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Buscas de sintomas no Google preveem surto de covid-19, indica estudo

Surtos de coronavírus podem ser antecipados por buscas de sintomas no Google - Social Media
Surtos de coronavírus podem ser antecipados por buscas de sintomas no Google Imagem: Social Media

Gabriel Joppert

Colaboração para Tilt

15/09/2020 18h55

Nós já avisamos aqui em Tilt que nem sempre se pode confiar no Dr. Google para te ajudar a descobrir se você está doente. Mas, ainda que o Google não seja uma forma confiável de fazer um diagnóstico, as buscas feitas na ferramenta podem ser úteis para a medicina de outra forma, como indicar surto de doenças como o próprio coronavírus.

Um artigo publicado em um periódico de gastroenterologia e hepatologia constatou que as buscas por sintomas gastrointestinais da covid-19 foram maiores em lugares que, algumas semanas depois, apresentaram surtos da doença.

Apesar de os sintomas mais comuns da covid serem tosse recorrente, febre e dificuldades de respiração, a pesquisa optou por focar no grupo de sintomas secundários e ver se eles também poderiam trazer dados relevantes para o acompanhamento da evolução da doença.

Os pesquisadores usaram o Google Trends para monitorar as tendências de buscas e ver se haveria correlação com a incidência da covid. Os sintomas escolhidos para acompanhamento foram ageusia (perda do paladar), dores abdominais, perda de apetite, anorexia, diarreia e vômitos.

Os dados anônimos de buscas no Google em 15 estados dos EUA entre janeiro e abril de 2020 foram obtidos semanalmente e então cruzados com os casos reportados do novo coronavírus.

A descoberta foi de que o aumento nas tendências de busca por estes sintomas estava ligado a um aumento de casos na maioria dos estados pesquisados. A relação mais evidente era no período entre três e quatro semanas após serem feitas as buscas.

"Nossos resultados sugerem que o aumento no volume de buscas para sintomas gastrointestinais comuns pode prever o volume de casos de covid-19, sendo quatro semanas o intervalo ideal entre o aumento no volume de buscas e o aumento no número de casos", escrevem os autores.

Nem todos os termos de busca escolhidos apresentaram relações tão diretas com o aumento de casos. As tendências mais relacionadas à incidência da doença foram ageusia, perda de apetite e a diarreia. Os achados vão ao encontro de outros experimentos parecidos feitos com relação à influenza ou à doença de Lyme.

A ideia agora é aplicar este conhecimento para prever quais regiões, cidades ou bairros podem estar à beira de novos surtos. Os autores avisam, no entanto, que para gerar modelos preditivos serão necessários mais estudos que ajudem a determinar o pico de incidências, a sazonalidade e o intervalo de tempo ideal em relação às buscas.

Uma vez que a observação de tendências de busca já se mostrou uma ferramenta útil para pesquisas médicas deste tipo, o Google anunciou recentemente novas ferramentas para ajudar pesquisadores.

A empresa está disponibilizando bancos de dados de tendências de pesquisas ligados a sintomas, disponíveis em inglês e espanhol, na esperança de que as informações possam trazer um melhor entendimento dos impactos da pandemia.

O Google Brasil informou a Tilt, por meio de sua assessoria de imprensa, que não há previsão para que bancos de dados parecidos sejam disponibilizados em português.