PUBLICIDADE
Topo

Com aquisição da Activision, Microsoft pressiona concorrência e mira jogos na nuvem

Frente de loja da Microsoft em Nova York, nos Estados Unidos - Dave Kotinsky/Getty Images for Microsoft
Frente de loja da Microsoft em Nova York, nos Estados Unidos Imagem: Dave Kotinsky/Getty Images for Microsoft

Em Paris

19/01/2022 10h46

Com a oferta de compra da Activision-Blizzard por algo em torno de US$ 69 bilhões, a Microsoft pressiona sua rival Sony e todos os concorrentes do ramo de videogames, como Google, Amazon e Tencent.

O ano de 2022 começou com importantes operações comerciais nesse suculento setor, que passa por grandes transformações com a progressiva implantação do mundo virtual.

Na semana passada, a Take-Two, criadora de jogos como Grand Theft Auto, comprou a marca Zynga, especialista em entretenimento para celulares e tablets, por US$ 12,7 bilhões.

A Microsoft comercializa o console Xbox e tem vários estúdios de criação de videogames.

Se a operação com a Activision se concretizar, ela se tornará o terceiro player do setor em faturamento, atrás da chinesa Tencent e da japonesa Sony, fabricante do PlayStation.

As consequências para os jogadores de todo mundo são significativas: Call of Duty, Diablo, Overwatch são jogos extremamente populares há anos.

A Microsoft poderia transformá-los em jogos exclusivos para seu Xbox, o que colocaria o Playstation 5 da Sony fora do mercado.

Exclusividade

"A Microsoft não hesitou em transferir exclusivamente os jogos Bethesda para as plataformas Xbox, então os jogadores podem esperar que o mesmo aconteça com os jogos da Activision-Blizzard", explicou à AFP Charles-Louis Planade, especialista do setor na Midcap Partners.

"Se Call of Duty e todos os jogos da Activision-Blizzard se tornarem exclusividades da Microsoft, isso colocará uma enorme pressão sobre a Sony e todos que querem entrar no 'cloud gaming' (entretenimento ao vivo, através da nuvem) como Google, Amazon e Tencent", destaca.

O "cloud gaming" permite o acesso a plataformas de jogos instaladas em servidores remotos, sem ter que utilizar máquinas como XBox.

É a estratégia que a Microsoft já aplica com suas assinaturas, como a Game Pass Ultimate e a Xbox Cloud Gaming.

A Microsoft já havia comprado em setembro de 2020 a Bethesda, criadora de séries como "The Elder Scrolls" ou "Fallout", por US$ 7,5 bilhões.

"É como se você assinasse Netflix, ou Amazon Prime, porque ali tem a série que você quer ver. Amanhã vai acontecer a mesma coisa: você irá para a plataforma onde estará seu jogo favorito", acrescenta Planade.

Com essa compra, a Microsoft também atingirá "uma posição dominante no e-esporte, um setor em plena expansão, onde teve dificuldades no passado", disse este especialista.

E também "fortalecerá sua posição no mercado de jogos móveis, que representarão US$ 272 bilhões até 2030", explica Rupantar Guha, analista da GlobalData.

Google ou Amazon estão apenas começando no negócio de jogos online, e seu portfólio "é muito leve" em comparação com Tencent, Sony ou Microsoft, comenta esse especialista.

Por isso, as ofertas podem chegar em breve: Electronic Arts (Fifa, The Sims, Apex,...), com sede na Califórnia, por exemplo, pode ser objeto de uma oferta, antecipa Laurent Michaud, analista especializado na indústria do entretenimento online.

"A Sony pode estar interessada em editoras asiáticas como Bandai Namco, Capcom, Square Enix, Konami, ou Nexon", acrescenta.

Ou a francesa Ubisoft, na qual a gigante chinesa Tencent já assumiu uma participação minoritária, da ordem de 6 bilhões de euros (US$ 6,6 bilhões).