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Câmera que gira: Galaxy A80 alcança inovação e torna real o sonho de telona

Gabriel Francisco Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

05/08/2019 06h00Atualizada em 11/08/2019 14h43

O Galaxy A80 chegou com um recurso diferentão (e hipnotizante): uma câmera traseira que gira para tirar selfies. Com esse recurso, o smartphone já pode ser considerado, sem dúvidas, o mais inovador a desembarcar no país neste ano. E, depois de usá-lo por cerca de duas semanas, posso confirmar: ele faz o sonho de telona, que muito usuário quer, virar realidade - ainda que não seja um smartphone perfeito.

Um problema, por sinal, é seu preço: ele chegou ao Brasil com o valor de R$ 3.499. Não é barato, já que ele não tem todos os recursos de um top de linha - faz parte da linha de intermediários A, da Samsung. Mas, claro, toda inovação tem seu custo nos primeiros meses.

Esse novo modelo da marca vem para encantar quem é viciado em tecnologias novas e, claro, já começa a usar o celular como um substituto para a TV. O smartphone, contudo, só poderia ter mais qualidade em alguns pontos.

Sonho de telona vira realidade

De cara, ao bater o olho no Galaxy A80, uma coisa já fica clara: como esse celular é bonito. A frente dele é composta inteiramente de tela e o smartphone praticamente não tem bordas - a mais visível está na parte de baixo da tela, apesar de ainda assim discreta.

São nada menos que 6,7 polegadas de tela com uma qualidade excelente - Full HD+ e com a tecnologia Super Amoled - sem nenhum entalhe na parte de cima para encaixar câmeras frontais. É o que todo mundo queria. E essa tela não faz feio: assisti a seriados em serviços como Netflix e Amazon Prime sem sentir falta da TV - o recurso de pinça para esticar o vídeo, nesse caso, é muito bom, já que não rola nenhum corte no topo.

Galayx A80 realiza sonho de telona ao deixar a frente limpa, sem câmera frontal específica - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Galayx A80 realiza sonho de telona ao deixar a frente limpa, sem câmera frontal específica
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

De uma maneira geral, o aparelho é bem elegante tanto na frente quanto na traseira, com diversos detalhes em metal. Só um contraponto é que a versão que testei, na cor preta, fica facilmente com marcas de dedo pelo corpo do celular. Como você provavelmente usará uma capinha, isso não importará muito.

O problema dessa tela gigante está na usabilidade do celular. Ele tem o mesmo tamanho do Note 9 (mas com um display maior) e, por isso, fica bem difícil usar o aparelho com apenas uma das mãos. Ele também é bem pesadinho para os padrões atuais, provavelmente por causa do motor interno para as câmeras.

A câmera que gira

A grande inovação que permite essa telona no Galaxy A80 está dentro do celular. A Samsung, de alguma forma, conseguiu embutir um motor interno no smartphone que faz a câmera traseira deslizar para cima e girar 180º para tirar selfies. Essa ação, que faz um pequeno barulho, é ativada quando você opta pela câmera frontal dentro do app da câmera ou quando entra em algum aplicativo que automaticamente usa a câmera frontal - como o Stories do Instagram.

Esse recurso é, de fato, inovador - algumas marcas chinesas chegaram a fazer isso, mas não venderam aparelhos no Brasil. E viciante: é inerente você ficar só girando a câmera por um tempo quando pega o celular pela primeira vez. Isso lembra o que alguns celulares pré-iPhone faziam - a diferença é que é muito mais difícil colocar uma tecnologia do tipo em smartphones, que já são cheios de tecnologias embutidas em sua parte interna, em espaço mínimo.

Modo normal da câmera do Galaxy A80 - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Modo normal da câmera do Galaxy A80
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Modo grande angular da câmera do Galaxy A80 - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Modo grande angular da câmera do Galaxy A80
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

O mais legal dessa nova tecnologias é que a câmera traseira e a câmera frontal viram as mesmas - normalmente, as câmeras frontais de smartphones são piores do que as principais, mas não é o caso do Galaxy A80, que usa o mesmo conjunto para tudo. E um conjunto de respeito: o sistema tem uma câmera principal de 48 MP, uma grande angular que capta uma área maior de 8 MP e um sensor 3D Time of Flight que é usado para a câmera ler a distância entre objetos a fim de fazer desfoque.

Centro de São Paulo no modo normal do Galaxy A80 - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Centro de São Paulo no modo normal do Galaxy A80
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Centro de São Paulo no modo grande angular do Galaxy A80 - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Centro de São Paulo no modo grande angular do Galaxy A80
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Essa câmera seria perfeita se não apresentasse algumas inconsistências que deixam o Galaxy A80 ainda atrás de celulares tops de linha como o S10, iPhone XS Max e o Huawei P30 Pro. De uma maneira geral, as fotos saem muito boas, com cores vívidas, bom contraste e qualidade - as opções de grande angular e do retrato agradam, apesar deste último nem sempre ficar bom.

Foto à noite com a câmera do Galaxy A80 - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Foto à noite com a câmera do Galaxy A80
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

O conjunto de câmeras giratórias às vezes peca, contudo, por irregularidades. Um problema claro é com a luminosidade - de vez em quando, dependendo do ambiente em que você está, as câmeras estouram muito a iluminação e você precisa ajustar no dedo a abertura. A estabilização também não funcionou perfeitamente em todas as fotos que tirei.

Selfie com o conjunto de câmeras do Galaxy A80 - de vez em quando, luminosidade fica ruim - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Selfie com o conjunto de câmeras do Galaxy A80 - de vez em quando, luminosidade fica ruim
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Ao menos o sistema conta com outros recursos de top de linha: a inteligência artificial que reconhece objetos para otimizar fotos, presente no S10 e no Note 9, está aqui no A80 com mais de 30 cenas preparadas para reconhecimento. Os efeitos diferentões para fotos com o fundo desfocados, antes exclusividade do S10, também estão no aparelho. O celular ainda conta com outra novidade "roubada" do S10: o modo câmera de ação que recorta um vídeo para dar estabilidade.

Foto no modo retrato do Galaxy A80 - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Foto no modo retrato do Galaxy A80
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Foto com efeito preto e branco do Galaxy A80 - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Foto com efeito preto e branco do Galaxy A80
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Foto com efeito giratório do Galaxy A80 - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Foto com efeito giratório do Galaxy A80
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Desempenho não é top, mas vai bem

Apesar do preço alto, o A80 não vem com o melhor processador do mercado - estes, sim, são exclusividade dos tops de linha. Mas ao menos o sistema, com impressionantes 8 GB de RAM, não decepciona. Em duas semanas de uso, não tive problemas com travadas no aparelho e apenas tive que ter paciência com alguns jogos mais pesados, como é o caso do 'Harry Potter: Wizard's Unite'. Nada que não dê pra aguentar.

Um problema ao jogar esse game foi que a localização do celular não acompanhou integralmente os movimentos que eu fazia na vida real - de vez em quando, o GPS ficava parado até retomar bem na frente. Não é possível cravar que isso fosse um problema de geolocalização do celular ou do app - quando usei um iPhone X, com o mesmo jogo, isso não rolou.

Já a bateria foi bem para os padrões atuais de celulares. Usando o celular moderadamente - com o WhatsApp Web aberto durante o trabalho, mas utilizando alguns games pesados, redes sociais, câmeras e afins entre um momento e outro, cheguei ao fim do dia com cerca de 30% a 40% de sobra para o dia seguinte. Os 128 GB de espaço interno também são mais do que suficientes.

Traseira do Galaxy A80, na cor preta - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Traseira do Galaxy A80, na cor preta
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

O celular ainda vem com um desbloqueio por digital embaixo da tela, na parte inferior do display do smartphone. Só um detalhe: o desbloqueio não é ultrassônico igual ao do S10, mas óptico como o de alguns fabricantes chineses, como a Huawei. Por sinal, senti esse desbloqueio falhar mais do que deveria nos meus testes.

Outra novidade é o que o A80 não tem alto-falantes no topo do aparelho, como estamos acostumados. O som do celular sai da própria tela e isso causa estranhamento principalmente ao fazer ligações, que podem ficar com o áudio mais baixo. O novo brinquedinho da Samsung também não tem certificado de resistência à água igual a maioria dos aparelhos da atualidade, então é bom tomar cuidado.

Vale o preço?

Como toda grande inovação, o Galaxy A80 não está barato. Por sinal, com os R$ 3.500 pedidos pela Samsung, já dá para comprar modelos tops de linha da própria empresa, como o Galaxy S10, lançado há menos de seis meses.

O A80 não é um smartphone perfeito e apresenta alguns defeitos que podem te incomodar, mas no geral é um ótimo celular. Minha sugestão, portanto, é que você espere alguns meses - quando a Samsung começar a derrubar os preços desse aparelho para a casa dos R$ 2.000, manda bala. A câmera giratória e a telona fazem o celular, com certeza, se diferenciar da concorrência.

Direto ao ponto: Galaxy A80

Tela: 6,7 polegadas Super Amoled Full HD+
Processador: Octacore 2,2 GHz
Memória: 8 GB (RAM) e 128 GB (armazenamento)
Câmeras: traseira/frontal (48 MP + 8 MP + sensor 3D ToF)
Bateria: 3.700 mAh
Preço: R$ 3.499
Pontos positivos: câmera inovadora, tela e bateria
Pontos negativos: usabilidade. sensor de digital e falta de resistência à água

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