Topo

Curiosidades


Caito Mainier: o hacker de MSX que já chorou com "Red Dead Redemption"

Divulgação/TV Globo
Imagem: Divulgação/TV Globo

Bruno Dias

Colaboração para o START, em São Paulo

30/06/2019 04h00

Muito antes de se tornar um dos "maiores nomes do transporte alternativo do país", Caito Mainier, 41, uma das mentes por trás dos sucessos "Choque de Cultura" e "Falha de cobertura", da TV Quase e Globo, gostava mesmo era de passar tardes criando menus para jogos de MSX.

Além de se aventurar nessa mistura de computador e videogame bem popular na década de 80, ele também curtia uma série de outros games e consoles em locadoras no bairro do Ingá, em Niterói (RJ).

"Vou fazer 42 anos, então peguei o começo ali do Atari, a minha vizinha tinha um Atari, os irmãos mais velhos dela tinham um Atari logo quando lançou. Era pequeno e já achava maneiro", relembra o intérprete de Rogerinho do Ingá, que se iniciou nos games por volta de 1988, quando ganhou um computador do padrinho.

"O nome era NE-Z8000, tipo, não era uma calculadora, era um computador mesmo. Ainda tenho esse computador, nunca mais liguei, talvez não funcione. Era um computador que rodava Basic. Comprava uns livrinhos de Basic e chegava a fazer uns programinhas, coisa pouca, mas era uma parada que me interessava, devia ter uns 12, 13 anos."

Antes de sair um pouquinho de Zelda! #nintendoswitch

A post shared by Caito Mainier (@caitomainier) on

Comprava uns livrinhos de Basic e chegava a fazer uns programinhas, coisa pouca, mas era uma parada que me interessava, devia ter uns 12, 13 anos
Caito Mainier

Caito chegou a ter um "Atari genérico" em casa, mas foi com o MSX que ele começou a ir atrás pra valer de jogos. Ele tinha um modelo HotBit HB-8000 que ganhou de presente da mãe. "Era como se fosse um primeiro Nintendinho, só que ele ficava um pouco abaixo, quando chegou o Nintendo você via que ele era melhor, mas o MSX chegava perto porque ele tinha os gráficos bonitinhos", conta.

"Uns amigos na escola também tinham o MSX, então a gente trocava fita cassete com jogo. Era como se fosse um disquete, você tocava a fita, parecia aquele barulho de modem antigo [faz o barulho com a boca]. Aquilo passava pro computador e você jogava."

"O MSX tinha, por exemplo, o 'Konami's Soccer', um dos primeiros jogos de futebol maneirinho, que tinha o pênalti batido de frente. Tinha muito jogo maneiro no MSX, eram muitos jogos, tinham uns que eram imitação de fliperama", recorda.

O hacker dos menus de MSX

Também por influência da mãe, que lhe comprou um drive de disquete de 5 polegadas, o humorista passou a programar em Basic. "Ai, mermão, a fábrica de jogos foi violenta", diverte-se ao lembrar.

Membro da turma "mais nerd" da escola em que estudava, Caito trocava disquete com outros dois amigos e virou o mestre dos menus, para facilitar a "jogatina" deles.

"Aprendi a fazer menu, aí você colocava o disquete e ele rodava um autorun, que gerava um menu. Colocava bonitinho o nome dos jogos porque, antigamente, um disquete tinha uns dez jogos e você dava um comando para cada um. Era chato porque você tinha que listar, não sabia exatamente qual era o nome, a galera fazia umas capas em papel com o nome dos comandos. Eu já botava o menu dentro do disquete. Mermão, era uma febre. Chegava na escola e já falavam, 'pô, faz um menu pra mim'. E eu fazia os menuzinhos pra galera".

Mermão, era uma febre. Chegava na escola e já falavam, 'pô, faz um menu pra mim'. E eu fazia os menuzinhos pra galera
Caito Mainier, hacker de MSX

Emocionado com "Red Dead Redemption"

Com uma filha pequena em casa e a agenda corrida desde que foi com o "Choque de Cultura" para a Globo, Caito Mainier quase não tem tempo pra jogar. Apesar de ter um PlayStation 4 e um console Arcade em casa (que ele gosta de levar para as reuniões da TV Quase), ele basicamente só tem jogado "Clash Royale" no celular e sempre carrega um Nintendo Switch nas viagens.

O último jogo que o humorista zerou, por exemplo, foi o primeiro "Red Dead Redemption", que era quase que "um companheiro" para ele, que sempre curtiu investir em TV e som potente para jogar em casa. Inclusive, o sucesso da Rockstar Games foi responsável por uma história memorável de Caito envolvendo games.

Divulgação
Imagem: Divulgação

"Tava naquele esquema [sonzão e TV gigante], solteiro, morava em Niterói. Sozinho no apartamento, cheguei numa missãozinha lá, fiz a missão e o cara virou pra mim e falou, 'beleza, sua esposa tá em tal lugar'. Tinha que tentar resgatá-la, tudo a cavalo", descreve Caito, rindo muito de seu momento.

"Lembro que tava naquele esquema de surround e tal, tudo fechadinho, fui andando e era um vale que você tinha que descer a cavalo para chegar ao outro lado. Começou a tocar uma música emocionante, um visual animal, porque o 'Red Dead' tem um visual f***. Eu a cavalo indo buscar a esposa amada [risos] e comecei a chorar vendo o jogo sozinho. [risos] Cara, foi maravilhoso! Depois o jogo nem acaba, continua um pedaço."

Eu a cavalo indo buscar a esposa amada [risos] e comecei a chorar vendo o jogo sozinho. [risos] Cara, foi maravilhoso!
Caito Mainier, em "Red Dead Redemption"

Reunião de roteiro com "FIFA"

Na época do "Larica Total", do Canal Brasil, Caito fazia reuniões de roteiro à base de muito "FIFA" e "um ou outro jogo de tiro". Ele se reunia com Felipe Abrahão e Leandro Ramos (o Julinho da Van, do "Choque de Cultura), e os três tinham uma dinâmica bem inusitada para pensar as ideias do programa de humor culinário protagonizado por Paulo Tiefenthaler .

"A gente tinha um esquema assim, tinha reunião de roteiro, como eram os três, jogava sempre um contra o outro e quem estava de fora tinha que anotar as ideias", explica. "Fizemos muitos roteiros do 'Larica Total' assim. Uma porque você não quer perder, porque é chato ficar anotando as ideias dos outros, e quem tava jogando ficava lá delirando e o maluco que tava de fora ficava anotando. [risos]"

Paulo Belote/TV Globo
Imagem: Paulo Belote/TV Globo

Caito Mainier também empresta sua criatividade e talento para bolar alguns joguinhos, mas nada relacionado ao universo do "Choque" ou do "Falha". Quando trabalhava em uma empresa de TI, ele curtia programar e fez um joguinho em JavaScript que era basicamente um carrinho de bate-bate, daqueles de parquinho, que foi quase uma febre no Curto Café, local próximo ao Terminal Menezes Côrtes, no centro do Rio de Janeiro, que era frequentado pela galera de TI. "Você chegava com o celular, tinha um QR Code e teu celular virava um joystick. Era bem legal. A gente colocou o joguinho lá [Curto Café] pra testar e era maneiraço, galera jogava direto", lembra o humorista.

Ele também fez um protótipo de outro jogo chamado "Crowd", para ser jogado de forma cooperativa. Através de Gus Lanzetta, roteirista e um dos criadores da produtora de podcasts Half Deaf, Caito chegou a conversar com Pedro "Santo" Medeiros e Amora Bettany, desenvolvedores do estúdio paulistano MiniBoss, responsáveis pelo hit Towerfall, para fazer o "Crowd" virar.

"A gente chegou a trocar uma ideia, mas aí eles começaram a trabalhar em outros projetos, essa galera não para, né? Aí começou as paradas Globo e fiquei sem tempo. Deixamos em banho-maria, mas é uma parada eu que tenho. Tenho alguns roteiros de jogos escritos", avisa.

Top 5 jogos da vida

The Elder Scrolls V: Skyrim

Divulgação
Imagem: Divulgação

"Jogo de RPG que mistura combate com a parada do RPG clássico, de evoluir de nível. Acho que é um jogo incrível, que não é à toa que joguei por muitos anos. Tem uma história maneira, é bom de jogar. Acho que foi um dos jogos que mais joguei".

FIFA

Reprodução
Imagem: Reprodução

"Em algum momento ele deu uma virada pra cima do 'PES' e realmente ficou muito bom. Esse é o jogo que até hoje sento com meu enteado pra jogar. Ele tem uma coisa de futebol que é legal, porque não é tão robótico. Que era onde a Konami mandava bem, mas o 'FIFA' conseguiu ultrapassar isso".

The Legend of Zelda: Breath of the Wild

Divulgação
Imagem: Divulgação

"Zelda do Switch tem que estar porque é primoroso, é fabuloso esse jogo. Música e tudo mais".

Red Dead Redemption

Divulgação
Imagem: Divulgação

"Tem que botar também, por conta daquela história toda e também porque o joguei até o final, fiz todas as missões, todas as paradas, tudo a cavalo. Era tipo, tem que ir até o outro lado da cidade [imita o som de um cavalo cavalgando] e demorava meia hora pra chegar lá. [risos]"

Todos os jogos de MSX

Panasonic FS-A1GT, considerado o último MSX produzido oficialmente no Japão - Taylor Ponto
Panasonic FS-A1GT, considerado o último MSX produzido oficialmente no Japão
Imagem: Taylor Ponto

"Não tinha só um jogo, na real ele tinha muitos jogos, porque ainda não era dessa época do jogo pra você curtir a história. O Mario, no começo, você perdia lá na frente e tinha que voltar a p*** toda. Alex Kidd, mermão, você perdia lá na frente pra um peixinho, f*da-se, vai ter que voltar pro começo do jogo que você tava jogando há mais de 10 horas. No MSX era isso, não tinha save, não tinha nada, então você jogava os jogos e eles tinham uma aventura pequena, sabe. MSX entra pelo conjunto da obra. Joguei quase todos os jogos de MSX disponíveis".

Curiosidades