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Ricardo Cavallini

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Google e Facebook devem pagar para usar conteúdo? Tem solução mais fácil

Google conta com tecnologia que poderia contribuir para checar cópias de um conteúdo original - Firmbee.com/ Pexels
Google conta com tecnologia que poderia contribuir para checar cópias de um conteúdo original Imagem: Firmbee.com/ Pexels
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Ricardo Cavallini

Autor de 6 livros que abordam tecnologia, negócios e comunicação. É professor da Singularity University, embaixador MIT Sloan Management Review Brasil e um dos apresentadores do Batalha Makers no Discovery Channel (Brasil e Latam). Criador do RUTE, o kit educacional eletrônico aberto, ecológico e mais acessível.

07/04/2022 04h00

Com todos os seus defeitos e qualidades, a PL das Fake News está atraindo muita discussão.

Um dos pontos que tem causado polêmica é obrigar que buscadores e redes sociais (leia-se Google e Facebook) paguem para os veículos por usar seu conteúdo. O maior problema desta solução é definir quem é veículo e quem não é.

Em países onde a medida foi implementada isso deu ruim. Na Austrália, por exemplo, a medida fez surgir muito mais veículos falsos com matérias copiadas e com títulos caça-cliques. No Canadá, a decisão de quem é considerado veículo ou não é feita sem nenhuma transparência.

E no Brasil? Quem iria definir quem merece ou não receber dinheiro do Google e Facebook? Alguém aqui consegue ter alguma confiança que isso seria feito corretamente?

A solução é mais simples e está na nossa cara.

Os veículos têm seu conteúdo muito explorado na rede, não apenas por buscadores como o Google e redes sociais como Facebook, mas por milhares de veículos falsos que copiam este mesmo conteúdo para ganhar dinheiro de propaganda servidas, vejam só, por Google e Facebook.

Então, ainda que o cenário do jornalismo esteja em frangalhos, na verdade os veículos não precisam de ajuda de Google e Facebook, eles precisam parar de ser prejudicados.

A solução mais fácil não seria pagar pelo uso do conteúdo, mas definir quem está gerando cópias do conteúdo original.

Funcionaria assim: os veículos cadastrados na ferramenta teriam seus textos no sistema automaticamente. Assim, se a plataforma achar uma cópia desse texto, além de priorizar o original na ferramenta de busca, reverteria qualquer lucro de anúncio no site que copiou para o veículo que postou o original.

Simples assim.

Isso vai impedir que alguém copie um artigo? Não, mas vai inviabilizar o modelo de negócio de quem vive apenas copiando os outros. Também vai remunerar corretamente quem merece ser remunerado, o autor original do texto.

Parece complexo de fazer? Bom, já existe no mercado uma ferramenta similar que o Google poderia copiar.

Sabe onde existe isso? No próprio Google. E com algo muito mais complexo de examinar que texto: os vídeos do YouTube.

Toda vez que você sobe um vídeo, o sistema checa rapidamente se você está usando uma música ou um trecho de vídeo de alguém que tenha copyright sobre esse conteúdo.

Então, se o Google tem esse acordo com gravadoras e com emissoras de TV, por que raios não teria o mesmo acordo com portais e veículos de notícia?

Em outros artigos que postei por aqui, tenho mostrado que boa parte dos problemas que enfrentamos hoje é possível resolver facilmente com algumas regras. O que falta não é tecnologia, é vontade.