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Carnaval está chegando, e o glitter vem aí! Entenda como o pó gruda em tudo

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt

23/01/2020 04h00

Foi dada a largada para a festa mais animada do Brasil, e ele com certeza vai tomar as ruas das cidades e grudar em tudo o que encontrar pela frente. Estamos falando do glittler! Você sabe como ele é produzido e por que é tão polêmico? Aqui vamos explicar o processo tecnológico por traz do pozinho brilhante que você vai achar pela casa até o Carnaval do ano que vem.

O glitter nada mais é do que plástico —e talvez um tiquinho de metal— cortado em pedaços minúsculos. Você provavelmente já usou a substância em algum momento da sua vida, seja naquele cartaz da escola ou na make da balada... E acabou contribuindo para que ele fosse parar nos oceanos.

Glitter

Primeiramente, são produzidos filmes de plástico, cujo material pode ser poliéster ou PVC. Nesse momento, define-se a cor. O segundo passo é adicionar uma nova camada, feita de material brilhante. Em muitos casos, o alumínio é usado para esse efeito.

O filme plástico então é enviado a um cortador rotativo. Nesta máquina, é picado em pedaços de cerca de 0,25 mm. O formato dessa partícula minúscula é bem específico: precisa ser hexagonal, já que isso ajuda a luz a refletir e brilho muito.

O glitter tem cola?

O glitter é lembrado por duas características: o seu brilho e a sua capacidade de aderir a (quase) toda e qualquer superfície. Por isso, muita gente acha que o material tem cola em sua composição. Não é verdade. O glitter gruda como gruda, porque as partículas são muito pequenas, leves e planas, e isso facilita a retenção da eletricidade estática. Um exemplo disso é quando passamos o pente no cabelo e, em seguida, ele é capaz de atrair pedaços de papel.

Por que o glitter prejudica o ambiente?

Por ter partículas minúsculas, o glitter ignora os filtros das estações de tratamento de água. É assim que ele chega aos rios e oceanos, onde pode ser engolido pela fauna aquática, por exemplo.

Por ter materiais como plástico e metal envolvidos em sua fabricação, ele não é biodegradável. Isso é especialmente problemático para organismos como plâncton, peixes e moluscos, que acabam "consumindo" o glitter presente na água e têm a sua alimentação prejudicada.

O glitter pode fazer mal à saúde?

Dependendo do caso, sim. O caso mais comum é ocorrer irritações locais, especialmente em quem já tem quadros como dermatite atópica, que deixa a pele mais sensível. Outra reação cutânea que o glitter pode provocar é a dermatite de contato, que é uma reação inflamatória da pele devido à exposição a determinados materiais. Em ambos os casos, a pele fica vermelha, coça e, em casos extremos, pode causar feridas.

Se o glitter cair sobre um machucado, ele pode atrapalhar a cicatrização do ferimento e, dependendo do caso, infeccionar o local. Em todo caso, o ideal é lavar bastante o local com água corrente e, para remover da pele, um demaquilante bifásico deve dar conta do recado. Se cair no olho, o ideal é limpar logo. Em alguns casos, ele pode causar até uma conjuntivite.

O glitter pode causar problemas também se for aspirado (broncoaspiração) ou ingerido, o que pode irritar o aparelho digestivo, provocando náuseas, vômitos e dor abdominal.

Existem alternativas ecológicas ao glitter?

Felizmente, sim. No mercado já existe o chamado glitter ecológico, que é feito de ingredientes ecologicamente amigáveis como algas marinhas, celulose de eucalipto, farinha de arroz, amidos naturais, pó de mica e corantes alimentícios.

Fontes:
Adriana Martinelli Catelli de Souza, professora e coordenadora do curso de Engenharia de Materiais da FEI
Milena Pandolfi Piana Amaral, Alergista e Imunologista membro da Doctoralia
Cristina Abud de Almeida, alergologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo
Henrique Perobelli Schleinstein, gastroenterologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo