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IBM desiste de vender reconhecimento facial para vigilância em massa

Uma demonstração de como o reconhecimento facial pode ser feito ao vivo para reconhecer qualquer pessoas multidão foi feita durante a Consumer Electronics Show de 2019 - David McnewAFP
Uma demonstração de como o reconhecimento facial pode ser feito ao vivo para reconhecer qualquer pessoas multidão foi feita durante a Consumer Electronics Show de 2019 Imagem: David McnewAFP

Helton Simões Gomes

De Tilt

09/06/2020 13h38

Em carta enviada ao Congresso dos Estados Unidos nesta segunda-feira (8) a IBM informou que não vai mais desenvolver ferramentas de reconhecimento facial para vigilância em massa ou para qualquer outro propósito que viole direitos e liberdades humanas.

Assinado pelo executivo-chefe da empresa, Arvind Krishna, o texto tratava de mortes recentes de negros norte-americanos para apoiar uma reforma da polícia nos EUA.

As horríveis e trágicas mortes de George Floyd, Ahmaud Arbery, Breonna Taylor e muitos outros nos lembram que a luta contra o racismo é mais urgente do que nunca
Arvind Krishna, presidente-executivo da IBM

Os assassinatos a que ele se refere ocorreram da seguinte forma:

  • George Floyd morreu asfixiado após um policial branco ficar oito minutos com o joelho sobre seu pescoço
  • Ahmaud Arbery foi morto a tiros por dois homens brancos enquanto fazia jogging, uma tipo de corrida
  • Breonna Taylor foi morta a tiros pela polícia que invadiu sua casa enquanto ela dormia com o namorado

Endereçada aos senadores Cory Booker, Kamala Harris e aos deputados Karen Base, Hakeem Jeffries e Jerrold Nadler, a carta pede que novas regras federais responsabilizem a polícia por má conduta.

O texto foi enviado a esses parlamentares porque eles são autores de alguns projetos que tentam coibir a violência provocada por agentes de segurança.

O executivo da IBM afirma ainda que a tecnologia pode ser usada para aumentar a transparência e proteger comunidades dos abusos da polícia, mas não para intensificar a discriminação.

A IBM se opõe firmemente e não tolerará o uso de nenhuma tecnologia, incluindo as de reconhecimento facial oferecidas por outros fornecedores (...) que não seja consistente com nossos valores e princípios de confiança e transparência. Acreditamos que agora é a hora de iniciar um diálogo nacional sobre se e como a tecnologia deve ser empregada pelas agências policiais nacionais.
Arvind Krishna, presidente-executivo da IBM

Diversas companhias ganham dinheiro com ferramentas desse tipo. No começo do ano, o trabalho da empresa Clearview AI veio à tona. Ela desenvolve um sistema de reconhecimento facial abastecido com imagens de rostos colhidos em milhões de sites. Vendida a autoridades policiais, a solução promete um falso grau de acurácia que pode levar a falsos positivos.