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Lindo, brilhante e muito útil! Material mais fluorescente do mundo é criado

Reprodução/Twitter/Halophore
Imagem: Reprodução/Twitter/Halophore

Mirthyani Bezerra

Colaboração para Tilt

16/09/2020 04h00

Cientistas criaram em laboratório o material mais brilhoso que se tem notícia. São as Smiles, ou Redes de Isolamento Iônico de Pequenas Moléculas, da sigla em inglês. Além de serem lindas aos nossos olhos, podem trazer uma série de ganhos para tecnologias que usam brilho fluorescente ou lidam com propriedades óticas, como energia solar, exames de imagens e lasers.

"Eu penso nas Smiles como uma luz de uma lâmpada, mas em vez de ser ligada pela eletricidade, elas são ligadas pela luz. Elas agrupam muitos corantes dentro de um material que consegue absorver muita luz e então a irradia sem muita perda", explicou Amar Flood, professor de química da Universidade de Indiana (EUA) e coautor do estudo, em entrevista à "Futurity". O resultado publicado na revista Chem.

Estima-se que haja mais de 100 mil tipos diferentes de corantes fluorescentes. O grande problema desses materiais é que eles tendem a se desfazer quando entram em estado sólido, o que reduz a intensidade da fluorescência e, consequentemente, do brilho.

"O problema surge quando os corantes ficam 'ombro a ombro' dentro de sólidos. Eles não podem evitar de 'tocar' uns no outros, como criancinhas sentadas na contação de histórias. Eles interferem um no outro e param de se comportar como indivíduos", explicou Flood ao site Phys.org.

Foi justamente esse problema que os químicos solucionaram com as Smiles, misturando corante fluorescente colorido com uma solução incolor de cianostar (molécula de macrociclo em forma de estrela).

Quando a mistura se solidificava, essas moléculas em formato de estrela formavam uma estrutura diferente, capaz de impedir esse contato "ombro a ombro". Ou seja, impedindo a interação e mantendo as propriedades óticas.

Os pesquisadores, então, transformaram o material sólido em cristais e, depois, em pó —que pode ser usado em polímeros (materiais plásticos).

Esse material pode ser usado em qualquer tecnologia que precise brilho fluorescente ou lide com propriedades ópticas. Os usos mais populares são, por exemplo, exames médicos e diagnósticos, captação de energia solar, lasers, imagens 3D e vidro fotocrômico (que fica mais escuro quando é exposto à luz).

Ele também pode ser simplesmente incorporado a produtos feitos de plástico. Flood e sua equipe criaram uma startup, chamada Halophore, para continuar as pesquisas, descobrir os limites dos materiais e desenvolveremos um conjunto robusto de regras de design para que isso aconteça.

Segundo o cientista, como os materiais são totalmente novos, ainda não se sabe quais de suas propriedades inatas vão realmente funcionar melhor.