PUBLICIDADE
Topo

Google Earth do mar: startup usa robôs submarinos para mapear oceanos

Terradepth/Divulgação
Imagem: Terradepth/Divulgação

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

24/03/2021 17h18

Dois ex-oficiais da Marinha dos Estados Unidos (Navy Seals) decidiram construir uma espécie de "Google Oceans", isto é, um Google Earth dos oceanos. Para isso, criaram a startup Terradepth, que está desenvolvendo um submarino autônomo para mapear o fundo do mar. A meta é ter milhares desses robôs espalhados pelo mundo.

Em 2005, Joe Wolfel e Judson Kauffman iniciavam suas carreiras quando receberam a notícia do afundamento do USS San Francisco (SSN-711), um submarino nuclear que bateu em uma montanha subaquática —que não estava catalogada.

"Foi a primeira vez que nós dois entendemos o nível de ignorância que existe acerca deste mundo subaquático. Então isso meio que plantou uma sementinha", acredita Kauffman. "A Marinha não tem cartas ou mapas de boa parte do leito marinho", diz. De acordo com a NOAA (Administração Atmosférica e Oceânica Nacional), 80% dos oceanos ainda não foram mapeados.

Doze anos depois, os dois abriram uma empresa de consultoria e voltaram a atenção para a crescente oferta de robótica para exploração espacial. "Um dia nos olhamos e dissemos: 'Por que ninguém está levando este tipo de tecnologia moderna também para o fundo do mar?'", lembra Kauffman.

O pensamento culminou, em 2018, na fundação da Terradepth, em Austin, Texas (EUA), uma empresa de serviços de dados que ressignifica tecnologias e componentes já existentes. Em apenas três anos, foi desenvolvido o protótipo de um novo tipo de submarino robótico, capaz de mapear autonomamente os oceanos e seus diversos ecossistemas.

Imagem do oceano obtida pelo submarino da Terradepth - Terradepth/Divulgação - Terradepth/Divulgação
Imagem do oceano obtida pelo submarino da Terradepth
Imagem: Terradepth/Divulgação

O robô de nove metros de comprimento usa uma câmera e sensores para coletar dados, e então recorre a inteligência artificial e aprendizado de máquina para processá-los. Há dois tipos de sonar e instrumentos de profundidade, navegação, temperatura e geolocalização. Ele consegue afundar até cerca de 6 mil metros —profundidade de mais de 98% dos oceanos.

O sistema se baseia em edge computing (computação de borda), que consegue analisar informações e resolver problemas na fonte de dados quase em tempo real. Ele diferencia o que é importante ou não e até se auto-reprograma para retornar a determinada localização para colher informações adicionais. Tudo sem intervenção humana.

Os primeiros testes do protótipo na natureza aconteceram no início deste mês, no Lago Travis, no Texas. Com o sucesso, agora serão realizados experimentos mais robustos no mar, no Golfo do México, e, depois, na Costa da Flórida.

Por enquanto, o veículo ainda utiliza o mesmo combustível de navios (diesel), mas a versão final terá um gerador de célula de hidrogênio, que aguarda a patente. Assim, além de ser ambientalmente responsável, terá a capacidade de se recarregar, também de maneira autônoma, no mar.

Os fundadores também planejam adicionar sensores para coletar indicadores químicos, biológicos, ambientais e até de DNA, para tornar o mapeamento ainda mais completo e detalhado. O objetivo é ter uma rede de 5 mil a 10 mil robôs continuamente coletando e adicionando informações ao banco de dados.

Além de mapear, será possível monitorar as transformações dos ecossistemas marinhos e suas interações com o mundo terrestre, como mudanças climáticas e migrações de animais. E tudo isso poderá ser armazenado em um sistema de nuvem, disponibilizado à população. "Será como um Google Earth dos oceanos", conclui Kauffman.

A startup recebeu um aporte de US$ 8 milhões da Seagate Technology, e deve abrir uma nova rodada de financiamentos no mês de vem.