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A 300 mil km/s, luz parece "lenta" viajando pelo cosmos; veja animação

Onda de luz chegando da Terra à Lua
Imagem: YouTube James O'Donoghue

Gabriel Joppert

Colaboração para Tilt

21/05/2020 15h30

Sem tempo, irmão

  • Animação de cientista da JAXA simula luz percorrendo alguns trajetos cósmicos
  • Pulsos, separados por 1 milhão de km, viajam pelo espaço até a Lua e até Marte
  • Mesmo com avanços tecnológicos, explorar "vizinhança" da Terra é missão demorada

Para nós, humanos aqui na Terra, a velocidade da luz é muito rápida, com seus 300 mil km por segundo. Mas, uma animação do cientista planetário James O'Donoghue, da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (Jaxa), mostra que em termos cósmicos nossa percepção da luz pode mudar rapidamente.

Em um segundo, a luz é capaz de dar 7,5 voltas ao redor do planeta Terra. Rápido, certo? Mas na animação, ela chega a levar pouco mais de um segundo para chegar até a Lua. Já os pulsos percorrendo a distância até Marte são emitidos a cada 3,36 segundos e a distância entre eles é sempre de 1 milhão de km.

A velocidade da luz na astronomia é uma espécie de limite de velocidade do universo e das leis da física. Nenhum tipo de matéria — átomos, moléculas — pode chegar à velocidade da luz. Qualquer corpo que tentar se aproximar disso tem como "multa" a possibilidade de gerar quantidades apocalípticas de energia por meio de fusão nuclear.

Mas a animação de O'Donoghue nos mostra como até a luz pode ser "lenta" na vastidão do universo. Veja abaixo a simulação.

Se você achou que os três "minutos-luz" para chegar a Marte foram uma trilhazinha tranquila, lembre-se que o planeta vermelho é um dos nossos vizinhos de sistema solar. Isso dá uma ideia do desafio hercúleo que é a exploração do espaço pelos humanos.

Pensemos, por exemplo, na estrela mais pertinho de nós, a Proxima Centauri. Ela está a 4,24 anos-luz de nós, também de acordo com O'Donoghue. Imagine esse pulso da animação expandindo, sem parar, na velocidade máxima possível para qualquer corpo ou nave imaginável, por mais de 50 meses.

Para ter outra comparação, agora em termos da nossa tecnologia de exploração espacial atual: se a sonda New Horizons, enviada pela Nasa a Plutão, fosse enviada a Proxima Centauri na mesma velocidade de seu lançamento (cerca de 60 mil km/h), ela levaria 80 mil anos para chegar na estrela.

Ah, para quem por acaso lembrou do Usain Bolt lendo esse texto, repare que ele está aí em cima no infográfico.

O'Donoghue tem outras simulações muito legais no seu canal do YouTube para quem se interessa por astrofísica, gravitação e exploração espacial em geral.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, a velocidade da luz na animação não leva alguns segundos para chegar até a Lua. O tempo correto é pouco mais de um segundo. O erro foi corrigido.
Foi informado incorretamente também que a estrela Proxima Centauri estava a 4,22 anos-luz da Terra. Na realidade, o valor correto é de 4,24 anos-luz.