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Foguete gigante da Nasa que vai levar humanos de volta à Lua passa em teste

Teste do foguete Space Launch System (SLS), nesta quinta-feira (18) - NASA/Divulgação
Teste do foguete Space Launch System (SLS), nesta quinta-feira (18) Imagem: NASA/Divulgação

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

18/03/2021 21h47

No final da tarde desta quinta-feira (18), o foguete Space Launch System (SLS, ou Sistema de Lançamento Espacial) passou em seu segundo teste de "fogo quente". Ele ligou os quatro enormes motores por mais de oito minutos - mas não foi a lugar nenhum.

O grande objetivo da Nasa é, até 2024, chegar à Lua com astronautas, dentro do ambicioso Projeto Artemis.

Com 65 metros de comprimento, o SNS é o maior foguete já construído pela Nasa —o que foi testado é apenas seu estágio principal. Realizado no remoto Centro Espacial Stennis, no Mississippi, este foi o segundo teste "hot fire" da nave. O primeiro, em janeiro deste ano, apresentou alguns erros e durou apenas um minuto, por isso precisou ser refeito.

Desta vez foram 499,6 segundos de muita fumaça, paradinho na base, simulando os procedimentos de lançamento. Um sucesso. A nuvem gerada pela explosão foi tão grande, em um céu tão limpo e azul, que conseguiu até ser vista do espaço, por satélites meteorológicos.

Os dois tanques de combustível armazenam, juntos, mais de 3 milhões de litros de hidrogênio líquido superfrio e oxigênio líquido, para abastecer os quatro motores RS-25.

"O SLS é o foguete mais poderoso que a Nasa já construiu e, durante o teste de hoje, o estágio central gerou mais de 1,6 milhão de libras de impulso em sete segundos", disse Steve Jurczyk, administrador da agência espacial.

"Ele é uma obra incrível de engenharia e o único capaz de viabilizar a próxima geração de missões norte-americanas. Este teste é um marco importante no objetivo de colocar humanos novamente na superfície lunar —e além", completou.

Projeto Artemis

Agora, a Nasa fará manutenção no equipamento e o levará para o Centro Espacial Kennedy, na Flórida, para ser totalmente montado com as demais partes do SLS e preparado para um lançamento real. O plano é, até o final deste ano, enviar a cápsula Orion - ainda sem astronautas - para um passeio ao redor da Lua e de volta à Terra.

Os primeiros testes tripulados estão previstos para 2023. No ano seguinte, seres humanos, inclusive a primeira mulher, poderiam andar na Lua novamente. Depois, a ideia é ir até Marte. Mas tudo indica que o cronograma já está bem atrasado.

O SLS foi desenvolvido em uma época em que empresas privadas, como a SpaceX, ainda estavam iniciando seus trabalhos com foguetes comerciais reutilizáveis. Por isso, tem algumas características de naves tradicionais.

Por seu tamanho enorme, ele é o único foguete que conseguiria levar uma cápsula, astronautas e suprimentos para a Lua em uma única missão. Ele se parece com o chinês Long March 9 e tem capacidade similar à da futura nave Starship, que Elon Musk quer usar para colonizar Marte.

No desenvolvimento do projeto, a Nasa já gastou mais de US$ 10 bilhões no foguete e US$ 16 bilhões na cápsula. Cada lançamento de um SLS custará cerca de US$ 2 bilhões —ele só pode ser usado uma única vez. A sobrevivência do Artemis depende de verbas do governo dos Estados Unidos que, por enquanto, estão sendo aprovadas pelo Congresso.