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Huawei P30 Pro tem a melhor câmera, porque inovou onde ninguém avançava

Foto feita com o zoom do Huawei P30 Pro mostra o nível de aproximação - Helton Simões Gomes/UOL
Foto feita com o zoom do Huawei P30 Pro mostra o nível de aproximação Imagem: Helton Simões Gomes/UOL

Helton Simões Gomes

Do UOL, em Paris (França)*

27/03/2019 10h45

Resumo da notícia

  • A Huawei pegou emprestado o periscópio do submarino e colocou na câmera
  • Com isso, conseguiu um zoom incrivelmente potente, como nunca visto num celular
  • P30 Pro obteve a maior nota já conferida pela DxOMark, que testa câmeras
  • A câmera potente é uma das apostas da Huawei para cair nas graças dos brasileiros

A Huawei fez analistas que criticam a falta de inovação em smartphones saírem mal na foto. A fabricante chinesa pegou emprestado uma ideia usada por submarinos e modificou a forma como são captados os pixels, os componentes essenciais de qualquer imagem digital, adicionou alguns outros truques e criou com tudo isso o sistema de câmeras mais poderoso já criado para um celular.

Apresentado nesta terça-feira (26), o P30 Pro recebeu a maior nota para qualidade de imagem já conferida pela DxOMark, uma firma independente que analisa os recursos técnicos por trás de uma boa foto. A câmera potente é uma das apostas da Huawei para cair nas graças dos brasileiros, já que este é o celular que a chinesa trará ao Brasil no retorno ao país após cinco anos afastada.

Primeiras impressões do Huawei P30 Pro

UOL Notícias

O que faz o P30 Pro ter a melhor câmera do mundo?

São basicamente três os fatores que fazem da captação de imagem do smartphone tão marcante:

  • Zoom;
  • Efeito "modo retrato";
  • Mais luminosidade

Antes de passar a eles, é bom ter em mente o que compõe o sistema de captura de imagens do P30 Pro é composto por quatro sensores:

  • Wide de 40 MP
  • Ultrawide de 16 MP
  • Telefoto de 8 MP com um periscópio (a tal tecnologia de submarino)
  • "Time-of-flight" (ToF), usado para calibrar as profundidades de uma cena para melhores retratos

O sistema de câmeras do P30 Pro não é fruto apenas do trabalho da Huawei. Desde 2014, a chinesa se uniu à Leica, empresa alemã que desenvolve lentes há mais de 100 anos, para decidir como as coisas vão funcionar.

Houve um tempo em que a gente decidiu, 'okay, a Leica está disposta a desenhar e fabricar seu próprio smartphone?' e vimos que talvez não fosse uma boa ideia. Era melhor procurar um parceiro que contribuísse com melhor design e tecnologia para boas imagens digitais

Marius Eschweiler, diretor de negócios globais da Leica

A empresa dispensou algumas propostas, pois alguns fabricantes queriam apenas licenciar a marca e não trabalhar em conjunto. Já a Huawei procurava uma empresa que desse a suas câmeras um toque de refinamento, diz Lee Guangzhu, vice-presidente de produto da Huawei:

Nós notamos que, cada vez mais, imagens e fotos nas redes sociais e na internet eram produzidas por smartphones. Então nos unimos para atingir a melhor qualidade de imagem nos smartphones

A parceria já havia produzido o primeiro smartphone do mundo com três câmeras, o P20, e agora dá um novo salto com o P30 Pro.

Celular permite comparar o que é filmado por diferentes sensores

UOL Notícias

Zoom

Aqui está o grande lance do novo top de linha da Huawei.

Os fabricantes de celulares sempre enfrentaram dificuldade para fazer as câmeras serem capazes de ampliar elementos muitos distantes apenas usando lentes. O zoom óptico é algo difícil de conseguir, porque o corpo dos aparelhos não comporta tantas lentes --já que é preciso acomodar outros componentes.

Para solucionar o problema, a Huawei pegou uma tecnologia emprestada de submarinos: o periscópio. Esse equipamento é usado pelas embarcações que navegam submersas (sabe aquele "olhinho" que fica para fora?). A grosso modo é um cilindro que possui diversas lentes dentro e cuja manipulação permite que alguém olhando por uma de suas extremidades veja as imagens captadas do outro lado aumentadas diversas vezes.

No P30 Pro, o periscópio funciona assim: os raios de luz entram pela lente de telefoto, são refratados por um cristal que altera sua direção em 90º e, a partir daí, passa por um conjunto de lentes até chegar a um processador de imagem.

Toda essa estrutura é capaz de ampliar as imagens cinco vezes - outros aparelhos conseguem, no máximo, zoom óptico de três vezes.

Com o trabalho do software e o auxílio de outras lentes, as imagens podem ser aumentadas em 10 vezes mais. Ao todo, o celular é capaz de dar um zoom de até 50 vezes.

Para dar mostras da potência do aparelho, a Huawei gosta de dizer que seu smartphone é capaz de tirar fotos da Lua, com direito ao registro de crateras. Há, no entanto, exemplos mais terrenos: o zoom do P30 Pro consegue mostrar quais são as palavras inscritas na torre Eiffel, símbolo de Paris, mesmo estando a cerca de 1 km dela.

Por se tratar de componentes frágeis, os engenheiros das duas empresas penaram para transformar o sistema em algo robusto.

Um dos maiores desafios é conseguir estabilidade de todo sistema. Se você deixar seu telefone cair, ele ainda tem de funcionar da mesma forma de antes da queda. Ainda assim, esses micro danos não são suficientes para mudar a configuração das lentes

Florian Weiler, gerente de projeto de design óptico da Leica

Efeito "modo retrato"

Outro trunfo do P30 Pro é a adição do ToF. O sensor está ali para atuar em conjunto com as câmeras wide e ultrawide. Ao registrar uma imagem, elas fazem um mapa da profundidade de cada elemento na cena. O que o ToF faz é, a grosso modo, confirmar se os cálculos estão certos. Ou seja, em uma foto de casamento, mostram se os noivos à frente e as árvores, ao fundo, estão no plano certo.

A mágica aqui está em como o ToF faz: primeiro, dispara um facho de luz; depois, calcula a distância de cada objeto considerando o tempo que a luz demora para ir a um elemento e voltar. Isso permite que as fotos tiradas com efeito bokeh, ou as do modo retrato, sejam mais bem delineadas.

Assim, elementos que estejam no primeiro plano permanecem completamente nítidos e os do fundo são desfocados, com menor risco de que haja confusão entre uma coisa e outra.

Mais luminosidade

A Huawei substituiu o modelo de cores RGGB ("red, green, green, blue", ou seja, vermelho, verde, verde e azul) para outro, o RYYB ("red, yellow, yellow, blue", ou seja, vermelho, amarelo, amarelo, azul). Com a substituição dos filtros de cor verde pela amarela, há mais captação de luz.

Esse trabalho é feito por um sensor, chamado de SuperSpectrum, que, combinado com o processador do aparelho, o Kirin 980, e alguns algoritmos, consegue captar até 40% mais luminosidade. Isso ajuda a compor imagens em cenários com baixa incidência de luz e tem efeito direto sobre outros modos de foto do celular, como o retrato e o noturno.

*O jornalista viajou a convite da Huawei

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