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Facebook rompe com a Huawei, e apps deixarão de ser pré-instalados; entenda

Loja da Huawei em Pequim, na China - Fred Dufour/Reuters
Loja da Huawei em Pequim, na China Imagem: Fred Dufour/Reuters

Do UOL, em São Paulo*

07/06/2019 11h05

O Facebook deixou de permitir a pré-instalação de seus aplicativos, como WhatsApp, Instagram e Facebook, em smartphones da Huawei. Este é o mais recente golpe para a gigante chinesa de tecnologia após o governo dos Estados Unidos ter proibido que a companhia chinesa compre peças e softwares de empresas norte-americanas após anos de suspeitas.

Os clientes que já têm celulares Huawei ainda poderão usar seus aplicativos e receber atualizações, informou o Facebook à agência de notícias Reuters. Mas os novos aparelhos da empresa chinesa não poderão mais ter os aplicativos do Facebook, WhatsApp e Instagram pré-instalados. Isso não quer dizer que as pessoas não poderão instalá-los assim que comprarem os dispositivos, conforme informou a Huawei, em comunicado:

O Facebook é um aplicativo de terceiros. Com relação às matérias publicadas pela imprensa, gostaríamos de informar que, como muitos outros aplicativos de acesso público, o Facebook continuará funcionando normalmente nos dispositivos Huawei.

Os fornecedores de smartphones geralmente entram em acordos para pré-instalar aplicativos populares como o Facebook. Aplicativos como Twitter e Booking.com também vêm pré-instalados nos telefones Huawei em muitos mercados, mas as duas empresas não comentaram se cortarão relações com a Huawei.

A proibição do Facebook aplica-se a qualquer telefone Huawei que ainda não tenha saído da fábrica, segundo uma pessoa a par do assunto. Outras empresas já haviam declarado que obedeceriam a decisão do governo norte-americano e deixariam de fornecer seus serviços e componentes à Huawei.

A incerteza já chegou ao Brasil, onde a Huawei desembarcou há menos de um mês com sua operação de smartphones. O Procon questionou a fabricante, o Google, que deixará de oferecer atualizações do Android aos celulares da marca, e varejistas sobre se o entrevero comercial irá afetar os consumidores.

Em maio, o Departamento de Comércio dos EUA incluiu a Huawei e suas afiliadas na chamada "lista de entidades", um grupo de empresas proibidas de fazer negócio com qualquer empresa norte-americana -- isso inclui comprar ou vender. Para contornar o veto, é preciso receber uma licença especial. Para que a empresa chinesa se organizasse, os norte-americanos concederam tal autorização, mas ela tem data para acabar: 19 de agosto. Depois disso, não tem volta -- pelo menos até agora.

Veja abaixo outras empresas que romperam com a Huawei:

Software: Google

O maior baque até agora ocorreu no domingo (19), quando a Google suspendeu negócios com a Huawei que exigem transferência de equipamentos, programas e serviços técnicos, exceto os disponíveis ao público via licenças de código aberto.

Na prática, isso significa que os futuros celulares da Huawei não poderão mais contar com a versão comercial do Android. A versão gratuita e software-livre estaria liberada à empresa, mas ela não conta com o ecossistema de apps da Google (Gmail, YouTube, Maps etc.). Os celulares atualmente à venda ou nas mãos dos consumidores ainda contarão com o suporte.

Chips: Qualcomm, Intel, ARM e companhia

A Bloomberg informou na segunda-feira (20) que as fabricantes americanas de chips como Intel, Qualcomm, Xilinx e Broadcom também vão interromper suas vendas de componentes para a Huawei, obedecendo ao governo dos EUA. As mais importantes da lista --Intel e Qualcomm-- forneciam processadores aos laptops e alguns smartphones da Huawei.

A surpresa veio quando a fabricante de chips britânica ARM suspendeu as relações com a Huawei nesta quinta-feira (23), disse a Reuters. A Huawei usa "blueprints" (projetos) patenteados pela ARM para desenhar os processadores da linha Kirin criados por sua subsidiária, a HiSilicon. Os Kirin também alimentam os principais smartphones da Huawei.

Apesar de a ARM ser britânica e de propriedade da empresa japonesa SoftBank, ela diz que seus projetos contêm "tecnologia de origem norte-americana", por isso acredita que violaria a proibição de exportação dos EUA.

Operadoras e varejo: Vodafone, EE e mais

As companhias de telefonia móvel britânicas Vodafone e EE pararam de comercializar os aparelhos da Huawei, segundo a EFE.

"Estamos paralisando os pedidos de (o modelo) Huawei Mate 20X 5G no Reino Unido", informou na quarta-feira a Vodafone em um breve comunicado, alegando ser uma "medida temporária enquanto há incerteza com relação aos novos telefones Huawei 5G".

O executivo-chefe da EE, Marc Allera, declarou que a companhia não reativará as vendas dos dispositivos 5G da Huawei até ter "todas as informações e confiança", assim como "a segurança a longo prazo", de que seus clientes, se comprarem aparelhos Huawei, receberão suporte. Ainda assim, a EE continuará usando os equipamentos de rádio da Huawei, além dos da Ericsson, em sua rede 5G.

A operadora japonesa de telecomunicações Ymobile e a britânica Dixons Carphone seguiram pelo mesmo caminho, segundo a Reuters e Techradar, respectivamente.

Eletrônicos: Panasonic e Toshiba

Os conglomerados japoneses Panasonic e Toshiba se juntaram na quinta-feira à crescente lista de empresas globais que estão se distanciando da Huawei. A Panasonic, que fabrica componentes usados em smartphones e linhas de montagem, disse que interrompeu o envio de alguns componentes para a chinesa.

Mas também disse que as operações comerciais que não violassem as regulamentações dos EUA continuariam a ser negociadas normalmente com a Huawei. "A Panasonic continuará a obedecer rigorosamente às leis e regulamentações dos países e regiões nos quais conduzimos os negócios", afirmou a empresa à BBC.

Já a Toshiba suspenderam as vendas de seus produtos à Huawei. Não informou quais, mas espera-se que unidades de disco rígido, semicondutores e sistema de processamento de dados de alta velocidade estariam entre eles, segundo o Nikkei Asian Review.

*com informações da Reuters

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