet de ontem".

Executivos da Apple não aderem a Twitter

A especulação em torno da queda de braços entre as big techs pode até ter fundamento, mas ao que parece os heads da Apple, de maneira geral, não são adeptos do Twitter.

Tilt verificou que, dos 18 principais executivos da companhia, apenas três possuem conta na plataforma: Tim Cook, que possui atualmente 13,7 milhões de seguidores e publica com regularidade; a vice-presidente de meio ambiente, política e iniciativas sociais Lisa Jackson, com 27,9 mil seguidores e tuítes recentes; e o vice-presidente sênior de serviços Eddy Cue, cujo perfil tem 127,7 mil seguidores mas a última publicação é de setembro de 2019.

Criada em 2008, a conta de Phil Schiller era uma das mais badaladas entre os executivos da companhia. Ele era conhecido por apresentar os produtos da empresa nos eventos e utilizava seu perfil para promover novos produtos e iniciativas da Apple.

Zero tuítes no perfil da Apple

A suposta exclusão de todos os tuítes pela conta oficial da Apple também é um argumento especulativo ainda bastante abstrato.

Muitos comentários feitos no próprio Twitter dizem que o perfil em questão nunca teria feito qualquer postagem orgânica desde sua abertura em 2011 e que só seria utilizado para a publicação de tuítes patrocinados (anúncios), que via de regra não aparecem no feed da conta.

A falta de movimentação dessa conta, aliás, já foi assunto em outros momentos. A primeira vez que colocaram uma foto na capa do perfil oficial foi em 2016, cinco anos após sua abertura.

Para se comunicar com seu público de maneira orgânica no Twitter, a empresa costuma utilizar o perfil oficial do suporte, @AppleSupport , aberto em 2015. A conta, aliás, continua ativa, com último tuíte postado em 17 de novembro.

O perfil oficial da App Store no Twitter também continua ativo, com última postagem feita há poucas horas.