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Novo bilionário da tecnologia teve visto negado pelos EUA 8 vezes; conheça

Fundador da Zoom, Eric Yuan (centro) teve visto para os EUA negado oito vezes - Kena Betancur/Getty Images/AFP
Fundador da Zoom, Eric Yuan (centro) teve visto para os EUA negado oito vezes Imagem: Kena Betancur/Getty Images/AFP

Gabriel Francisco Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

21/04/2019 16h19

Resumo da notícia

  • Chinês Eric Yuan, fundador da Zoom, é o novo bilionário da tecnologia
  • Empresa abriu seu capital na Bolsa de Valores na última semana
  • Chinês teve visto negado para os EUA oito vezes até chegar ao país em 1997
  • Ideia da empresa de videoconferência surgiu na faculdade por causa da namorada

O mundo da tecnologia ganhou um novo bilionário nesta semana: o chinês Eric Yuan, fundador da companhia de videoconferências Zoom - companhia que acaba de abrir seu capital na bolsa de valores. Mas quem vê onde ele está agora não sabe os perrengues que o presidente da empresa já passou em uma história que pode inspirar muita gente.

Segundo a Bloomberg, Yuan e familiares venderam ações avaliadas em US$ 57 milhões com base no preço inicial de US$ 36 por ação e agora vão controlar uma participação estimada em nada menos que US$ 2 bilhões. As ações subiram 72% logo no primeiro dia de vendas, colocando o valor da empresa em US$ 16 bilhões, de acordo com o Business Insider.

Eric Yuan tem 20,5% das ações, o que faz dele um dos novos bilionários da tecnologia, junto a nomes como Bill Gates, Mark Zuckeerberg e Jeff Bezos. Mas o chinês tem uma história bem particular e interessante.

Visto negado aos EUA oito vezes

Eric Yuan decidiu quase 30 anos atrás que queria entrar no ramo da tecnologia, depois de ter ouvido Bill Gates falar sobre a internet. A ideia ficou fixa na mente: o chinês queria estar no mundo das empresas "ponto-com", no Vale do Silício.

O asiático, entretanto, só não esperava enfrentar tantas barreiras. Ele teve o visto para os Estados Unidos negado nada menos que oito vezes pelo governo norte-americano. Foram dois anos de tentativas em vão..

Na sua nona tentativa, o atual bilionário teve o pedido de visto aceito e foi para os Estados Unidos em 1997 sem saber falar nada em inglês, segundo a rede de televisão CNBC.

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Atualmente com 49 anos, o chinês se junta a nomes como Sergey Brin (Alphabet/Google), Jensen Huang (Nvidia) e Elon Musk (Tesla) na lista de imigrantes que ficaram bilionários ajudando a montar empresas no Vale do Silício.

E provavelmente ele é uma inspiração para outros de seu país: mais de três quartos dos chineses ricos que pretendem morar no exterior preferem os EUA, de acordo com o Instituto de Pesquisas Hurun e a consultoria especializada Visas Consulting Group.

Namorada inspirou empresa

A ideia de criar uma empresa de videoconferências é romântica. Quando estava no primeiro ano da faculdade na China, Yuan contou que visualizou um futuro composto por chamadas de vídeo para burlar obstáculos como o que enfrentava com a namorada: ele precisava viajar 10 horas de trem para visitar a garota, atualmente sua mulher, quando ambos estavam em faculdades diferentes.

"Eu detestava essas viagens e passei a imaginar outros meios que fariam eu poder visitar minha namorada sem viajar. Esses sonhos acordados eventualmente se tornaram a base para a Zoom", explicou em entrevista para o site Thrive Global.

Entre o sonho da faculdade e a criação da empresa houve muito chão. Ao chegar ao Vale do Silício, o chinês logo passou a trabalhar em uma empresa chamada WebEx, de colaboração em tempo real. A companhia anos depois foi comprada pela Cisco, onde Yuan se tornou vice-presidente de engenharia e responsável por softwares de colaboração.

No cargo, o executivo tinha a missão de se encontrar com clientes e percebia uma insatisfação geral com as soluções de colaboração da época. Foi então que, acreditando poder desenvolver uma plataforma que faria clientes felizes, se demitiu em junho de 2011 e lançou a Zoom em 2012.

Eric Yuan, à direita, é o novo bilionário da tecnologia - Carlo Allegri/Reuters
Eric Yuan, à direita, é o novo bilionário da tecnologia
Imagem: Carlo Allegri/Reuters

Não era só ele que tinha esse desejo e a Zoom está cada vez mais encaixada no mundo não só romântico como de negócios. Estima-se que o número de pessoas fazendo home office (trabalho remoto) aumente a uma taxa de 8% ao ano até 2026, segundo a consultoria Transparency Market Research.

Com base nisso, a Zoom registrou no último ano fiscal um lucro líquido de US$ 7,6 milhões sobre uma receita de US$ 331 milhões. A companhia atualmente tem um valor nove vezes maior do que há dois anos.

O sucesso atual corrobora uma carreira de muitas conquistas para Yuan. O chinês é citado como inventor em 31 patentes, sendo que 11 já foram emitidas e outras 20 aguardam aprovação.

Já ouviu desaforo de cliente

Na mesma entrevista com o Thrive Global, Yuan relembrou uma história curiosa que passou nos primeiros anos da Zoom. No começo da companhia, o presidente enviava emails para cada cliente que cancelava o serviço para saber o que havia ocorrido. Numa das ocasiões, recebeu uma resposta sendo acusado de enviar emails automáticos e de imitar o CEO da companhia.

Yuan respondeu o email afirmando que realmente havia sido enviado por ele, mas mesmo assim não adiantou.

"Ele ainda não acreditou em mim, então mandei outro email e ofereci de conversar com ele naquele exato minuto por uma chamada do Zoom. Essa chamada nunca aconteceu, mas pelo menos ele parou de chamar a empresa de desonesta", disse.

Outra empresa se deu bem

Uma nota curiosa da abertura de capital da Zoom é que outra empresa com o mesmo nome também se deu bem. Como relata o Business Insider, uma companhia também chamada Zoom teve alto ganho de ações de investidores que erraram a compra.

O nome da empresa de Yuan é Zoom Video Communications, Inc., sendo vendida pela alcunha "ZM". Já a "outra" Zoom que estava na bolsa anteriormente chama "Zoom Technologies, Inc.", sob o nome na bolsa de "Zoom".

No último mês, essa companhia que no passado já foi uma fabricante de dispositivos de comunicação teve um espetacular ganho de ações até investidores perceberem que estavam comprando papéis da empresa errada.

Para se ter uma ideia, o preço de cada ação em 20 de março era US$ 0,01, enquanto no dia 15 de abril houve um pico de US$ 5,76, antes de cair para US$ 1,30 no dia seguinte. Para quem não valia nada, ainda assim é um ganho expressivo.

Com informações da Bloomberg

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