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Telescópio poderá 'cheirar' metano para descobrir sinal de vida em planetas

James Webb: telescópio fara espectrometria para identificar metano - Nasa
James Webb: telescópio fara espectrometria para identificar metano Imagem: Nasa

Vinícius de Oliveira

Colaboração para Tilt*, em São Paulo

29/03/2022 14h48

Sem tempo, irmão

  • Telescópio espacial James Webb será capaz de identificar elementos químicos por espectroscopia
  • Concentração de metano na atmosfera pode ser um sinal de atividade biológica nos planetas
  • Pesquisadores da Universidade de Santa Cruz estabeleceram parâmetros para que o metano seja indicativo de vida extraterrestre

O telescópio espacial James Webb, da Nasa, será capaz de "cheirar" metano para descobrir planetas rochosos que podem abrigar formas de vida extraterrestre.

De acordo com pesquisadores da Universidade de Santa Cruz, nos Estados Unidos, a concentração de metano em planetas rochosos que orbitam uma estrela (como o nosso Sol) é um possível indicador de bioassinatura. Ou seja, sinal de que há vida no planeta (ou de que havia, no passado).

O telescópio conseguirá identificar substâncias no espaço por meio da espectroscopia, uma técnica que se baseia na luz para estudar a composição, a estrutura e as propriedades da matéria. Gases quentes, como o metano, emitem diferentes comprimentos de onda de luz.

O James Webb está previsto para entrar em funcionamento no verão do hemisfério Norte (entre 21 de junho a 22 de setembro).

Por que metano, e não oxigênio?

Para aferir a possibilidade de um planeta apresentar vida extraterrestre, não basta apenas confirmar a presença de oxigênio, porque certos organismos podem não precisar dele para viver.

Abundância de metano, dióxido de carbono e água líquida na superfície (além de baixos níveis de monóxido de carbono) se aproximam mais do que os cientistas definem como "bioassinatura".

"Uma única molécula não vai nos dar a resposta. Você tem que levar em conta todo o contexto do planeta", afirma a doutora em astrofísica Maggie Thompson, líder do estudo da Universidade Santa Cruz.

"Metano é uma peça do quebra-cabeça, mas para determinar se há vida no planeta, você tem que considerar sua geoquímica, como ele interage com a estrela e muitos outros processos que podem afetar a atmosfera local", completa.

Vários fenômenos não-biológicos podem produzir o gás metano, como erupções vulcânicas e impactos de asteroides. Porém, o estudo já prevê essas situações para reduzir o número de falsos positivos.

Por exemplo: quando um vulcão lança gases na atmosfera, ele adiciona não só metano à composição do planeta, mas também monóxido de carbono. A criação biológica do metano, por sua vez, consumiria o monóxido de carbono.

Por isso, se o planeta tiver uma alta concentração desses dois gases na atmosfera, provavelmente não é um sinal de que há vida extraterrestre.

"Duas coisas podem dar errado. Você pode interpretar erroneamente algo como bioassinatura e ter um falso positivo; ou você pode ignorar algo que realmente é uma bioassinatura", alertou Joshua Krissansen-Totton, coautor do estudo.

"Nossa pesquisa está focada nos falsos positivos mais óbvios", continua. "A atmosfera rochosa dos exoplanetas provavelmente irá nos surpreender e precisaremos ter cautela com as nossas interpretações. O trabalho terá de antecipar e quantificar mecanismos não-usuais de produção não-biológica de metano."

*Com informações dos sites Space.com, EurekAlert e Business Insider