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Megavazamento de dados brasileiros expõe fotos de documentos e nome de mães

Vazamento expõe documentos de 13 mil brasileiros - Syhunt
Vazamento expõe documentos de 13 mil brasileiros Imagem: Syhunt

Letícia Naísa

De Tilt, em São Paulo

31/07/2021 04h00Atualizada em 31/07/2021 14h48

Dois grandes vazamentos expuseram dados e informações sensíveis de brasileiros na internet, desta vez com fotos de RGs, CPFs e CNHs. O material está sendo vendido em um fórum por US$ 300 (cerca de R$ 1.516).

No total, são 13 mil imagens de documentos em um arquivo de 1,2 GB. Em outra postagem do fórum, uma "amostra grátis" expõe informações de 2,5 milhões de pessoas.

O autor do crime afirma ter dados de 227 milhões de brasileiros, segundo a empresa de cibersegurança Syhunt, que identificou o megavazamento e monitora esse tipo de ação desde janeiro, quando houve um vazamento de dados de 220 milhões de pessoas. Entre as informações, há nomes completos, datas de nascimento, CPFs, sexo, endereços residenciais e os nomes das mães de pessoas vivas e que já morreram.

Muitos dos dados expostos já estavam à venda em vazamentos anteriores, mas esta é a primeira vez que alguém consegue vazar o nome das mães de usuários, segundo a Syhunt, de forma gratuita.

"É um dado valioso por ser frequentemente solicitado em etapas de validação de serviços online", escreve a empresa em relatório.

Vazamento expõe documentos de 13 mil brasileiros - Syhunt - Syhunt
Vazamento expõe documentos de 13 mil brasileiros
Imagem: Syhunt

A empresa não sabe dizer quando os usuários conseguiram essas imagens, mas há indícios na publicação do cibercriminoso de que os dados foram obtidos por meio de um servidor do Detran/DF e têm a data máxima de 2019. A base completa tem 37,7 GB. Não foram encontrados indícios de que os hackers tentaram extorquir alguma empresa, ou seja, não tem características de um ramsomware.

É muito grave

"Era previsível que isso fosse acontecer. Vazou tanta informação no começo do ano que faltava a cereja do bolo, que são assinaturas e fotos de documentos das pessoas", diz Felipe Daragon, fundador da Syhunt, em entrevista a Tilt.

E isso, alerta ele, é só o começo: "13 mil fotos parece pouca coisa, mas a tendência é esse número aumentar", afirma.

Uma das preocupações do especialista é que esse número seja apenas uma amostra de um banco ainda maior que pode estar em mãos dos cibercriminosos. "Não dá pra saber se é só a ponta do iceberg, isso virou um problema global", ressalta.

Outra coisa que não dá para saber é se o seu documento está nessa lista. Ou se seus dados estão entre os 2,5 milhões expostos — ou entre os 217 milhões à venda.

É muito lucrativo

    Esse tipo de dado se tornou valioso, porque permite que muita gente lucre aplicando golpes. Com todas as informações de uma pessoa, fica muito fácil para qualquer pessoa abrir contas e criar linhas de crédito em nome dela.

    Aplicativos bancários, por exemplo, costumam pedir, além de dados básicos, também uma foto da pessoa segurando seu documento para ela provar que é ela mesma.

    Para Eduardo Schultze, líder de Threat Intelligence da Axur, outra empresa de cibersegurança, os sistemas atuais são falhos.

    "O mais indicado que é a selfie com o documento seja tirada na hora e não que a pessoa possa fazer upload de uma foto do celular", defende. "Os uploads são perigosos porque qualquer pessoa pode subir qualquer foto, então pode ser usada uma foto de um terceiro, podem ser usados dados de outras pessoas", alerta.

    E pode pedir o RG?

    Outros aplicativos, como o Mercado Livre, têm exigido foto para conclusão de compra no site, o que, segundo especialistas consultados por Tilt, é desnecessário e pode colocar em risco dados pessoais dos clientes.

    "A exigência de foto do RG é desproporcional e desnecessária para realização de cadastro e viola os princípios da finalidade, adequação e necessidade da Lei Geral de Proteção de Dados", diz Luã Cruz, pesquisador do programa de direitos digitais do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).

    Cruz considera "extremamente perigoso" exigir mais dados que o necessário para a execução de um serviço, como nesse caso, porque vão sendo criadas bases de dados que podem vazar ou ser reutilizadas para outros fins.

    Se, numa dessas, a foto do seu RG vazar e acabar nas mãos de criminosos? Os estragos são imprevisíveis, diz Carlos Affonso de Souza, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS Rio).

    "Se todo mundo tiver acesso a todos os nossos dados pessoais, essas pessoas podem se passar por nós, podem contrair empréstimos, se comunicar com pessoas próximas e elas não vão saber. Isso é porteira aberta para uma série de fraudes e golpes."

    Como se proteger?

    • Mantenha seu antivírus em dia;
    • Não clique em links que pareçam suspeitos ou que você não sabe de onde veio;
    • Troque suas senhas com frequência;
    • Crie senhas seguras;
    • Reavalie quais contas em fintechs e sites você não usa mais e acione a LGPD: peça para ter seus dados removidos da base da empresa

    *Com matéria de Lucas Carvalho