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Por que empresas aéreas são alvo de hackers e quais as consequências disso

Aeronave A321LR, um dos modelos mais recentes da família NEO, da Airbus - Divulgação
Aeronave A321LR, um dos modelos mais recentes da família NEO, da Airbus Imagem: Divulgação

Fabrício Calado

Colaboração para Tilt

06/10/2019 04h00Atualizada em 17/10/2019 17h33

Ataques de hackers contra empresas aéreas estão em alta. Recentemente, a empresa europeia Airbus foi vítima de ataques virtuais contra empresas terceirizadas suas. Não é um caso isolado: no último ano, aconteceram quatro ataques do tipo contra terceirizadas da Airbus.

Pouco antes, no começo deste ano, foi descoberto que a Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO, na sigla em inglês de International Civil Aviation Organisation) tentou esconder uma invasão cibernética. Com isso, porém, acabou ajudando o malware (programa capaz de tomar o controle total ou parcial de uma rede de computadores) a se espalhar para outras empresas aéreas.

O agravante neste caso é que a organização, ligada à ONU, é quem trabalha com 192 países-membro e setores da indústria aérea para definir padrões de aviação civil internacional, o que inclui procedimentos de segurança. Aquela história: casa de ferreiro...

O tipo mais comum de invasão é o chamado ataque distribuído de negação de serviço (DDoS, na sigla em inglês), em que os criminosos envolvidos no ataque utilizam centenas de milhares (ou até milhões) de computadores e dispositivos zumbis para acessar uma página da web ao mesmo tempo, deixando o servidor sobrecarregado.

Para ficar em números: segundo uma pesquisa da empresa americana de monitoramento de redes Netscout, entre 2017 e o ano passado, os ataques a companhias aéreas de transporte de passageiros aumentaram mais de 15.000% —um recorde que parece estar aumentando neste ano, diz a revista Forbes.

Quais os motivos?

Como se tratam de vários ataques de fontes diferentes, é difícil apontar um motivo específico, já que hackers podem invadir algo para pedir dinheiro, como forma de protesto, para causar uma pane no sistema ou simplesmente para chamar a atenção, para si ou para uma falha de segurança.

Especialistas em redes, porém, costumam desconfiar do envolvimento de hackers chineses em ataques do tipo. A empresa de segurança FireEye, em um relatório recém-divulgado, chegou até a identificar um grupo hacker que prestava serviços para o governo chinês e para obter ganhos pessoais.

O que fazer

Como não dá para saber quando e onde vai ser o próximo ataque, o que você pode fazer é conhecer melhor seus direitos em caso de voo atrasado ou cancelado.

Além disso, outra dica para cuidar da sua segurança é saber um pouco mais sobre a companhia aérea de quem você está comprando uma passagem. Segundo especialistas, empresas que passaram por várias fusões, ou fusões recentes, tendem a apresentar um risco maior de problemas na rede, facilitando a ação de invasores.

É grave? Quais as consequências?

Por fim, uma boa notícia: até onde se sabe, atrasos à parte, não há risco de um voo ser hackeado e correr risco de ser derrubado, como visto em "Duro de Matar 2".

Nos EUA, existe até uma conferência hacker em que um dos objetivos é ver se algum dos participantes consegue invadir ou atacar de algum modo o site da Administração Federal da Aviação (FAA, na sigla em inglês). A ideia é identificar possíveis falhas e repará-las antes que algum problema maior aconteça.

A própria pesquisa da Netscout (aquela que fala em alta de 15.000% nos ataques) diz que o aumento maior da ataques resulta problemas quase imperceptíveis, como casos em que o site cai ou apresenta lentidão e impede o passageiro de finalizar a compra de uma passagem, por exemplo.

Até onde sabemos, esse tipo de ataque não é algo que leve alguém a deixar de voar —talvez seja só o caso de trocar de companhia aérea.

Existe alguma discussão sobre a possibilidade de se hackear aviões, mas um teste do tipo conduzido no ano passado pelo Departamento de Segurança dos EUA não envolvia os ataques DDoS ao site da operadora citados aqui, e sim aparelhos de radiotransmissão e circunstâncias específicas, como o fato da aeronave ser muito velha. E ainda assim, a possibilidade foi bem contestada na época por especialistas. Em resumo: por enquanto, estamos seguros.

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