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Mapa do Universo: Austrália tira megafoto em 360° de 3 milhões de galáxias

Mapa do Universo foi realizado pela Csiro, agência científica australiana - Divulgação/Csiro
Mapa do Universo foi realizado pela Csiro, agência científica australiana
Imagem: Divulgação/Csiro

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

03/12/2020 16h05

Astrônomos acabam de mapear mais de 3 milhões de galáxias —1 milhão delas até então desconhecidas—, em menos de duas semanas. O resultado é um verdadeiro atlas do Universo, com imagens em alta resolução. Você pode até dar uma volta virtual, mas recomendamos usar uma tela grande para isso.

As imagens foram captadas por um radiotelescópio na Austrália, o Askap (Descobridor de Alcance de Quilômetro Quadrado Australiano, na sigla em inglês), desenvolvido e operado pela Csiro, agência científica do país. Em apenas 300 horas (12 dias), 83% do céu foi mapeado. Um recorde!

Chamada de RACS (sigla em inglês para Pesquisa Contínua e Rápida do Askap), esta é a mais detalhada pesquisa do céu já realizada com ondas de rádio. Foram produzidas 903 fotos, cada uma "olhando" para uma parte do céu, durante 15 minutos de exposição. Algumas galáxias são destacadas pelo site com foto e mais informações.

Os 13,5 exabytes de dados RAW (tipo de arquivo de imagem superior ao JPEG) foram processados pelo supercomputador Galaxy, que combinou as imagens. O resultado é um panorama completo, com 70 bilhões de pixels.

À primeira vista, parece uma cena comum de um céu noturno. Mas a maioria dos pontos brilhantes, em vez de uma estrela, representa uma galáxia inteira. Imagens na resolução original podem ser baixadas nos arquivos do Askap.

"A RACS é como um Google Maps das galáxias distantes do Universo. E cerca de 1 milhão delas nós nunca havíamos visto antes", declarou a Csiro em um comunicado.

O que é radioastronomia?

A astronomia moderna recorre a diversos comprimentos de ondas do espectro eletromagnético para observar o Universo: luz, raios-X, infravermelho, ultravioleta e rádio. Cada um deles carrega diferentes informações.

Por isso, nem todo telescópio é composto por lentes e espelhos —esses são os óticos, que produzem imagens apenas a partir da luz visível. Um radiotelescópio "enxerga" o que nossos olhos não podem ver: grandes antenas parabólicas captam ondas de rádio e as traduz em imagens e cores.

As ondas de rádio são as formas de luz com maior comprimento, capazes de atravessar obstáculos. Por isso, nos permitem estudar alguns dos ambientes mais extremos do cosmos, como nuvens de gás e buracos negros gigantescos.

A radioastronomia é um campo de pesquisa relativamente novo, iniciado na década de 1930. O hemisfério Sul tem uma posição privilegiada para observação da Via Láctea, além de abrigar áreas desérticas propícias para a instalação de grandes radiotelescópios - como o Askap e o Alma (sigla em inglês para Grande Alcance Milimétrico do Atacama, no Chile).

Esses equipamentos usam tecnologia espacial de ponta. Os engenheiros da Csiro desenvolveram receptores de rádio inovadores, chamados "alimentações de alcance faseado", e processadores de sinal digital de alta velocidade. Nos próximos anos, o Askap deve conduzir pesquisas ainda mais sensíveis em diferentes faixas de comprimento de onda.

Com um grande campo de visão, o radiotelescópio australiano entrou em plena operação em fevereiro de 2019. Sua rapidez e efetividade abre diversas oportunidades de estudos para astrônomos de todo o mundo.

Pesquisas anteriores demoraram anos e detectaram um número bem menor de objetos, com imagens menos detalhadas. A Mongolo Sky Survey, da Universidade de Sidney, por exemplo, levou quase uma década para identificar 260 mil galáxias.

Por que algumas são elípticas, outras espirais, ou simplesmente irregulares? As galáxias se movem sozinhas pelo Universo ou em grupos? Elas se fundem umas com as outras para crescer? São alguns dos mistérios que agora podem ser respondidos com mais facilidade.

Com o novo mapa em mãos, é possível "visitar" essas galáxias regularmente, para estudar seu comportamento e transformações ao longo do tempo.