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Após reportagem do UOL, Yacows diz à Justiça que cumpre ordem judicial

Lindolfo Antônio Alves Neto, sócio-proprietário da empresa Yacows, ao lado do advogado da empresa, José Caubi Diniz Júnior. - Roque de Sá/Agência Senado
Lindolfo Antônio Alves Neto, sócio-proprietário da empresa Yacows, ao lado do advogado da empresa, José Caubi Diniz Júnior. Imagem: Roque de Sá/Agência Senado

Helton Simões Gomes

De Tilt

03/07/2020 16h35

A Yacows afirmou à Justiça de São Paulo que não descumpre a ordem judicial que a impede de vender envios de mensagens em massa pelo WhatsApp. O comunicado foi feito em uma petição encaminhada ao juiz do caso, após Tilt revelar nesta semana que a empresa usa outra companhia para continuar a atuar como uma "máquina de spam".

No documento, José Caubi Diniz Júnior, advogado da Yacows, chama a reportagem de "fake news" do jornal "Folha de São Paulo", embora seja um texto apurado e publicado pelo UOL. Ele também representa Kiplix e Deep Marketing Maut, empresas que usam a mesma plataforma de disparo da Yacows. Diniz Júnior foi procurado duas vezes pela reportagem, mas não retornou os contatos telefônicos.

"As empresas foram vítimas de fake news apresentada em reportagem publicada na Folha de São Paulo no dia 02/07/2020, nela há afirmação de possível descumprimento de ordem judicial emanada por este Juízo. As empresas peticionárias cumprem rigorosamente os termos da cautelar exarada por este Juízo, sendo o teor da matéria absolutamente inverídico e irresponsável", diz o documento.

Yacows, Kiplix, Deep Marketing e Maut estão proibidas pela Justiça de oferecer serviços de disparo em massa desde abril deste ano. Elas foram levadas à Justiça pelo WhatsApp, que as acusou de usar sua marca sem autorização e violar os termos de uso.

Tilt, canal de ciência e tecnologia do UOL, mostrou que é possível continuar contratando serviços desse tipo usando o telefone da Yacows. O atendimento, porém, é feito por uma outra empresa, a Message Flow, nome fantasia de uma terceira, a Unifour Marketing.

Esta companhia foi aberta por uma ex-funcionária da Yacows, possui a mesma forma de operar, tem site com as mesmas informações publicadas na empresa barrada pela Justiça e ainda compartilha estrutura com ela. Esse tipo de manobra é apontado por advogados como um caso de "confusão patrimonial", por transferir recursos de uma empresa com atuação restringida pela Justiça para outra, de modo que a operação não seja prejudicada.

Como a decisão obtida pelo WhatsApp é liminar, o julgamento não foi encerrado. Com isso, Yacows, Kiplix, Deep Marketing e Maut ainda podem recorrer. O prognóstico não é favorável a ela, porém. A Sallap, outra companhia processada pelo WhatsApp, foi proibida pela Justiça em decisão da primeira instância nesta semana. Ainda cabe recurso.