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iFood lança texto para rebater críticas dos entregadores em greve

Felipe Oliveira

Colaboração para Tilt

01/07/2020 17h28

Em meio à greve dos entregadores de aplicativos em diversas cidades do país nesta quarta-feira (1º), o iFood divulgou um comunicado, dentro do app e em seu site, chamado "Abrindo a Cozinha". O objetivo é "explicar tudo sobre nossa empresa" e explicar "nossa relação com os parceiros", segundo o conteúdo.

No texto, o iFood busca se defender das críticas divulgando detalhes como o cálculo do valor da entrega, como funciona as gorjetas e medidas de proteção contra covid, entre outros.

O aplicativo de delivery afirma que 70% dos pedidos feitos via iFood são entregues por entregadores contratados pelos próprios restaurantes. Além disso, a cada 100 pedidos de delivery no país, apenas dez são feitos por meio de aplicativos. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Locomotiva.

A empresa trouxe ainda outros dados internos: em maio de 2020, "um entregador ganhou, em média, R$ 21,80 por hora trabalhada". Além disso, "o valor mínimo pago por entrega é de R$ 5, que geralmente é pago para os pedidos mais próximos".

Outros pontos defendidos no texto são:

  • Entre os entrevistados da pesquisa, mais de 80% dos entregadores conhece ao menos uma medida tomada pelos aplicativos;
  • 92% dos entregadores pretendem continuar trabalhando com entregas por aplicativo mesmo após o fim da pandemia de coronavírus;
  • Todo entregador que utiliza o iFood conta com um seguro contra acidentes pessoais, incluindo a volta para casa;
  • A empresa criou fundos de R$ 2 milhões para proteger entregadores do grupo de risco e para os que apresentam sintomas da covid-19, além de ter distribuído mais de 800 mil itens de proteção aos entregadores, entre máscaras e álcool gel;
  • Nos meses de abril a junho o iFood diz ter dobrado as gorjetas durante a pandemia, e que "a gorjeta é sempre repassada 100% ao entregador e nenhum valor é retido pelo iFood".

Greve é "justa", diz vice

Além disso, o vice-presidente de estratégia e finanças do iFood, Diego Barreto, afirmou, em entrevista à CNN, que a empresa vê a greve dos entregadores como "justa", mas cobrou mais participação do Estado.

"A posição do iFood é que o direito de manifestação é do direito de qualquer brasileiro... Nós fizemos uma análise minuciosa de todas as pautas que foram colocadas pelas diversas lideranças. Esse movimento não tem uma liderança centralizada. Nossa leitura é que a grade maioria dessas pautas é justa", afirmou.

Barreto disse que não existe uma forma consolidada de verificar a participação dos entregadores em cada aplicativo e somar uma jornada de trabalho, já que, normalmente, um entregador presta serviço para diversos apps ao mesmo tempo. De acordo com ele, essa organização é necessária, mas teria de ser regulada pelo Estado.

"Para que a gente possa olhar e dizer, quando fala que ficou duas horas aqui, ele ficou também uma hora ali, meia hora ali, uma hora ali, outra hora ali, e deu oito horas, nove horas. Essa sistematização é própria de uma função de Estado, e a partir daí se continua um diálogo que é flexível com a economia de compartilhamento que eu proponho", diz ele.

Barreto afirmou também que o iFood "cumpre praticamente todos os itens" reivindicados pelos manifestantes. "O iFood oferece seguro contra acidente, no caso de morte, distribuiu quase 1 milhão de kits (de segurança) durante esses três meses, tem um fundo que financia completamente a remuneração que esses entregadores têm no app caso eles tenham covid", disse.

Grevista rebate iFood

Paulo Galo Lima, um dos organizadores do movimento Entregadores Antifascistas, abriu na tarde desta quarta (1) uma thread no Twitter sobre os pontos do texto "Abrindo a Cozinha" do iFood. Ele começa dizendo que por não expor a metodologia da pesquisa, os dados são "extremamente questionáveis".

Sobre mais de 80% dos entregadores conhecer medidas dos apps:

"Enviar um comunicado sobre prevenção ao coronavírus é "medida tomada"? Essa "medida" provavelmente tem menos efeitos práticos do que uma medida de distribuição de EPIs, por exemplo."

Sobre distribuição de mais de 800 mil itens de proteção aos entregadores:

"Em pesquisa da Revista Jurídica: Trabalho e Desenv. Humano com 298 entregadores de todo o Brasil, 57,3% disseram q as empresas não ofereceram medidas protetivas materiais!"

Sobre 92% dos entregadores continuarem trabalhando com entregas após a pandemia:

"O iFood se aproveita da maior queda de desemprego no Brasil, no qual encontra-se em 12,6%, podendo chegar a 14,2% no final de 2020, segundo o IBGE."

Sobre o fundo de R$ 2 milhões para entregadores com sintomas da doença ou de grupos de risco:

"O iFood reverteu a decisão da Justiça do Trabalho q a obrigava a pagar assistência financeira de um salário mínimo aos entregadores afastados. Com argumento de que teriam q desembolsar R$ 150 milhões. O fundo dos R$ 2 milhões do iFood seria suficiente para apenas 1,4% dos entregadores cadastrados no app em um mês!"

A reportagem levou os pontos da thread de Paulo Lima para o iFood. As respostas serão incluídas assim que a empresa se manifestar.

Breque dos Apps

Parte dos entregadores de delivery está realizando hoje uma paralisação nacional com exigências a apps como iFood, Rappi, Uber Eats e Loggi, em um novo desafio à chamada "economia de bico" no Brasil.

A principal reclamação é sobre a precariedade do trabalho, que muitas vezes envolve trabalhar muito e ganhar pouco. A paralisação ocorre em meio a uma votação na Câmara de São Paulo que pode exigir placa vermelha para entregadores que queiram trabalhar nos aplicativos. Associações como a Amabr (Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil) dizem que a nova lei dará mais segurança aos entregadores, enquanto críticos apontam que vai burocratizar o setor e excluir entregadores. A votação está na pauta da sessão desta semana, após dois adiamentos.

Entre as exigências estão reajustes do valor recebido por entrega — que atualmente varia entre R$ 4,50 e R$ 7,50, segundo os entregadores —, reajuste anual para o serviço, tabela de preços construída entre entregadores e aplicativos, entrega de EPIs, apoio contra acidentes e uma avaliação com relação ao programa de pontos que é realizado por alguns dos aplicativos.