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Hora da picada: saiba como os exames de sangue são feitos

Arte com tubos usados em hemograma - Arte UOL
Arte com tubos usados em hemograma Imagem: Arte UOL

Colaboração para Tilt, em São Paulo

11/11/2021 04h00

Eu duvido que qualquer pessoa que esteja lendo este texto goste de fazer exame de sangue. A experiência tende a ser especialmente desagradável para quem tem medo de agulhas, de sangue ou, ainda, passa por episódios de queda de pressão durante a coleta.

Apesar de ser a parte mais "traumática", porém, espetar uma agulha no braço e retirar alguns mililitros de sangue é apenas a primeira parte de um complexo processo que pode envolver até mesmo a separação de células desse fluido corporal. Mas você sabe como isso é feito?

Como funciona?

Infográfico mostra como funciona os processos envolvidos em um hemograma - Arte UOL - Arte UOL
Imagem: Arte UOL

O exame de sangue começa bem antes de você ir ao laboratório, já que é preciso evitar alguns hábitos que podem interferir nos resultados, como a ingestão de bebidas alcoólicas há menos de 72 horas da coleta.

Uma vez no laboratório, há a escolha do tubo dentro do qual o sangue coletado pela agulha será armazenado. Ele pode conter anticoagulante ou não, e essa escolha é determinada pelo tipo de exame que se fará.

Os tubos que contêm anticoagulante são usados em exames nos quais o sangue precisa se manter o mais homogêneo possível, o chamado "sangue total".

É o caso do exame de hemograma, onde o sangue como um todo é analisado visando a detecção de anemia (queda do número de glóbulos vermelhos), infecção (estudo dos glóbulos brancos) além das plaquetas, que participam do processo de coagulação do sangue.

Além disso, a partir do sangue total é possível a obtenção do plasma após a centrifugação da amostra. O plasma é a parte líquida do sangue separada das hemácias, glóbulos brancos e plaquetas.

Um exemplo de exame que usa o plasma é o coagulograma, que avalia as capacidades de coagulação do sangue e geralmente é solicitado em avaliações pré-operatórias e nos pacientes em uso dos medicamentos anticoagulantes, como aqueles que tiveram trombose, infarto do miocárdio ou usam próteses cardíacas.

Já os tubos sem anticoagulante permitem que o sangue coagule em seu interior. Após coletado — um intervalo que varia de 30 a 60 minutos — essa amostra é centrifugada para a obtenção do soro. A análise desse material é feita para exames como colesterol, triglicérides, ácido úrico e sorologia para covid-19.

Depois de colhido e centrifugado, o material é mantido sob refrigeração. No caso de amostras de soro e de plasma, elas são armazenadas por entre 10 e 15 dias pelo laboratório — caso precisem ficar armazenadas por mais tempo, esses materiais são congelados.

Já o sangue total tem estabilidade muito curta e é descartado após um ou dois dias.

A análise em si, hoje em dia, é feita quase que totalmente por máquinas específicas para esse fim. Todos os tubos de sangue coletados contêm um código de barras com identificação do paciente e isso serve para garantir um nível alto de controle.

Os exames mais básicos são realizados utilizando uma dessas três metodologias: bioquímicas, para dosagem do colesterol e glicose; dosagem hormonal, que analisa os níveis de hormônios como TSH, FSH, LH, Estradiol, entre outros; e as sorologias, que avaliam a produção de anticorpos contra as mais diferentes doenças, funcionando como testes imunológicos.

Além deles, há tecnologias mais complexas, como biologia molecular, análise genética, espectrometria de massas, citometria de fluxo, entre outros. São testes mais específicos e que, normalmente, apresentam resultados mais detalhados a depender do intuito do exame — como os feitos em caso de averiguação de câncer, doenças hereditárias e monitoramento de medicamentos terapêuticos como imunossupressores.

Feita a análise, os próprios aparelhos já geram um laudo que é feito via algoritmos. Esse laudo é consultado e validado pelos profissionais responsáveis e, posteriormente, fica disponível para serem consultados pelo médico que solicitou o exame.

Dúvidas comuns

Quanto tempo leva para uma amostra de sangue ser analisada?

Tudo depende da complexidade do exame. Análises mais comuns, como níveis de colesterol, triglicérides, glicose e ácido úrico costumam ser rápidas, em torno de 5 a 10 minutos.

O que geralmente faz esse tempo ser maior é o processo de coleta, transporte e armazenamento. É seguro dizer que, para exames mais simples, laudos levam entre 12 e 24 horas para ficarem prontos. Esse tempo, claro, pode variar pela demanda do laboratório ou, ainda, se há análises mais complexas envolvidas.

É preciso fazer jejum antes do exame de sangue?

Depende do exame. Atualmente, para as dosagens do colesterol total, frações de colesterol e triglicérides, o jejum não mais é exigido. A maioria dos demais exames pode ser feita com três horas sem ingerir alimentos. Uma das exceções é o de glicose para detecção de diabetes. Neste caso, há necessidade de jejum mínimo de 8 horas.

Por outro lado, intervalo de jejum acima de 14 horas não é recomendado para coleta de sangue.

Exame de sangue precisa ser feito pela manhã?

Não. Isso é um mito, mas até faz algum sentido no caso de exames que exigem jejum mais longo, como o de glicose, uma vez que o paciente passará a maior parte do período de jejum dormindo. Fora isso, exames de sangue podem ser feitos em qualquer momento do dia, desde que respeitados os procedimentos preparatórios.

Eu preciso mudar meus hábitos antes de fazer um exame do tipo?

Depende. Como já dito, ficar sem consumir bebidas alcoólicas por 72 horas evita possíveis alterações nas amostras. No caso de exames que envolvem jejum, o consumo moderado de água não é considerado quebra de jejum.

A alimentação deve se manter a normal, apenas evitando exagerar na proximidade do evento. Já exercícios físicos muito desgastantes devem ser evitados nas 24 horas antes da coleta, já que o perfil lipídico pode se alterar nessa situação. Fumar no dia da coleta também é algo a ser evitado.

Por fim, é preciso informar o consumo de medicamentos, já que alguns deles podem afetar os resultados da análise.

Fontes:

Nairo Sumita, consultor médico em bioquímica clínica do Grupo Fleury
Gustavo Campana, patologista clínico e diretor médico da Dasa