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Dá para jogar na privada! Jovens criam teste de gravidez 100% biodegradável

Teste de gravidez de papel promete dar privacidade às mulheres e contribuir com o meio ambiente  - Divulgação
Teste de gravidez de papel promete dar privacidade às mulheres e contribuir com o meio ambiente Imagem: Divulgação

Marcelle Souza

Colaboração para Tilt

03/09/2020 04h00

Sem tempo, irmão

  • Lia promete garantir mais privacidade e reduzir o impacto ao meio ambiente
  • Por serem de papel, os testes poderiam ser descartados no vaso sanitário
  • O produto leva até dez dias para de decompor dentro da água

Duas jovens designers dos Estados Unidos criaram a primeira marca de testes de gravidez 100% biodegradáveis. O exame, chamado Lia, promete resolver dois problemas ao mesmo tempo. Um deles é garantir mais privacidade às mulheres, que já não precisam se preocupar com o descarte do resultado. O outro é reduzir o impacto ao ambiente, já que o material se decompõe em dez dias no solo.

A empresa foi fundada em 2015 por Anna Couturier Simpson e Bethany Edwards, a partir de um projeto desenvolvido por Edwards durante o mestrado na Universidade da Pensilvânia. A ideia surgiu quando elas começaram a pensar sobre a relação entre o tempo de uso de um teste de gravidez (em média cinco minutos até sair o resultado em casa) e o impacto desse material para o ambiente.

"Os testes de gravidez geram mais de mil toneladas de resíduos plásticos por ano só nos Estados Unidos. Isso é plástico suficiente para ir e voltar da Estação Espacial Internacional cerca de sete vezes! E tudo está sendo depositado em aterros sanitários, o que significa que, para muitas de nós, os exames das nossas avós ainda existem nomambiente", diz Edwards, cofundadora e executiva-chefe da Lia Diagnostics.

Mas o produto não foi feito só pensando na quantidade de lixo que geramos. Antes de lançar o teste, Simpson e Edwards realizaram entrevistas com mulheres e descobriram que para elas a privacidade era muito importante durante o exame, algo que testes de plástico não proporcionam.

Falamos com centenas de mulheres e ouvimos, sem julgamento, suas histórias e experiências. Elas nos falaram sobre esconder testes de gravidez no lixo, levá-los a banheiros públicos ou de escritórios, mas também sobre uma pilha de exames plásticos que eram um doloroso lembrete de uma luta para engravidar
Bethany Edwards

A solução foi criar um dispositivo que pode ser descartado no vaso sanitário logo depois do resultado. Mas é preciso lembrar que no Brasil não é aconselhável jogar nem papel higiênico no vaso sanitário, diferente do que rola nos EUA e em alguns países da Europa. Isso porque aqui eles podem entupir fossas sépticas ou a rede de esgotamento sanitário.

Como funciona o produto?

Lia é feito de papel, e não de plástico, mas funciona da mesma forma que outros testes de gravidez. Ele detecta a gestação por meio da presença do hormônio hCG na urina e tem certificação do FDA (o departamento que regulamenta medicamentos, alimentos e equipamentos de saúde nos EUA).

Depois do resultado, o objeto pode ser descartado de forma discreta e mantendo a privacidade das mulheres, porque se decompõe na água em até dez dias. Isso é possível porque todos os materiais usados no exame são biodegradáveis e soluções de design dispensam o uso de cola.

"Ele utiliza um revestimento patenteado que repele o líquido por tempo suficiente para fazer o teste e, em seguida, se decompõe como o papel higiênico. Para melhorar a dispersibilidade e a biodegradabilidade [dos materiais], incorporamos várias perfurações no design do teste e criamos uma vedação de perímetro que o mantém unido", diz a chefe da marca.

Além dos testes de gravidez, a tecnologia pode ser usada em outros exames de diagnóstico e é uma alternativa para embalagens temporárias.

Anna Simpson e Bethany Edwards (à dir.) durante premiação de startups, em Berlim - Noam Galai/Getty Images for TechCrunch - Noam Galai/Getty Images for TechCrunch
Anna Simpson e Bethany Edwards (à dir.) durante premiação de startups, em Berlim
Imagem: Noam Galai/Getty Images for TechCrunch

De mulher para mulher

O primeiro teste de gravidez para ser feito em casa foi criado pela designer gráfica Margaret Crane, quando ela trabalhava na farmacêutica Organon. O modelo foi desenhado em 1967 para ser uma alternativa aos exames laboratoriais, mas só foi lançado de fato nos Estados Unidos dez anos depois.

Um dos entraves para a comercialização do kit era a resistência dos médicos, que à época eram contrários a que uma mulher realizasse um exame de gestação sozinha em casa.

"Mag Crane tem uma história fascinante, mas que retrata a depreciação das mulheres como inventoras e engenheiras. Ela era uma designer gráfica que viu os químicos realizando testes de gravidez no laboratório e pensou: por que as mulheres não podem fazer isso no conforto de suas próprias casas? Com um pouco de plástico, um pedaço de espelho, muita engenhosidade e determinação, fez o primeiro teste de gravidez em casa", diz Edwards.

Apesar da invenção, Meg Crane só ficou conhecida em 2012, quando uma pequena reportagem do jornal The New York Times mostrou quem era a responsável pelo dispositivo que se tornou tão conhecido pelas mulheres.

O problema é que, desde que chegou às farmácias, o exame de gravidez sofreu poucas mudanças em seu design. Isso é resultado, segundo Edwards, do descaso das empresas em solucionar da melhor forma problemas exclusivamente femininos.

"Desde a década de 1980, vimos um enorme progresso tecnológico de outras inovações que foram criadas ao mesmo tempo que o teste de gravidez em casa, incluindo o primeiro telefone celular e o computador pessoal da Apple. No caso do exame, tem sido o mesmo bastão de plástico! Eu acho que isso não é inteiramente uma coincidência", afirma Edwards.

Por enquanto, o Lia está disponível apenas nos Estados Unidos, mas Simpson e Edwards buscam parceiros para a comercialização em outros países, incluindo o Brasil.