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Devorador de estrelas: maior buraco negro do universo come um Sol por dia

Ilustração mostra um quasar cercado de poeira cósmica e "nuvens" - Nima Abkenar/Nasa
Ilustração mostra um quasar cercado de poeira cósmica e "nuvens" Imagem: Nima Abkenar/Nasa

Mirthyani Bezerra

Colaboração para o Tilt

03/07/2020 11h51Atualizada em 03/07/2020 19h18

O maior buraco negro do universo mede 34 bilhões de vezes mais do que a massa do nosso Sol. Achou pouco? Ele "come" por dia o equivalente à massa da nossa estrela, segundo novo estudo realizado pela Universidade Nacional da Austrália, publicado na terça-feira (30) na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Esse "apetite voraz" tem feito com que o J2157 seja considerado o buraco negro que cresce mais rápido que se tem conhecimento em todo o universo. A massa dele é mais ou menos 8.000 vezes maior do que Sagittarius A, o buraco negro do centro da nossa galáxia.

"Se o buraco negro da nossa Via Láctea quisesse 'engordar' desse jeito, ela teria engolido dois terços de todas as estrelas da nossa galáxia", afirma o astrônomo Christopher Onken, da Universidade Nacional da Austrália.

O faminto J2157, que existe a mais de 12 bilhões de anos-luz de distância de nós, foi identificado pela primeira vez por pesquisadores em maio de 2018 pelo telescópio SkyMapper, no Observatório da Primavera da Universidade Nacional Australiana

Na época, foi reconhecido como o "quasar" mais luminoso do universo pelos astrônomos. Quasares são buracos negros supermassivos que emitem tanta energia por meio de seus discos gasosos que aparecem como estrelas nos telescópios.

Os astrônomos estimaram que ele tinha uma massa de aproximadamente 20 bilhões de sóis e que a sua "dieta diária" era de meio sol. Desde então, os astrônomos tem tirado novas medidas e revisado os números. Nesse estudo, os astrônomos acompanharam a evolução da massa do astro usando o Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul, no Chile.

É importante para os astrônomos estudarem a evolução dos buracos negros massivos para entender como o universo evoluiu. "Nós estamos observando um tempo em que o universo tinha apenas 1,2 bilhão de anos, menos de 10% da idade atual dele", contou Onken, coordenador dos estudos e um dos autores da pesquisa.

Os astrônomos conhecem a idade, a localização e até o apetite do buraco negro, mas a razão de ele ser tão grande ainda é desconhecida.

Se fosse na Via Láctea, vida na Terra seria impossível

"Este buraco negro está crescendo tão rapidamente que brilha milhares de vezes mais que uma galáxia inteira, devido a todos os gases que sugam diariamente que causam muito atrito e calor", explicou Christian Wolf, professor associado da Universidade Nacional da Austrália que foi tanto do estudo feito em 2018 quando desse novo, à CNN.

"Se tivéssemos esse monstro bem no centro da nossa Via Láctea, pareceria dez vezes mais brilhante que a lua cheia. Ofuscaria quase todas as estrelas no céu e provavelmente tornaria a vida na Terra impossível com as enormes quantidades de raios-x que emanaria dele", completou.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que estava no texto, a massa do buraco negro seria de aproximadamente 20 bilhões de sóis, e não 20 mil bilhões de sóis. O texto foi corrigido.