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Dá para confiar no monitoramento de saúde do smartwatch? Médicos opinam

Barbara Mannara

Colaboração para Tilt, do Rio de Janeiro

16/11/2022 04h00

Não foi por acaso que a Apple iniciou a campanha de lançamento do Apple Watch Series 8, em setembro, com uma série de cartas de consumidores que relataram terem sido salvos pelo relógio. Histórias desse tipo têm se tornado cada vez mais comuns - e não são exclusivas dos aparelhos da marca.

Smartwatches costumam oferecer funções para medir a frequência cardíaca, atividades físicas, oxímetro, níveis de estresse e até bioimpedância (leitura da composição do corpo, em gordura, massa magra e água)

Mas essas análises são realmente precisas? Tilt conversou com Paulo Puccinelli e Gabriel Ganme, ambos médicos do esporte e jurados convidados do Tilt Lab Day, nosso evento que avaliou os melhores smartwatches do mercado (confira no vídeo no topo da página).

Quem é fã do uso do relógio inteligente no dia a dia pode ficar tranquilo. Puccinelli conta que, sim, de forma mais ampla, dá para confiar no monitoramento da saúde. "Talvez essa tecnologia, esse jeito de tratar a saúde dos smartwatches, seja uma das principais revoluções. Essa gamificação da saúde é algo muito oportuno", afirma.

Ganme também avalia que os relógios funcionam bem, dentro de uma proposta mais rotineira e limitada. "Existe um grau de imprecisão. Mas bem vestido, bem orientado de maneira correta, dá para utilizar sim", conta.

Ambos os médicos alertam que o gadget não substitui uma avaliação médica. Isso porque seus resultados não são iguais às medições feitas por aparelhos profissionais. Então, vale ficar em dia nos exames roteiros — e também ao detectar sintomas específicos.

Batimentos Cardíacos

O médico Gabriel Ganme, com o Xiaomi Mi Watch - Mariana Pekin/UOL - Mariana Pekin/UOL
O médico Gabriel Ganme, com o Xiaomi Mi Watch
Imagem: Mariana Pekin/UOL

O smartwatch consegue detectar a frequência cardíaca por meio do contato de luzes e sensores específicos com a pele do pulso.

Segundo Ganme, para quem tem um quadro diagnosticado de arritmia cardíaca, o acessório consegue monitorar o eletrocardiograma — mesmo que com algumas limitações. Nesses casos, por exemplo, cardiologistas aconselham o paciente a usar esses relógios no dia a dia.

Sob uso frequente, "o smartwatch é uma importante ferramenta para o médico ter uma avaliação global da saúde do indivíduo", afirma Puccinelli.

É importante destacar que praticar atividades aeróbicas regulares pode prevenir problemas do coração. E, nesse ponto, esses eletrônicos podem ajudar bastante — por exempo, ao contar os passos do usuário.

"É uma tecnologia muito legal. É comprovado cientificamente que ter uma contagem de passos no final do dia de 7 a 10 mil reduz o risco de morte por doença cardiovascular", conta Puccinelli.

Bioimpedância

No modelo tradicional, o paciente coloca os pés e as mãos em eletrodos (sensores de metal) e o aparelho envia estímulos elétricos de baixa voltagem para inferir a porcentagem de gordura, massa muscular e água. São quatro pontos de comunicação (mãos e pés) para passagem do sistema elétrico.

Já no smartwatch, há apenas uma via única de transmissão. O usuário coloca o dedo nos botões laterais do relógio e ele envia o estímulo elétrico, que passa pelo corpo e volta, fechando a cadeia no mesmo ponto em que começou.

Infelizmente, essa versão "compacta" da tecnologia não é muito precisa. "Há alguns problemas, exatamente pela limitação de apenas uma via de aferição. Pode trazer dados diferentes da bioimpedância convencional", conta Puccinelli.

No entanto, o médico destaca um uso mais informal: se a pessoa realizar a bioimpedância via smartwatch com alguma frequência, pode perceber um padrão de resultados que servirá de referência para detectar eventuais alterações.

Oxímetro

O médico Paulo Puccinelli com Galaxy Watch 5  - Mariana Pekin/UOL - Mariana Pekin/UOL
O médico Paulo Puccinelli com Galaxy Watch 5
Imagem: Mariana Pekin/UOL

O oxímetro se popularizou durante a pandemia de covid-19 por medir a oxigenação no sangue. Na oximetria compacta (aquela comprada na farmácia), o aparelho observa com uma luz a coloração do sangue que chega na ponta do dedo.

O dedo é mais vascularizado do que o pulso, onde os smartwatches fazem a medição. Mas Ganme destaca que o princípio é o mesmo. "A precisão dos relógios mais modernos é muito similar à oximetria simples de dedo. No entanto, oxímetros de uso hospitalar [aquele que acopla o dedo por completo] são ainda melhores", completa.

Ganme lembra que a medição apenas pelo oxímetro não é suficiente para diagnósticos de covid-19 e que existem parâmetros mais importantes nessa análise. Caso a pessoa tenha algum sintoma, é indicado procurar auxílio médico. A funcionalidade de oxímetro no relógio é mais interessante para acompanhar a rotina de pacientes com alguma questão específica crônica, pulmonar ou mais idosos.

Pressão arterial

Uma funcionalidade recente na tecnologia de smartwatches promete aferir a pressão com o auxílio do relógio. Ele precisa ser utilizado com um equipamento complementar — que faz a pressão no braço. No entanto, não substitui a leitura feita por um equipamento profissional.

O recurso pode ser aplicado apenas para avaliar padrões rotineiros. "Utilizar como uma medida específica pontual não é válido", explica Puccinelli. E completa lembrando que a pressão arterial precisa ser medida por uma pessoa que tenha habilidade para isso, porque é um ponto delicado e muito importante do diagnóstico e tratamento médico.

Stress e ansiedade

Nesse caso, o parâmetro principal utilizado pelos relógios é frequência cardíaca, avaliando variações ou irregularidades no padrão — ou seja, por exemplo, detectar batimentos muito altos sem estar em movimento. Isso pode ser interpretado pelo aparelho como uma questão relacionada com ansiedade ou stress.

"Eu tenho um pé atrás quanto a isso porque, na minha interpretação, as questões relacionadas à stress e ansiedade envolvem a saúde mental e outros históricos de saúde. Então falar sobre esse tema baseado apenas na frequência cardíaca é um pouco superficial", explica Ganme.

Mesmo assim, caso você leve a análise à sério, esses aparelhos também oferecem opções de relaxamento e sessões de respiração. Elas podem auxiliar em um momento mais crítico e, caso realizadas com regularidade, podem trazer resultados positivos.

Como usar o smartwatch

É fundamental utilizar o aparelho de forma correta para proporcionar uma medição mais precisa no monitoramento da saúde. A recomendação é manter a superfície das luzes de LED e infravermelho (na parte de trás do smartwatch) em contato completo com a pele.

Sobre a posição, ele precisa ficar aproximadamente dois dedos para trás do maléolo — que é esse ossinho que temos no punho. Não precisa apertar muito, mas não pode deixar folgado.

Qual o melhor smartwatch para a saúde?

Tilt Lab Day avaliou oito modelos de quatro marcas (Apple, Samsung, Xiaomi e Huawei), premiados em cinco categorias.

No quesito saúde, o vencedor foi o Apple Watch Series 8, mas com destaque também para o Huawei GT3, que surpreendeu e ficou em segundo lugar, à frente do Apple Watch SE.

"Não necessariamente o mais caro, que tem todas as funções, vai te ajudar mais. Pode ser que, às vezes, um modelo mais simples, mais barato, consiga te ajudar, e muito, a ter toda essa avaliação que é possível", completa Puccinelli.

Confira a lista completa dos oito smartwatches avaliados por Tilt e quais venceram os prêmios no Lab Day.

  1. Apple Watch 8 - Melhor para Saúde, Esporte e Dia a Dia
  2. Apple Watch SE
  3. Huawei GT 3 - Melhor Custo-benefício
  4. Huawei GT Runner
  5. Xiaomi S1 Active
  6. Samsung Galaxy Watch 5 Pro
  7. Xiaomi Mi Watch
  8. Samsung Galaxy Watch 5

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