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Sem briga: como a Apple ganha bilhões do Google e por que isso é importante

Google paga iPhone para ser motor de busca principal - Getty Images
Google paga iPhone para ser motor de busca principal Imagem: Getty Images

Gabriel Francisco Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

18/02/2019 04h00

Há duas semanas, rolou uma treta entre as gigantes da tecnologia. Facebook e Google infringiram umas regras da Apple e acabaram punidas pela companhia de Tim Cook. A maçã saiu como boazinha e forte na história, mas, caso você não saiba, ela não tem esse poder todo de esnobar as rivais --e exatamente por isso não tomou medidas mais pesadas contra ambas.

A Apple recebe, em cash, bilhões do Google, por exemplo. Sim, bilhões.

O número recebido da rival em 2018, segundo o analista Rod Hall da Goldman Sachs, teria sido de nada menos que US$ 9,46 bilhões. Esse valor se refere a "custos de aquisição de tráfico" e teria partido de uma análise dos próprios resultados do Google, de acordo com o Business Insider.

Não é só isso: segundo o analista, esse valor pode crescer para US$ 12,2 bilhões neste ano e ainda para US$ 15,6 bilhões em 2020.

Mas por quê?

A razão do Google pagar essa quantia absurda à rival está dentro do seu iPhone. É graças a esse pagamento que o Google é o buscador padrão no celular da Apple e não qualquer outro --se você achou que era porque o Google é mais famoso, saiba que isso não significa muito no mundo dos negócios.

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Esse valor, inclusive, não é pouca coisa para a Apple: a empresa ganhou mais dinheiro do Google em 2018 do que conseguiu fazer com o Apple Music, seu streaming musical concorrente de Spotify, Deezer e outros.

Segundo a Goldman Sachs, entre os "serviços" só a categoria "Outros" e a App Store, loja de aplicativos da Apple, renderam mais para a companhia de Tim Cook. Em 2020, a previsão é que de os valores se igualem.

A importância dos "serviços" para a Apple

Essa parte do balanço da Apple ganha mais relevância diante dos números tímidos de vendas de celulares e outros produtos físicos da marca. Você sabe: os recém-lançados iPhone XR, iPhone XS e iPhone XS Max têm registrado vendas abaixo do esperado e feito a Apple estudar até reduções nos preços.

Para mostrar a mudança na companhia, ela deixou de fornecer o número de iPhones vendidos em seus balanços trimestrais --um número muito prezado pelos analistas -- e passou a evidenciar o crescimento do seu lucro a partir de sua área de "serviços".

Isso quer dizer que ela chama a atenção para o crescimento em assinantes do Apple Music, mas, na verdade, 51% da receita desta parte é paga pelo Google e pelas empresas com aplicativos na App Store, enfatiza Rod Hall.

O analista da Goldman Sachs é que a Apple acaba sendo muito "dependente" do Google em sua próspera área de serviços. Por enquanto.

Novos serviços a caminho

As atitudes da companhia mostram que a Apple seguirá um foco ainda maior em serviços. São pelo menos dois novos esforços na área que podem mudar o panorama da companhia: 

  • "Netflix das notícias": a empresa marcou para 25 de março o anúncio de um serviço de assinatura que seria uma espécie de "Netflix das notícias". Por um valor, os assinantes de cada plano podem ler revistas, jornais e sites - da mesma forma que fazem com séries e filmes
  • Séries e filmes: o lançamento do serviço de vídeos da Apple está previsto para abril ou maio, segundo rumores. O serviço de vídeos da Apple deve englobar tanto conteúdos próprios quanto canais e outros serviços de streaming. 

Alguns rumores apontam que o valor mensal do serviço de notícias seria, nos Estados Unidos, de US$ 10. Mas nem todo mundo está satisfeito com a novidade. Uma reportagem do "The Wall Street Journal" aponta que a Apple exigiu das publicações que 50% do lucro fique com a empresa. A outra metade do valor seria dividida baseada em quanto tempo usuários gastassem lendo cada conteúdo.

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A taxa teria assustado os responsáveis pela criação de conteúdo que impulsionará o serviço da Apple - jornais, revistas e sites. A negociação com sites como "The New York Times" e "The Washington Post" continua, mas esse é um problema que a Apple já enfrentou ao tentar licenciar programas de TV para o serviço de assinatura.

Até por isso a empresa passou a focar na criação de conteúdo original para um futuro serviço de streaming de filmes e séries - já houve testes de conteúdos feitos para o iTunes. Esse é outro filão que a empresa busca se envolver na busca por lucros relacionado a serviços. Segundo reportagem recente da CNBC, a Netflix teria se incomodado com a quantia oferecida e ficará de fora do serviço - a inclusão da HBO também é duvidosa. 

Enquanto fabrica novos celulares, testa carros autônomos e inventa novos produtos como o HomePod, a Apple dá seus pulos em outras áreas. E não se impressione se esses setores acabarem sendo mais bem-sucedidos do que a tão prezada e tradicional área de hardware da Apple.

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